Comentários de Donald Trump sobre os preços da gasolina
Na última quinta-feira (5), o presidente Donald Trump afirmou que não estava preocupado com o aumento dos preços da gasolina nos Estados Unidos, um cenário influenciado pela escalada do conflito com o Irã. Em uma entrevista exclusiva à Reuters, ele enfatizou que a prioridade do governo estadounidense é a operação militar no Oriente Médio.
A resposta de Trump às preocupações sobre os preços
“Eu não tenho nenhuma preocupação com isso”, declarou Trump, ao ser questionado sobre os valores mais elevados nas bombas de gasolina. O presidente ressaltou que, uma vez que a situação se estabilize, os preços tendem a cair rapidamente. “Se subirem, subiram, mas isso é uma questão muito menos relevante do que a importância da situação atual”, complementou.
Esses comentários representam uma mudança de posicionamento do presidente, que havia destacado a queda nos preços da gasolina em discursos realizados no mês anterior, incluindo suas falas durante o discurso sobre o Estado da União e um comício no Texas focado em energia. Essa mudança de tom ocorreu algumas horas antes de os Estados Unidos iniciarem ataques aéreos no sábado.
A influência das eleições no discurso do presidente
Analistas políticos apontam que um aumento persistente nos preços da gasolina pode impactar negativamente os republicanos nas eleições legislativas de meio de mandato que ocorrerão em novembro, período em que o controle do Congresso dos EUA estará em jogo. A insatisfação dos eleitores com o elevado custo de vida e a condução da economia porTrump já é um fator de preocupação.
Ações da Casa Branca em relação ao aumento dos preços
Embora Trump tenha feito esforços públicos para minimizar a preocupação com o aumento dos preços, a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, e o secretário de Energia, Chris Wright, contataram executivos de empresas petrolíferas para avaliar possíveis ações que possam ser adotadas para conter o aumento dos preços da energia, segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.
Outro funcionário da Casa Branca, que falou sob condição de anonimato, mencionou que houve uma corrida entre as equipes de energia e segurança nacional da Casa Branca para desenvolver estratégias destinadas a reduzir os preços da gasolina. Esse representante também alertou para a possibilidade de que a falta de ação em relação ao aumento dos preços possa ter consequências “catastróficas” para os republicanos durante as eleições.
Planejamento para uma operação militar prolongada
Trump delineou um cronograma de quatro a cinco semanas para a campanha militar contra o Irã, porém, especialistas políticos e militares questionaram esse prazo, ressaltando que o governo dos Estados Unidos ainda não apresentou um objetivo claro conforme o conflito se expande pela região e além. Durante a entrevista, Trump afirmou que não pretende recorrer à Reserva Estratégica de Petróleo — o maior estoque emergencial do mundo — e expressou confiança de que o Estreito de Ormuz, um canal crucial para o transporte de petróleo próximo ao Irã, permanecerá aberto, já que a marinha iraniana estaria “no fundo do mar”.
O impacto dos preços do petróleo no mercado
Os preços globais do petróleo aumentaram 16% desde o início do conflito no sábado, uma vez que a escalada da situação prejudica o fornecimento de petróleo do Oriente Médio. O custo médio da gasolina nos Estados Unidos subiu 27 centavos desde a semana anterior, alcançando US$ 3,25 por galão, conforme dados da AAA, uma organização de viagens americana que monitoriza os preços dos combustíveis. A média atual é 15 centavos superior à registrada no mesmo período do ano passado. Trump, no entanto, comentou que os custos “não subiram muito”.
Expectativas da Casa Branca sobre a duração do conflito
A Casa Branca está apostando que o conflito com o Irã — e a consequente pressão financeira sobre o consumidor nas bombas de combustível — será um fenômeno de curta duração.
Assessores de energia da Casa Branca informaram a colaboradores de Trump que o impacto inicial nos mercados de combustíveis foi menos severo do que as expectativas indicavam, solicitando paciência em relação à situação, segundo duas fontes que preferiram manter o anonimato para discutir os desdobramentos internos.
Riscos de intervenções no mercado
Os conselheiros alertaram que qualquer intervenção do governo Trump que não reduza rapidamente os preços pode desestabilizar os mercados e acabar tendo efeito contrário. O secretário de Estado, Marco Rubio, mencionou na semana passada que o governo estava elaborando um pacote de ações para enfrentar o aumento dos preços da energia. Entretanto, o único plano anunciado até o momento consiste em um seguro de risco para petroleiros apoiado pelos Estados Unidos e na promessa de possíveis escoltas navais no Estreito de Ormuz.
Três executivos do setor de energia relataram à Reuters que a Casa Branca possui opções limitadas que realmente possam ser eficazes para reduzir os custos da energia. Um executivo, falando sob condição de anonimato, comentou: “Ao avaliar o conjunto de políticas disponíveis, tanto no âmbito interno quanto nas relações internacionais, concluímos que elas podem ajudar, mas não transformam substancialmente o cenário. Acredito que o foco principal será fazer o que puderem para restaurar a segurança nas passagens marítimas pelo Estreito de Ormuz”.
Além disso, autoridades discutem uma variedade de alternativas, como a suspensão temporária do imposto federal sobre a gasolina e o afrouxamento das regulamentações ambientais sobre a gasolina de verão, o que permitiria um maior uso de etanol nas misturas, conforme indicado por duas fontes familiarizadas com as deliberações internas.
As autoridades também consideraram a possibilidade de liberar petróleo da Reserva Estratégica, mas, segundo as fontes, essa opção foi descartada temporariamente pelo presidente durante suas declarações à Reuters. Mesmo assim, líderes republicanos no Congresso, como o presidente da Câmara, Mike Johnson, têm minimizado as preocupações relacionadas ao aumento dos preços da gasolina, enquanto o partido realiza planos para centrar sua estratégia eleitoral de meio de mandato em suas conquistas econômicas.
Fonte: www.moneytimes.com.br