A Comissão Europeia e a Nova Estratégia de Segurança Econômica
A Comissão Europeia apresentou, nesta quarta-feira (3), um conjunto de diretrizes visando a maior resiliência da União Europeia frente a ameaças, como a crise de fornecimento de terras raras. As propostas incluem melhorias nas medidas comerciais já existentes e a implementação de novas defesas para fortalecer a segurança econômica do bloco.
Doutrina de Segurança Econômica
O Executivo da União Europeia definiu um novo conceito denominado como “doutrina de segurança econômica” para suas 27 nações. Esse movimento é uma resposta às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e às restrições da China, que têm afetado gravemente a disponibilização de terras raras e de chips essenciais para diversas indústrias.
Objetivos do Bloco Europeu
A União Europeia busca manter sua posição como um líder global em manufatura, mas enfrenta o risco de ser superada por nações como China e Estados Unidos em áreas de desenvolvimento tecnológico, incluindo baterias e inteligência artificial.
Colaboração com os Estados-membros
A Comissão manifestou o desejo de intensificar a colaboração com os países membros da UE e com o setor empresarial para realizar uma análise detalhada das cadeias de suprimentos, regulamentações sobre investimentos externos e a força dos setores de defesa e tecnologia, bem como a infraestrutura crítica.
Mudança de Postura da Comissão
“Queremos passar da reação à reformulação de nossas políticas,” declarou Maros Sefcovic, comissário de Comércio. Ele ressaltou a necessidade de iniciarem um processo proativo, dado que a União Europeia já foi suficientemente desafiada ao longo do ano, afirmando que as dificuldades provavelmente não cessarão com a chegada de um novo ano.
Análise das Medidas Comerciais
De acordo com Sefcovic, a Comissão irá analisar até o terceiro trimestre de 2026 a possibilidade de acelerar a implementação de medidas comerciais já existentes, como direitos antidumping e antissubsídios. Atualmente, essas medidas podem ser acionadas apenas após investigações que consomem cerca de um ano.
Propostas de Novas Medidas
Novas iniciativas poderão ser desenvolvidas para combater práticas comerciais desleais e distorções no mercado, abordando situações de excesso de capacidade. Os objetivos incluem incentivar empresas em setores de alto risco a manter múltiplos fornecedores e estabelecer uma preferência em licitações públicas para empresas localizadas na UE que operem em áreas estratégicas.
Suporte aos Setores Críticos
A União Europeia irá priorizar o auxílio a empresas que buscam reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros em setores ou tecnologias essenciais. Além disso, serão implementadas restrições para que “entidades de alto risco” não tenham acesso a fundos da União Europeia, além de uma triagem mais rigorosa para investimentos que ingressem no mercado europeu.
A Experiência do Japão como Referência
O comissário Sefcovic observou que a União Europeia pode tirar valiosas lições da experiência do Japão, que após a suspensão das exportações de terras raras pela China em 2010, tomou medidas como diversificação de fornecedores, incremento da reciclagem, formação de estoques e estabelecimento de parcerias estratégicas.
Possibilidade de Medidas Obrigatórias
O vice-presidente da Comissão, Stephane Sejourne, indicou que a UE poderá impor algumas medidas de diversificação como obrigatórias.
Necessidade de Mudança no Fornecimento
Por questões de segurança econômica, Sejourne enfatizou que as empresas europeias — assim como as empresas japonesas, americanas e até mesmo indianas — devem considerar a redução da compra de produtos que sejam 100% provenientes da China.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br