Desempenho das Ações da Usiminas
Na sexta-feira, 24, as ações da Usiminas (USIM5) apresentaram uma das maiores quedas do Ibovespa (IBOV), em resposta ao relatório financeiro do terceiro trimestre. Por volta das 11h44, horário de Brasília, os papéis caíram 6,24%, encontrando-se cotados a R$ 4,66. Durante o dia, a mínima alcançou uma queda de 8,25%.
Resultados Financeiros do Terceiro Trimestre
No terceiro trimestre de 2025 (3T25), a mineradora reportou um prejuízo líquido de R$ 3,5 bilhões. Este resultado marca uma inversão significativa em relação ao lucro obtido de R$ 185 milhões no mesmo período do ano anterior. As expectativas do mercado, segundo projeções realizadas pela Bloomberg, previam um lucro líquido de apenas R$ 33 milhões para o mesmo intervalo.
No relatório, a Usiminas informa que a administração conduziu uma análise detalhada da recuperabilidade de seus ativos, levando em conta fatores do ambiente macroeconômico e as condições de mercado. Como resultado dessa análise, a empresa anotou uma perda por impairment (desvalorização) no valor de R$ 2,2 bilhões, além de R$ 1,4 bilhão referente à avaliação de recuperabilidade de impostos diferidos.
De acordo com a empresa, essas baixas contábeis não impactam diretamente o fluxo de caixa.
Perspectiva dos Analistas
Analistas interpretaram o balanço da Usiminas como “neutro” e em conformidade com as expectativas, mantendo o foco nos resultados esperados do quarto trimestre (4T25). O BTG Pactual destacou que a baixa contábil de R$ 2,2 bilhões na unidade de aço e o adicional de R$ 1,4 bilhão relativo à “recuperabilidade” de impostos diferidos foram considerados “inesperados” e “significativos”. Segundo a análise, mesmo não impactando o caixa, essas baixas fazem ressaltar os desafios estruturais que a Usiminas enfrenta, evidenciando a presença de ativos que não geram lucro e anos de investimentos insuficientes.
O Safra, por sua vez, mencionou que a Usiminas projeta um Ebitda estável no segmento de siderurgia para o 4T25, destacando que vendas em volume reduzido devem ser compensadas por um custo de produtos vendidos por tonelada (CPV/t) mais baixo, enquanto os preços devem se manter estáveis.
Os analistas do Safra também preveem que o fluxo de caixa livre (FCL) não se manterá nos níveis do terceiro trimestre, devido ao aumento do investimento em capital e à diminuição da liberação de capital de giro. Entre julho e setembro, a Usiminas registrou um FCL de R$ 613 milhões, superando as expectativas do Safra, que eram de R$ 289 milhões. Essa superação deve-se a uma necessidade reduzida de capital de giro e a menores desembolsos relacionados a investimentos.
Na mesma linha de análise, o Itaú BBA considera que a estabilidade esperada para o Ebitda no último trimestre do ano é um sinal positivo para a companhia, especialmente levando em conta a sazonalidade tipicamente fraca desse período.
Recomendações dos Analistas
Após a divulgação dos resultados, analistas mantiveram suas recomendações relacionadas à Usiminas. O BTG Pactual avaliou que as ações da companhia ainda representam uma aposta voltada a eventos de curto prazo, especialmente em razão de discussões correntes sobre uma possível agenda antidumping.
Os analistas reconheceram que a projeção da empresa continua a ser influenciada por pressões no setor siderúrgico brasileiro. O BTG Pactual mantém uma recomendação neutra com um preço-alvo de R$ 5, indicando um potencial de valorização de 0,6% em relação ao último fechamento registrado de R$ 4,97.
Além disso, o Safra e o Itaú BBA também têm uma perspectiva neutra, com preços-alvo de R$ 4,70 e R$ 7,00, respectivamente.
Fonte: www.moneytimes.com.br