Títulos do Tesouro Direto apresentam alta em meio à pressão sobre juros globais
Os títulos do Tesouro Direto operam com um viés de alta nesta quinta-feira, 24 de outubro de 2023, em um cenário de pressão sobre os juros globais. O título Tesouro IPCA+ 2032 registrou um aumento em sua taxa de 7,66% para 7,68% ao ano, superando a variação da inflação. Paralelamente, os dois títulos prefixados também experimentaram uma ampliação nas taxas nesta data.
Variações nas taxas dos títulos prefixados
Comparando com as taxas registradas no dia anterior, o Tesouro Prefixado 2029 avançou de 13,77% para 13,83% ao ano, refletindo uma alta de 0,06 ponto percentual. Da mesma forma, o Prefixado 2032 apresentou um aumento equivalente, subindo de 14,08% para 14,14%.
Desempenho dos títulos atrelados à inflação
No segmento de títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 subiu de 7,66% para 7,68% ao ano, além da variação referente ao IPCA. Nos vencimentos de longo prazo, observa-se uma estabilidade nas taxas. O IPCA+ 2040 manteve sua taxa em 7,31%, enquanto o IPCA+ 2050 permaneceu em 7,16%.
É relevante mencionar que para investidores que mantêm seus títulos até o vencimento, as oscilações diárias das taxas não influenciam a rentabilidade já contratada na fase de compra. Contudo, aqueles que decidirem vender seus papéis antes do prazo estipulado estarão sujeitos à marcação a mercado, o que poderá resultar em ganhos ou perdas, dependendo da variação no preço do título.
Fatores que influenciam as taxas do Tesouro Direto
Os fatores externos estão exercendo significativa pressão sobre o mercado. Os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro norte-americano, atingiram máximas de vários anos, após a divulgação de dados que mostraram uma atividade econômica mais forte nos Estados Unidos. Esses dados intensificaram as expectativas de novos aumentos nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. A taxa do título de dez anos foi registrada em 5,148%, um patamar que não era alcançado desde 2007, enquanto o título de 30 anos subiu para 5,445%, atingindo seu nível máximo desde 2004.
Para o mercado de renda fixa no Brasil, juros norte-americanos elevados tornam os títulos dos Estados Unidos competidores atraentes no cenário global, o que pode exigir prêmios maiores dos papéis brasileiros para serem comparáveis.
O impacto do petróleo e do dólar
Outro fator que merece atenção é o preço do petróleo. O barril do Brent voltou a rondar o patamar de US$ 100, recuperando parte das perdas que havia enfrentado recentemente. O aumento no preço da energia pode contribuir para pressões inflacionárias, o que tornaria mais desafiador o trabalho dos bancos centrais, especialmente em um momento em que já se discute a possibilidade de novos aumentos de juros nos Estados Unidos.
Além disso, o dólar também teve um desempenho positivo, com o índice DXY alcançando o maior nível em oito semanas.
Cautela do Banco Central Brasileiro
No contexto brasileiro, o Relatório de Política Monetária (RPM) adicionou um elemento de cautela ao cenário. O Banco Central (BC) revisou sua estimativa de probabilidade de a inflação superar o teto da meta, que é de 4,5%, subindo de 79% para 90%. Além disso, a autoridade monetária afirmou que a política monetária continuará a seguir um viés contracionista, embora com um grau de aperto que tende a diminuir ao longo do tempo.
A fotografia do mercado nesta quinta-feira revela, portanto, dois fatores que são desfavoráveis à tendência de queda das taxas brasileiras: os Treasuries mais atrativos no exterior e um Banco Central que se mantém cauteloso em relação à trajetória da inflação. O mercado financeiro permanece atento às declarações do presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre o RPM, em busca de indícios sobre a viabilidade de novos cortes na taxa Selic.
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Com informações da Broadcast.
Fonte: www.estadao.com.br
