Todo bem é um investimento? Compreenda quando um ativo pode gerar retorno.

Todo bem é um investimento? Compreenda quando um ativo pode gerar retorno.

by Editoria Bolsa e Mercado
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A Definição de Investimentos

Conceito de Investimento

Ao abordar o tema de finanças, é comum considerar que certos bens podem ser classificados como investimentos, seja pela sua capacidade de gerar renda, seja pela perspectiva de valorização ao longo do tempo, que contribui para a formação de patrimônio. No entanto, a categorização de um ativo como investimento depende de diversos fatores que vão além da natureza do próprio bem. Assim, um ativo se torna um investimento somente quando existe a expectativa de retorno econômico futuro, que pode se manifestar a partir do aumento da produtividade, da geração de renda ou pela valorização do próprio ativo.

É importante notar que esses atributos não estão necessariamente ligados ao valor monetário do bem. Um exemplo disso pode ser visto em um livro que, mesmo tendo um custo modesto, pode ser considerado um investimento se seu conteúdo for útil para trabalho ou estudo. Por outro lado, bens como um relógio ou uma joia, apesar de terem um valor alto, podem não ter a mesma capacidade de impulsionar ganhos de produtividade.

A Interpretação do Bem como Investimento

Um bem que é tratado como investimento é aquele que é adquirido com a expectativa de que trará algum retorno futuramente, seja pela valorização ou pela geração de renda. Em contraste, bens de consumo tendem a se desvalorizar mais rapidamente. Essa distinção, de acordo com Ricardo Rochman, professor de Finanças da FGV EAESP, pode ser relativamente tênue, uma vez que o mesmo bem pode ser visto como investimento ou não, dependendo de seu uso.

A economista do Insper, Juliana Inhasz Kessler, acrescenta que a natureza do bem é um fator importante. Por exemplo, uma betoneira não é algo que normalmente se relaciona ao uso pessoal, enquanto um celular pode ser considerado um investimento dependendo de sua finalidade. Um celular utilizado para trabalho em tecnologia ou redes sociais, por exemplo, pode ser visto como um ativo capaz de aumentar a produtividade e gerar retorno financeiro.

Hoje, a crescente quantidade de trabalhadores atuando nas mídias sociais torna o investimento em um celular de alta qualidade uma decisão válida, pois pode gerar renda e oferecer serviços melhores. Contudo, se o celular for utilizado apenas para entretenimento, sua classificação tende a ser a de um bem de consumo.

A Desvalorização e o Investimento

Um bem, mesmo que se desvalorize ao longo do tempo, pode ainda ser considerado um investimento se tiver gerado retornos durante um certo período. Um bom exemplo é o carro, que geralmente tem baixo potencial de valorização, exceto em casos como colecionáveis. Um carro pode ser classificado como investimento se, de alguma forma, aumentar a produtividade ou gerar lucros para o proprietário, mesmo que sua valorização total não seja positiva.

Investimento pela Valorização

Bens de Luxo e Valor de Mercado

Itens de luxo, como joias e obras de arte, podem ser concebidos como investimentos, mas de uma maneira distinta. Nesse cenário, o investimento está relacionado ao potencial de valorização desses itens ao longo do tempo, que está ligado às suas características de raridade e prestígio. Rochman enfatiza que atributos como escassez e exclusividade são o que diferenciam a aquisição de uma joia da compra de ativos financeiros atrelados ao ouro.

A commodity ouro, por exemplo, possui baixo grau de diferenciação. Quando alguém adquire ouro na bolsa ou através de corretoras, não há uma diferença prática em relação à compra de uma joia, que incorpora valores adicionais como design exclusivo e a assinatura do artista que a criou. A raridade, nesse caso, faz toda a diferença.

A Dinâmica da Valorização

Além da raridade, a valorização de objetos não depende apenas de suas características exclusivas, mas também da demanda do mercado por esses itens específicos. Portanto, a presença de um público interessado e disposto a pagar por um item de luxo é fundamental para determinar seu valor futuro.

O Perigo da Ostentação

A Armadilha da Justificação

Um aspecto preocupante que emerge dessa discussão é o risco de se justificar a compra de qualquer tipo de bem como um investimento. Essa mentalidade pode levar a comportamentos compulsivos, frequentemente associados à ostentação e à busca por status social por meio da aquisição de bens de consumo. Para Juliana Kessler, é fundamental distinguir entre bens de consumo e investimentos.

A economista aponta que a ideia errônea de que a posse de bens de luxo, como um celular de última geração, pode elevar o status social do usuário não transforma automaticamente esses itens em investimentos, a menos que proporcionem alguma forma de fluxo de renda. Isso também se aplica a roupas de marca e itens considerados colecionáveis, como vinhos antigos ou joias.

A insegurança em relação à valorização desses itens é um dos pontos críticos, uma vez que não há garantias de que manterão ou aumentarão seu valor ao longo do tempo. Por consequência, a probabilidade de que esses “investimentos” possam se tornar arriscados e de baixa liquidez é alta.

A Compreensão do Termo Investimento

Rochman destaca que o conceito de investimento na economia é amplamente diverso e compreende tudo o que potencializa a capacidade de produção de bens e serviços. Portanto, em relação a itens de luxo, a intenção de revenda futura a um preço superior é o que motiva o investimento. Contudo, a volatilidade de mercado e a incerteza sobre a valorização aumentam o risco envolvido.

Imóveis: Uma Categoria Entre os Dois Conceitos

Valorização e Geração de Renda

Diferentemente de bens que têm uma vida útil limitada, como celulares ou carros, os imóveis são frequentemente vistos como investimentos devido ao seu potencial de valorização e geração de renda, especialmente quando adquiridos para locação. Mesmo quando um imóvel é adquirido com intuito de moradia, ele pode representar um ativo relevante na construção de patrimônio ao longo do tempo.

Rochman afirma que os imóveis tendem a naturalmente valorizar-se ao longo dos anos, uma vez que a sua valorização está ligada à inflação. Entretanto, Kessler observa que, apesar desse potencial, imóveis são ativos que geralmente apresentam baixa liquidez.

Desafios da Liquidez

Um imóvel pode ter a capacidade de se valorizar, mas isso não é garantido, e, por ser um ativo que requer um processo complexo para venda, a sua liquidez é considerada bastante baixa. Vender uma casa pode exigir de uma pessoa um esforço considerável. Portanto, a transação de imóveis ainda é um campo onde os desafios estão presentes, exigindo planejamento e discernimento por parte dos investidores.

Fonte: borainvestir.b3.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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