Contexto do Mercado Imobiliário
No outono tardio, observa-se uma tendência de que muitos imóveis saem do mercado, uma vez que vendedores que não tiveram sucesso em suas vendas preferem evitar a estagnação durante os meses mais lentos do inverno. Entretanto, em outubro, os deslistamentos — um dado que é reportado com um mês de atraso — aumentaram 45,5% no acumulado do ano e quase 38% em comparação com outubro de 2024, de acordo com um novo relatório da Realtor.com.
Aumento dos Deslistamentos
O relatório caracteriza esse aumento como uma “taxa incomum”, considerando que 2022 foi a base de comparação para os dados. Este é o ano com o maior número de deslistamentos desde que começaram a ser monitorados. Os deslistamentos começaram a aumentar em junho e permanecem elevados há cinco meses consecutivos. Em média, cerca de 6% das listagens ativas estão saindo do mercado a cada mês, uma realidade que geralmente é observada apenas no pico do inverno.
Movimento em Mercados Refúgio
Além disso, cada vez mais potenciais compradores estão se dirigindo aos que a Realtor.com denomina de “mercados refúgio”. Esses são locais onde os preços dos imóveis são significativamente mais acessíveis e que não apresentaram um aumento acentuado de preços nos primeiros anos da pandemia.
“O aumento dos deslistamentos e o crescimento dos mercados refúgio capturam a dinâmica de pressão e atratividade que definem o mercado imobiliário atual”, afirmou Danielle Hale, economista-chefe da Realtor.com, em um comunicado. “Essas dinâmicas refletem como as taxas de juros mais altas e anos de crescimento acelerado dos preços reescreveram as regras de engajamento tanto para compradores quanto para vendedores.”
Previsões para o Mercado em 2026
Hale antecipa uma melhora gradual no próximo ano, com taxas de juros hipotecárias possivelmente mais baixas e um fornecimento mais consistente de imóveis, o que poderá criar um mercado mais equilibrado entre compradores e vendedores.
Cidades com Crescimento de Preços
Algumas cidades que experimentaram um crescimento significativo nos preços ao longo dos últimos cinco anos agora estão vendo uma parcela considerável de vendedores frustrados. Miami, na Flórida, Denver, no Colorado, e Houston, no Texas, apresentaram a maior proporção de imóveis deslistados em relação aos novos listados.
No que diz respeito ao preço médio de listagem, em novembro, este foi 0,4% menor em comparação com novembro de 2024, segundo a Realtor.com. Apesar disso, ainda era 36% maior do que em novembro de 2019, antes da pandemia. Os novos anúncios mostraram um aumento de apenas 1,7% em relação ao ano anterior.
Desempenho em Mercados Refúgio
Os ganhos de preços são muito mais expressivos nos mercados refúgio, como Grand Rapids, em Michigan, que viu um aumento de 5,5% ano a ano, e St. Louis, no Missouri, onde os preços subiram 5%. As cidades de Cleveland, em Ohio, Milwaukee, em Wisconsin, e Pittsburgh, na Pensilvânia, completam a lista dos mercados refúgio que se destacam, segundo o relatório. Os preços nesses mercados ainda permanecem 20% a 30% abaixo da mediana nacional.
Tendência Preocupante: Contratos Cancelados
Outra tendência preocupante observada nesse outono é o aumento no número de contratos cancelados. Aproximadamente 15% dos acordos de compra de imóveis foram cancelados em outubro, representando uma alta em relação aos 14% do ano anterior, de acordo com dados da Redfin. As anulações estão agora bem acima dos níveis pré-pandemia.
Regiões com Maiores Índices de Cancelamento
Regionalmente, San Antonio, no Texas, registrou o maior número de negócios cancelados, com mais de um em cinco (21%) vendas de imóveis pendentes sendo abortadas em outubro. Em seguida, estão Fort Lauderdale, na Flórida (20%), Fort Worth, no Texas (19,7%), Las Vegas, em Nevada (19,2%) e Jacksonville, na Flórida (19,2%).
O relatório apontou como causas para esses cancelamentos tanto o alto custo da habitação quanto a incerteza econômica.
Fonte: www.cnbc.com