Chegada de Soldados Dinamarqueses
Soldados dinamarqueses caminham sobre a pista congelada após chegarem ao aeroporto de Nuuk, na Groenlândia, no dia 19 de janeiro de 2026. O Ministério da Defesa da Dinamarca continuará com a presença militar aumentada na região, realizando atividades de exercícios em conjunto com vários aliados da OTAN dentro e ao redor da Groenlândia ao longo de 2026.
Mads Claus Rasmussen | Afp | Getty Images
Interesse de Donald Trump na Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, minimizou a possibilidade de que a União Europeia resista ao seu impulso para anexar a Groenlândia, afirmando que não acredita que eles "farão muita resistência", logo após a Dinamarca enviar tropas adicionais para a ilha do Ártico.
Em declarações feitas antes de sua viagem a Davos para o Fórum Econômico Mundial, Trump repetiu seu desejo de incluir o território dinamarquês autônomo. Esse assunto aumentou as tensões transatlânticas e abalou a aliança militar da OTAN.
"Eu não acho que eles vão pressionar muito", afirmou Trump a jornalistas na Flórida na noite de segunda-feira, referindo-se à oposição da UE em relação à Groenlândia. "Veja, nós precisamos disso", acrescentou.
O presidente dos EUA, que há muito tempo almeja tornar a Groenlândia parte de seu país, reiterou seu interesse pelo território pouco povoado após uma audaciosa intervenção militar na Venezuela, ocorrida em 3 de janeiro.
Trump tem afirmado repetidamente que assumir o controle da Groenlândia é vital para a segurança nacional dos EUA, frequentemente citando preocupações em relação à influência da Rússia e da China na região do Ártico.
Esses comentários provocaram alarme em toda a Europa e geraram manifestações em Copenhague e na capital da Groenlândia, Nuuk, durante o final de semana.
Aumento de Tarifas sobre Países Europeus
Trump buscou elevar ainda mais as tensões no sábado, ao anunciar um aumento progressivo de tarifas sobre oito países europeus caso se oponham ao seu pedido de aquisição da Groenlândia.
Um adicional de 10% será aplicado ao Reino Unido, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia a partir de 1º de fevereiro. Essa tarifa aumentará para 25% a partir de 1º de junho, segundo Trump.
Líderes políticos europeus classificaram essas tarifas como "inaceitáveis" e prometeram apoiar a Dinamarca, responsável pelas políticas de estrangeiras, defesa e segurança da ilha.
A UE também estaria considerando medidas retaliatórias contra as novas tarifas de importação implantadas pela administração Trump, que incluem uma chamada "bazuca" comercial e outras contramedidas econômicas mais amplas.
Exercício "Arctic Endurance"
A Dinamarca tem procurado aumentar sua presença militar na Groenlândia, conforme relatórios da mídia local. Uma "contribuição substancial" de tropas de combate dinamarquesas deveria chegar à Kangerlussuaq, na Groenlândia, na noite de segunda-feira, de acordo com a emissora dinamarquesa TV2. Kangerlussuaq, localizada na parte ocidental da Groenlândia, abriga o principal hub de transporte internacional da ilha.
O comandante militar da Dinamarca no Ártico, o Major General Søren Andersen, afirmou que 100 soldados dinamarqueses já haviam chegado a Nuuk e um número semelhante em Kangerlussuaq. Os militares devem participar de um exercício militar denominado "Arctic Endurance".
A operação, que se centra em contrabalançar a potencial atividade russa, segundo informações da Reuters na semana anterior, não é uma resposta à administração Trump, uma vez que ocorre menos de uma semana após vários aliados da OTAN terem enviado pequenas quantidades de tropas para a Groenlândia para um exercício militar conjunto distinto.
Representantes do governo dinamarquês não devem participar do Fórum Econômico Mundial nesta semana, confirmou um porta-voz do evento, à medida que a disputa sobre a Groenlândia se intensifica.
Pesquisas de opinião têm mostrado que a população da Groenlândia se opõe de forma predominante ao controle dos EUA, enquanto uma forte maioria apoia a independência em relação à Dinamarca.
Fonte: www.cnbc.com