Negociações de Paz na Ucrânia
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy se reuniu com o presidente dos EUA, Donald Trump, e líderes europeus em uma tentativa de negociar o fim da guerra da Rússia na Ucrânia, em evento realizado na Casa Branca, em Washington, D.C., no dia 18 de agosto de 2025.
A Ucrânia supostamente aceitou o quadro de um acordo de paz mediado pelos EUA, o que pode representar um passo significativo rumo ao encerramento do conflito que dura quase quatro anos.
Acordo Durante Reuniões em Abu Dhabi
O entendimento sobre um acordo de paz foi alcançado em conversações que oficiais dos EUA mantiveram com uma delegação ucraniana em Abu Dhabi, na última terça-feira. Uma delegação russa também estava presente na capital dos Emirados Árabes Unidos, embora não esteja claro se as negociações ocorreram em conjunto.
Contatos sobre um possível acordo surgiram quando um oficial anônimo dos EUA declarou à ABC News que “detalhes menores” ainda precisam ser resolvidos, mas que “os ucranianos concordaram com o acordo de paz”.
A mesma fonte afirmou: “Existem alguns detalhes pequenos a serem ajustados, mas eles concordaram com um acordo de paz.”
Comentário de Funcionário Ucraniano
Um funcionário ucraniano, que não foi identificado, afirmou à Reuters que a Ucrânia apoia a “essência” do quadro do acordo de paz após conversas realizadas em Genebra no final de semana anterior. Essa fonte acrescentou que as “questões mais sensíveis” do acordo serão discutidas entre o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy e o presidente dos EUA, Donald Trump.
No entanto, Rússia e Ucrânia não comentaram publicamente sobre o acordo, e a CNBC não conseguiu confirmar os relatos da ABC News e da Reuters.
É incerto se Moscou aceitará qualquer versão emendada do acordo.
Reação do Kremlin
O Kremlin manteve um silêncio cauteloso sobre as discussões ocorridas em Abu Dhabi. O porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitry Peskov, informou aos repórteres que “ainda não temos nada a declarar” e que o Kremlin está “monitorando os relatos na mídia”.
Peskov afirmou: “Entendemos que as negociações entre os americanos e os ucranianos estão em andamento. Compreendemos que algumas alterações estão sendo feitas no texto que foi publicado; sabemos que o texto que recebemos, de forma não oficial, já passou por modificações, mas em algum momento provavelmente chegará a hora em que também estabeleceremos contatos com os americanos e receberemos informações oficialmente. Por enquanto, não temos novas atualizações.”
Pressão por um Novo Acordo
A Ucrânia enfrentou pressão intensa nos últimos dias para concordar com um plano de paz com a Rússia, após revelar-se que os EUA e Moscou haviam mantido conversas secretas e elaborado um plano de paz de 28 pontos que majoritariamente favorecia as demandas russas.
O plano, do qual a Ucrânia não participou, continha termos polêmicos, incluindo a exigência de que a Ucrânia fizesse concessões territoriais ao entregar a região do Donbas, que está parcialmente ocupada por forças russas. O acordo inicial também demandava que a Ucrânia reduzisse seu exército pela metade, além de outras propostas que desrespeitavam as “linhas vermelhas” da Ucrânia.
Embora os relatos sobre o “plano de paz” tenham sido recebidos inicialmente com um silêncio sombrio por parte do presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, e seus aliados europeus, alguns analistas afirmaram que se tratava, essencialmente, de uma capitulação às demandas territoriais extremas da Rússia.
Ultimato de Trump e Resposta de Zelenskyy
Enquanto isso, Trump emitiu um ultimato a Kyiv para que respondesse ao plano até quinta-feira, enquanto o presidente russo Vladimir Putin sinalizou sua aprovação à proposta, afirmando que ela constituía a “base para um acordo final de paz”.
Em resposta a essas propostas, Zelenskyy quebrou o silêncio na última sexta-feira, configurando a situação como um dos momentos mais difíceis da história ucraniana, reforçando que o país se via frente a uma escolha entre “perder sua dignidade ou perder um parceiro essencial”, referindo-se aos Estados Unidos.
Fonte: www.cnbc.com