Considerações sobre a Possível Retirada dos EUA da OTAN
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está considerando a possibilidade de retirar o país da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Essa análise surge após a relutância dos aliados em ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o transporte de petróleo e gás, controlada pelo Irã.
Críticas à OTAN
Em uma entrevista concedida ao jornal The Telegraph, Trump descreveu a aliança defensiva, que conta com 77 anos de existência, como um "tigre de papel". Quando questionado sobre a possibilidade de reavaliar a adesão dos EUA à OTAN após o término do conflito com o Irã, ele respondeu: "Oh sim, eu diria [que está] além da reavaliação."
"Eu nunca fui influenciado pela OTAN. Sempre soube que eram um tigre de papel, e Putin também sabe disso", disse Trump, em comentários divulgados na quarta-feira.
Frustração com os Aliados Europeus
A irritação do presidente decorre da recusa dos países europeus em enviar navios de guerra para auxiliar na reabertura do Estreito de Ormuz. Os líderes europeus consideram que qualquer tentativa de reabrir essa via é extremamente perigosa, uma vez que o Irã continua a atacar petroleiros que não são classificados como provenientes de nações "amigas".
Os altos funcionários europeus acreditam que a guerra de Trump contra o Irã é uma escolha política, e não foram consultados antes do seu início, em fevereiro. Existe também a relutância em envolver-se em um possível novo "conflito interminável" no Oriente Médio, semelhante aos ocorridos no Iraque ou no Afeganistão.
A Retribuição da OTAN
Trump deixou claro que vê essa hesitação como uma traição por parte da OTAN em relação aos Estados Unidos, especialmente após o apoio que os EUA deram à Ucrânia durante seu conflito de quatro anos com a Rússia. Oposição a essa visão argumenta que a OTAN é baseada em um conceito de defesa coletiva, e não de ataque.
O presidente afirmou ao Telegraph que esperava que os aliados aceitassem o pedido dos EUA por ajuda em relação ao Irã. "Além de não estarem presentes, foi realmente difícil de acreditar. E eu não fiz uma grande venda. Apenas disse: ‘Ei’, eu não insisti muito. Apenas acho que deveria ser automático", declarou. Ele acrescentou: "Nós estivemos lá de forma automática, incluindo a Ucrânia. A Ucrânia não era nosso problema. Foi um teste, e nós estivemos lá por eles, e sempre estaríamos lá por eles. Eles não estavam lá por nós."
Advertências a Países Aliados
As declarações de Trump surgem após advertências feitas à Grã-Bretanha e França, na terça-feira, afirmando que os EUA "não estarão mais lá para ajudar você". Em uma postagem nas redes sociais, Trump mencionou que a França não permitiu que aviões com suprimentos militares a Israel sobrevoassem seu território.
"França tem sido MUITO INÚTIL com relação ao ‘Butcher of Iran’, que foi eliminado com sucesso! Os EUA se lembrarão!!!", publicou em um dos seus posts.
Em outra postagem, o presidente criticou especificamente o Reino Unido, instando outros países a agir no Estreito de Ormuz. "Todos aqueles países que não conseguem obter combustível para jatos por causa do Estreito de Ormuz, como o Reino Unido, que se recusou a se envolver na decapitação do Irã, eu tenho uma sugestão para vocês", escreveu.
"Primeiro, comprem dos EUA, temos bastante, e segundo, enfrentem alguns medos atrasados, vão até o Estreito e simplesmente TOMEM-NO."
Críticas ao Reino Unido
Em seus comentários publicados na quarta-feira, Trump repetiu suas críticas ao Reino Unido, sugerindo que a Marinha Real era inadequada para o enfrentamento. "Vocês não têm uma marinha. Vocês são muito velhos e tinham porta-aviões que não funcionavam", disse ele, referindo-se à frota de embarcações de guerra da Grã-Bretanha.
Trump também comunicou ao Telegraph que não iria dizer ao primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, "o que fazer" em relação ao aumento dos gastos com defesa. "Não vou dizer a ele o que fazer. Ele pode fazer o que quiser. Não importa. Tudo que Starmer quer são aquelas caras turbinas eólicas que estão elevando os preços da energia".
Discussões Sobre a Relação com a OTAN
Outros altos funcionários têm insinuado que os EUA poderiam abandonar a OTAN, embora não esteja claro quão sérias essas ameaças são. O Secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou na segunda-feira que Washington teria que "reavaliar" sua relação com a OTAN assim que a guerra com o Irã terminar.
"Se a OTAN é apenas sobre nós defendendo a Europa se elas forem atacadas, mas depois nos negando direitos de base quando precisamos deles, isso não é um bom acordo. É difícil permanecer engajado e afirmar que isso é bom para os Estados Unidos. Portanto, tudo isso terá que ser reavaliado", declarou ele à Al Jazeera.
Resposta de Starmer
Starmer foi questionado sobre as críticas de seu homólogo americano em uma coletiva de imprensa na quarta-feira. Ele disse aos repórteres que há uma "pressão considerável sobre mim para mudar minha posição em relação à participação na guerra [do Irã], e não vou mudar minha posição em relação à guerra".
"Independentemente da pressão, do barulho, eu sou o primeiro-ministro britânico e tenho que agir em nosso interesse nacional", afirmou.
Starmer também destacou que não escolheria entre os EUA e a Europa, mas sinalizou que a relação com o continente é cada vez mais importante. "Acredito que é do nosso interesse ter um relacionamento forte com os EUA e com a Europa", disse ele, acrescentando: "Mas penso que, quando se trata de defesa e segurança, emissões de energia e economia, precisamos de um relacionamento mais forte com a Europa."
Fonte: www.cnbc.com