Terras Raras Adquirem Importância Geopolítica

O Destque das Terras Raras na Agenda Internacional

Os elementos classificados como terras raras voltaram a ser protagonistas em discussões globais, especialmente em um período marcado pela reorganização das cadeias de suprimento internacionais. Compreendidos como um grupo de 17 elementos químicos, conhecidos como lantanídeos, esses materiais são considerados essenciais para diversas indústrias, incluindo eletrônica, energia, defesa e tecnologias avançadas. O crescente interesse estava relacionado não apenas à expansão da demanda, mas também à relevância desses minerais no contexto das disputas de poder entre as principais economias do mundo.

A Disponibilidade das Terras Raras

Apesar da nomenclatura que sugere escassez, os elementos de terras raras não são exatamente raros na natureza. O principal desafio reside na viabilidade técnica e econômica necessária para a sua extração, que requer a identificação de depósitos com alta concentração desses elementos. Víctor Fernández, presidente da Câmara de Mineração do Paraguai (Capami), salientou que, embora esses minerais possam ser encontrados em várias localizações ao redor do globo, a dificuldade se encontra na descoberta de depósitos que sejam viáveis para exploração.

Aplicações e Importância das Terras Raras

Esses minerais são indiscutivelmente insumos essenciais para a fabricação de uma variedade de produtos, como ímãs de alta potência, alto-falantes, telas, baterias, drones, celulares, computadores e equipamentos militares. A presença de terras raras permite a produção de dispositivos que são menores, mais eficientes e mais leves, reforçando sua importância na indústria moderna. Fernández comentou que a utilização desses elementos possibilita a fabricação de produtos que, caso fossem fabricados com substitutos menos eficientes, levariam a um aumento nos custos e a uma queda na eficácia tecnológica.

Dependência Global e Dinâmica do Mercado

A alta dependência global desses insumos emergiu como uma questão crítica em diferentes esferas. Em 2024, por exemplo, a União Europeia importou aproximadamente 12.900 toneladas de elementos de terras raras, sendo que 46% desse total vieram da China, 28% da Rússia e quase 20% da Malásia. A demanda por esses minerais tem sido impulsionada pela transição energética, pelo crescimento dos veículos elétricos e pela digitalização, tornando o controle dessas matérias-primas um aspecto crucial nas relações internacionais contemporâneas.

Interesse Norte-Americano pela Groenlândia

No cenário atual, a Groenlândia voltou a ser um foco de atenção para as grandes potências. Estudos indicam a presença de reservas significativas de terras raras sob o gelo dessa ilha ártica, embora, por ora, isso represente apenas uma indicação de potencial. Os desafios para avançar em projetos de exploração dessas reservas são substanciais, incluindo condições climáticas extremas, falta de infraestrutura adequada e a resistência social a práticas de mineração em larga escala.

O interesse dos Estados Unidos na Groenlândia não é uma novidade. Durante seu primeiro mandato, Donald Trump já havia expressado a intenção de aumentar a presença americana na ilha, e, nos primeiros dias de seu segundo mandato, essa iniciativa se intensificou com visitas oficiais à capital groenlandesa, Nuuk. A Groenlândia, que é uma possessão da Dinamarca, é considerada de importância estratégica, tanto por sua localização geográfica quanto pelo potencial mineral que abriga. Recentemente, Trump também anunciou tarifas contra oito países europeus que se opunham às suas ambições e mandou tropas para a região ártica.

A Corrida por Minerais Críticos e Oportunidades para Economias Emergentes

Conforme destacou Fernández, a prioridade das grandes potências tem sido assegurar o fornecimento de terras raras em um cenário de crescente concorrência. Ele afirma que esses elementos são fundamentais para a transição energética e para setores industriais essenciais. Por essa razão, Estados Unidos, Europa e outras economias têm investido consideravelmente em projetos de exploração, com o objetivo de reduzir sua dependência da China.

A corrida por minerais críticos também abre portas para economias emergentes, como o Paraguai, que, embora ainda no início da jornada nesse contexto, pode integrar esse novo ciclo de investimentos. Segundo Fernández, a geologia do Paraguai é promissora, apresentando rochas alcalinas que têm potencial para gerar depósitos de terras raras. Ele observou que, embora existam indícios significativos na região, os estudos realizados até agora são preliminares e exigem investimentos maiores em exploração para avançar.

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Fonte: br.-.com

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