Trump não consome álcool, mas apresenta características de um alcoólatra, afirma chefe de gabinete da Casa Branca.

Tensões Internas no Governo Trump

A chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, revelou informações sobre conflitos internos dentro do governo Trump. Em comentários publicados pela Vanity Fair no dia 16, Wiles abordou diferentes questões, que vão desde a aplicação da lei de imigração até a diminuição da burocracia estatal, oferecendo uma visão pouco lisonjeira sobre a atuação de alguns assessores próximos ao ex-presidente Donald Trump.

As declarações foram resultado de uma série de 11 entrevistas conduzidas pelo autor Chris Whipple ao longo do primeiro ano da gestão Trump. Wiles, que se tornou a primeira mulher a assumir a função de chefe de gabinete, descreveu Trump como alguém com uma “personalidade de alcoólatra” e com um olhar de vingança voltado para os inimigos percebidos.

“Ele tem a personalidade de um alcoólatra”, afirmou Wiles, explicando que sua vivência com um pai que teve problemas relacionados ao álcool a preparou para lidar com “grandes personalidades”. Embora Trump não consuma álcool, ela observou que ele opera com uma mentalidade que o faz acreditar que não há nada que não possa realizar. “Nada, zero, nada”, ressaltou.

Wiles também expressou críticas ao vice-presidente JD Vance e ao bilionário Elon Musk, mencionando que Vance é um “teórico da conspiração há uma década” e desaprovando as ações de Musk ao desmantelar a Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID). Além disso, comentou a resposta inicial da procuradora-geral Pam Bondi em relação à divulgação planejada dos arquivos de Jeffrey Epstein.

Reação às Declarações

A matéria da Vanity Fair gerou uma rápida resposta de Wiles, de Trump e de outros membros seniores do governo, que se pronunciaram elogiando a lealdade e liderança de Wiles. Em uma postagem nas redes sociais, Wiles qualificou a reportagem como um “artigo de ataque com estrutura falsa”, afirmando que o conteúdo omitiu contextos importantes e a citou de forma seletiva para criar uma narrativa negativa.

Por sua vez, Trump, que frequentemente se refere a Wiles como a “mulher mais poderosa do mundo”, declarou ao New York Post que confia plenamente nela, reconhecendo que a descrição de Wiles sobre sua “personalidade de alcoólatra” estava correta, uma vez que ele tem uma personalidade “possessiva e viciante”.

Vance também demonstrou apoio a Wiles, mencionando em declarações a repórteres na Pensilvânia que admira sua consistência e autenticidade, independentemente da presença do presidente. Ele disse que nunca a viu agir de forma desleal em relação ao presidente e enfatizou que isso a faz ser a melhor chefe de gabinete que Trump poderia ter.

“Às vezes sou um teórico da conspiração, mas acredito apenas nas teorias da conspiração que são verdadeiras”, completou Vance.

Decisões Controversas

No decorrer das entrevistas, Wiles indicou que alertou Trump contra conceder perdões aos indivíduos mais violentos envolvidos nos acontecimentos de 6 de janeiro de 2021 no Capitólio dos EUA. Além disso, pressionou o presidente a adiar decisões relacionadas a tarifas comerciais abrangentes, sem, no entanto, conseguir convencê-lo a mudar de ideia em nenhum dos casos.

Ela comentou que o anúncio de Trump sobre tarifas direcionadas a parceiros comerciais dos Estados Unidos, feito recentemente, revelou divisões profundas dentro de sua equipe. Wiles acrescentou que a decisão sobre as tarifas foi “mais dolorosa do que eu esperava”.

Gerenciando a campanha de retorno de Trump em 2024, Wiles tem sido vista como a responsável por uma Casa Branca mais disciplinada em relação ao primeiro mandato. No entanto, ela deixou claro que não considera seu papel como limitador das decisões do presidente, mas sim como um facilitador. Nunca se queixou de ser preterida, reconhecendo que, em última análise, apoia os resultados finais de suas decisões.

“Houve algumas vezes em que meu voto foi vencido”, afirmou. “E, se houver um empate, ele vence.”

A respeito da procuradora-geral Bondi, Wiles indicou que ela “errou completamente” na gestão dos arquivos relacionados a Epstein, um caso que tem gerado considerável frustração política para Trump. O escândalo em torno de Epstein tem potencializado teorias da conspiração entre seus apoiadores. Inicialmente, Bondi havia sugerido a divulgação de informações de incriminação sobre a suposta rede de conhecidos de Epstein, mas depois recuou, o que causou desconforto na base de apoio de Trump.

Bondi comentou nas redes sociais que Wiles trabalha arduamente para promover a agenda de Trump, salientando que tentativas de criar divisões na administração não prosperariam e que a equipe se mantém unida.

Relacionamentos Tensos e Críticas a Musk

Wiles, nas entrevistas, revelou que se sentiu chocada com as ações de Musk ao desmantelar a USAID, incluindo seus programas de ajuda global. A forma como Musk conduziu o processo não condiz com a maneira que Wiles considera mais adequada. Ela destacou ter confrontado Musk por manter funcionários fora de seus escritórios, observando que ninguém sensato poderia considerar eficaz a sua forma de atuação na agência de ajuda.

Musk liderou o Departamento de Eficiência Governamental de Trump, que tinha como objetivo reduzir orçamentos e o efetivo do governo federal no início do segundo mandato de Trump. Até o momento, Musk não forneceu comentários sobre as declarações de Wiles.

A chefe de gabinete também abordou preocupações em relação às deportações de imigrantes, mencionando que o processo requer uma análise mais minuciosa e uma “dupla verificação” em situações de incerteza. Embora não tenha se oposto às ações de Trump em relação à Venezuela, inclusive os esforços contra barcos suspeitos de transportar drogas, ela sugeriu que o verdadeiro objetivo poderia ser a mudança de regime do presidente Nicolás Maduro. E sua observação sobre qualquer ataque terrestre na Venezuela ou região foi que este exigiria a aprovação do Congresso.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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