Conflito no Oriente Médio
(Bloomberg) — O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o Irã com novos ataques após o novo líder da República Islâmica sinalizar resistência, sugerindo que não haverá pausa em um conflito que está desestabilizando os fluxos de energia e os mercados globais.
Ameaças de Trump
“Temos uma potência de fogo incomparável, munição ilimitada e bastante tempo”, declarou Trump em sua plataforma Truth Social. “Acompanhem o que vai acontecer com esses desalmados”, disse ele na sexta-feira, referindo-se aos líderes do Irã.
Pressão nos EUA para Encerrar o Conflito
No entanto, a pressão está crescendo nos Estados Unidos para que Trump ponha fim aos combates diante do caos que envolve o Oriente Médio e o aumento no preço do petróleo. Os preços escalaram para cerca de $100 por barril, devido ao fechamento eficaz do Estreito de Ormuz pelo Irã, uma via crucial para o tráfego marítimo internacional.
Posições do Governo Iraniano
A advertência de Trump ocorreu após declarações do novo Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, que afirmaram que a República Islâmica irá garantir que o estreito permaneça efetivamente fechado. Em seus primeiros comentários públicos desde que sucedeu seu pai, Khamenei também declarou que Teerã procuraria abrir outras frentes no conflito, que já está em seu 14º dia, se os EUA e Israel continuarem com seus ataques.
Impactos Humanitários e Econômicos
Mais de 2.500 pessoas já perderam a vida no conflito, a maioria delas no Irã, e o tráfego no estreito de Hormuz — pelo qual cerca de um quinto das exportações de petróleo e gás natural do mundo flui — está praticamente paralisado. A suspensão em massa de voos deixou milhares de passageiros presos no Oriente Médio.
As baixas americanas também estão aumentando. Um avião de reabastecimento dos EUA caiu na região ocidental do Iraque, resultando na morte de quatro dos seis membros da tripulação a bordo, segundo relatou o Exército americano, acrescentando que a perda da aeronave não foi causada por fogo inimigo ou amigo. Até agora, 11 membros das forças armadas dos EUA foram mortos.
Perspectivas do Conflito
“Estamos realmente em um momento de incerteza onde ainda não sabemos precisamente qual direção isso tomará”, declarou Kim Ghattas, autora especializada no Oriente Médio, em entrevista à Bloomberg TV na sexta-feira. “Esse regime iraniano e seu eixo foram definitivamente enfraquecidos nos últimos dois anos, mas eles ainda são capazes de retaliar e causar grande dano econômico à região e à economia mundial.”
Movimentações de Mercado
O dólar, visto como um porto seguro em tempos de turbulência, valorizou-se em relação às outras 16 principais moedas desde o início do conflito. A maioria das ações e títulos governamentais foi vendida, com os mercados emergentes sendo particularmente impactados.
Protestos e Atividades Militares
Ralis a favor do governo foram realizados em todo o Irã na sexta-feira para marcar o Dia de Quds, um evento anual em apoio à Palestina. Uma explosão foi reportada a poucos quarteirões de uma marcha em Teerã. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram Ali Larijani, secretário do Conselho de Segurança Nacional Supremo do Irã, e vários ministros do governo participando das atividades.
Os ataques aéreos contra a República Islâmica e as retaliações de Teerã em toda a Arábia do Golfo e contra Israel continuaram durante a noite.
Um militar francês foi morto em um ataque na região de Erbil, no Iraque, de acordo com o presidente francês Emmanuel Macron em um post na plataforma X. A Reuters relatou que pelo menos seis soldados franceses ficaram feridos no ataque com drones.
O ministério da defesa da Turquia informou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) neutralizou um míssil balístico iraniano que entrou no espaço aéreo do país na sexta-feira, sendo essa a terceira interceptação desse tipo desde 4 de março. Ancara advertiu o Irã contra a mira em seu território e a expansão do conflito.
Em Omã, duas pessoas foram mortas após drones caírem na região de Sohar, segundo a mídia estatal na sexta-feira. O Porto de Sohar suspendeu suas operações.
Dubai, o centro financeiro dos Emirados Árabes Unidos, relatou ameaças de mísseis, e a Arábia Saudita interceptou mais de uma dúzia de drones em seu espaço aéreo. O Kuwait informou na quinta-feira que vários drones foram lançados contra seu aeroporto internacional, causando danos. A suspensão de voos no aeroporto internacional de Bahrein ainda permanece em vigor.
As forças armadas de Israel informaram que atacaram mais de 200 alvos em Teerã central e ocidental, incluindo lançadores de mísseis balísticos, sistemas de defesa e locais de produção de armas.
Disrupção no Tráfego Marítimo
Há poucos sinais de que o Hormuz será reaberto para níveis normais de tráfego em breve. Os ataques a três navios comerciais no Golfo Arábico nos últimos dois dias destacaram o risco de uma ampliação das interrupções no transporte marítimo. Alguns portos em Omã e na costa leste dos Emirados Árabes Unidos — ambos fora da estreita via — estão sendo utilizados como portos de emergência para mercadorias direcionadas à região.
A obstrução do Estreito de Hormuz interrompeu o fluxo de milhões de barris de petróleo por dia, causando o que a Agência Internacional de Energia descreveu como o maior impacto no fornecimento global já registrado. Arábia Saudita, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos tiveram que reduzir sua produção de petróleo.
Autorização para Importação de Petróleo Russo
Na quinta-feira à noite, os EUA anunciaram uma segunda autorização para que compradores tomem cargueiros de petróleo russo já em alto-mar com o intuito de ajudar a aliviar os preços.
Os EUA e Israel iniciaram os ataques aéreos no Irã em 28 de fevereiro, resultando na morte do Líder Supremo Ali Khamenei, após acusar a República Islâmica de buscar armas nucleares — uma alegação que Teerã nega há muito tempo. O Irã retaliou, disparando mísseis e drones contra Israel e países ao redor do Golfo, mergulhando a região em crise.
Segundo a Agência de Notícias de Ativistas dos Direitos Humanos, aproximadamente 1.858 pessoas morreram no Irã. Quase 700 pessoas foram mortas no Líbano, onde Israel enfrenta o Hezbollah, que é alinhado ao Irã. Uma dúzia de civis israelenses e dois soldados foram mortos, enquanto 2.975 pessoas ficaram feridas, conforme informações do ministério da saúde. Várias outras pessoas em outros países árabes também perderam a vida.
Autoridades americanas informaram aos legisladores que os primeiros seis dias de guerra custaram mais de $11,3 bilhões, conforme relatou uma pessoa próxima ao assunto, sendo esta a avaliação mais detalhada até o momento sobre os custos da campanha. O Comando Central dos EUA reportou que cerca de 6.000 alvos foram atingidos desde o início das operações militares.
— Com a colaboração de Dan Williams, Benjamin Harvey, Alisa Odenheimer, Thomas Hall, Joumanna Bercetche e Shruthi Rajendran.
(Atualizações com mais detalhes.)
Fonte: finance.yahoo.com