Títulos futuros terminam em queda moderada devido ao impasse na aprovação da MP da Taxação.

Desempenho das Taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs)

As taxas dos contratos de Depósitos Interfinanceiros (DIs) encerraram a sessão da quarta-feira, 8 de outubro, com reduções em comparação aos ajustes da sessão anterior. Contudo, a incerteza relacionada à política fiscal do governo Lula limitou o espaço para diminuições nos prêmios da curva de juros.

O governo está atuando rapidamente para que o Congresso vote a medida provisória que aborda a taxação de aplicações financeiras ainda no dia de hoje, o que manteve os investidores em uma postura cautelosa.

Em um dia com poucos indicadores econômicos, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava fixada em 13,485% no final do dia, uma redução de 5 pontos-base em relação ao ajuste da sessão anterior que foi de 13,535%. Para janeiro de 2029, a taxa era de 13,425%, ante 13,463% do ajuste anterior. Entre os vencimentos mais longos, o contrato para janeiro de 2035 apresentou uma taxa de 13,735%, com redução de 6 pontos-base em relação a 13,798%.

Movimentações do Mercado

No dia anterior, 7 de outubro, as taxas futuras apresentaram aumentos significativos no Brasil, superando 10 pontos-base nos vencimentos mais longos. Isso ocorreu em resposta ao anúncio de que o governo Lula está avaliando uma proposta para eliminar as tarifas de ônibus em todo o território nacional.

Na semana anterior, já se observava um aumento nos prêmios devido a especulações em torno da possível proposta do governo para o transporte público. Profissionais consultados pela Reuters avaliaram que, após o forte movimento de alta registrado na véspera, poderia haver espaço para mais quedas nas taxas na quarta-feira. No entanto, a situação fiscal continuou a restringir os prêmios.

Rafael Sueishi, chefe de renda fixa da Manchester Investimentos, comentou à tarde que “as taxas apresentando leve queda estão relacionadas à agenda menos movimentada e ao impasse sobre a aprovação da medida provisória no Congresso. Há um nível significativo de incerteza.” Ele acrescentou que, devido ao movimento significativo de alta nas taxas no dia anterior, os investidores permaneciam em espera.

A aprovação da medida provisória se tornou crucial para o governo, que depende da nova taxação sobre aplicações financeiras para equilibrar as contas. Durante a tarde, o governo e seus aliados no Congresso estavam tentando agilizar a votação da MP, que deve ser aprovada na Câmara e no Senado ainda nesta quarta-feira para não perder sua validade.

Perspectivas para a Curva de Juros

A curva de juros curta permaneceu relativamente estável, apresentando pequenas reduções, enquanto a curva longa não recuou tanto quanto o esperado. Fabrício Voigt, economista da Aware Investments, destacou que “a incerteza sobre a condução da política fiscal do governo está influenciando o comportamento dos preços”. De acordo com ele, “a curva deveria estar fechando mais rapidamente, visto que aguardamos cortes na taxa de juros nos próximos meses, mas a situação fiscal está impactando essa expectativa”.

Ao se aproximar do fechamento, os mercados estavam precificando com 100% de certeza a manutenção da taxa Selic em 15% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, prevista para o início de novembro.

Segundo Sueishi, os preços começam a refletir de maneira mais clara a percepção de que o Banco Central terá capacidade de reduzir a Selic apenas em um momento posterior, e não no final deste ano ou no início do próximo. Ele explicou que “o mercado opera com a expectativa de cortes na Selic até o final do ano. No entanto, o Banco Central sempre manteve um discurso mais firme, indicando que ainda não há espaço para isso. O que estamos observando agora é uma convergência dos preços para essa realidade”.

Influências do Mercado Externo

No cenário internacional, a falta de divulgação de dados devido à paralisação parcial do governo dos Estados Unidos fez com que os agentes financeiros focassem na ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed), que não indicou mudanças nas expectativas de cortes de juros na maior economia do mundo.

Diante desse cenário, os rendimentos dos títulos apresentaram pouca variação no fim da tarde. Às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos — uma referência global para decisões de investimento — mostrava estabilidade, situando-se em 4,131%.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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