Verde, Truxt, Adam: quanto as grandes gestoras perderam ao longo de cinco anos.

Verde, Truxt, Adam: quanto as grandes gestoras perderam ao longo de cinco anos.

by Editoria Bolsa e Mercado
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Queda no Patrimônio das Gestoras de Fundos

Quando analisamos as gestoras que sofreram uma redução de 50% ou mais em seu patrimônio nos últimos cinco anos, verificamos que esse grupo representa apenas 8,37% do total de 1.075 gestoras (o que equivale a 90 casas). No entanto, entre essas gestoras, algumas como a Verde, a Truxt e a Adam Capital estavam posicionadas entre as 50 maiores do Brasil em 2021, o que torna suas quedas ainda mais impactantes quando consideramos o volume de recursos envolvidos. No cálculo referente apenas às 25 maiores gestoras, o patrimônio total recuou em mais de R$ 200 bilhões.

Detalhes das Reduções Significativas

Na Verde Asset, administrada por Luís Stuhlberger, o patrimônio caiu de R$ 59,3 bilhões em julho de 2021 para R$ 12,7 bilhões em julho de 2026, resultando em uma diminuição de R$ 47 bilhões. Essa queda fez com que a gestora deixasse a 13ª posição e ocupasse a 84ª.

A Truxt, por sua vez, viu seu patrimônio reduzir de R$ 21,2 bilhões para R$ 2,6 bilhões, um recuo de 87,9%, ou seja, uma perda de R$ 19 bilhões, o que resultou na queda da 38ª para a 245ª posição no ranking.

Quanto à Adam Capital, sob a gestão de Márcio Appel, o patrimônio passou de R$ 17,4 bilhões para R$ 2,9 bilhões, uma redução de 83,5%, ou R$ 14,8 bilhões, que fez a gestora descer da 42ª para a 224ª posição.

Outras gestoras, também reconhecidas por suas estratégias em multimercados e que anteriormente estavam entre as 50 maiores, enfrentaram quedas similares. A Bahia Asset teve uma diminuição em seu patrimônio de R$ 15,8 bilhões para R$ 5,1 bilhões, correspondendo a uma redução de 67,8%, equivalente a R$ 11,5 bilhões, fazendo a gestora cair da 47ª para a 160ª posição.

A Gávea, empresa liderada pelo ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, também registrou uma forte queda: de R$ 14,7 bilhões para R$ 4,9 bilhões, uma redução de 67%, equivalente a R$ 10,9 bilhões, provocando uma descida da 49ª posição para a 166ª. Recentemente, a gestora anunciou a venda de sua gestão de fundos para a Bradesco Asset.

Por último, a Absoluto enfrentou uma queda de R$ 9,6 bilhões, com seu patrimônio passando de R$ 14,4 bilhões para R$ 3,8 bilhões, o que a fez cair da 50ª posição no ranking para a 184ª.

A maioria das gestoras possui estratégias concentradas em fundos multimercados e de ações, que nos últimos anos enfrentaram uma combinação de condições desfavoráveis.

O Patrimônio Caiu, Mas Nem Sempre o Negócio Acabou

A diminuição no patrimônio de fundos não indica necessariamente que uma gestora esteja em crise ou que tenha perdido clientes na mesma magnitude. O ranking da Anbima não inclui algumas atividades que podem ter se expandido durante esse período, como carteiras administradas, administração fiduciária e fundos no exterior. Por isso, a visão atual dos fundos brasileiros pode não refletir o tamanho total de uma gestora.

Um exemplo é a Truxt, que afirma ter ampliado sua operação offshore desde 2021, embora não revele o tamanho desse patrimônio por motivos de confidencialidade. A gestora informou que recebeu R$ 600 milhões em seus dois fundos de ações mais protegidos nos meses de julho e agosto (o mês de agosto não está incluído no período analisado pelo ranking). Os dois produtos que a Truxt oferece acumulavam uma alta de 17% a 20% no ano.

A Planner explicou a sua diminuição no patrimônio devido a uma mudança de foco para a administração fiduciária de fundos, na qual registrou “crescimento relevante”, conforme informaram em nota oficial.

A Mudança do Cenário de Juros

A diminuição do patrimônio dessas gestoras ocorreu em decorrência de uma alteração drástica no ambiente de investimentos brasileiro. Durante o período da pandemia, a taxa Selic caiu para 2% ao ano, impulsionando os investidores a buscar alternativas à renda fixa tradicional. Esta mudança favoreceu o crescimento de diversas gestoras especializadas em ações e estratégias que envolvem um maior risco.

No entanto, quando as taxas de juros foram elevadas, a situação se inverteu. A renda fixa passou a oferecer retornos significativos, com menor volatilidade e, em muitos casos, com vantagens tributárias para os investidores.

Os investidores também passaram a ter acesso a mais alternativas. Debêntures incentivadas, LCI, LCA, CRI e CRA, que oferecem isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas sob certas condições, começaram a competir por recursos com os fundos. Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) e Fiagros igualmente podem proporcionar rendimentos isentos para pessoas físicas, desde que sujeitas a conformidade com os requisitos estabelecidos.

Simultaneamente, os ETFs e os investimentos no exterior ganharam destaque, reduzindo a dependência dos fundos brasileiros para aqueles que buscavam exposição ao mercado de ações e diversificação internacional.

Gestoras Médias Ficaram Espremidas

A crise expôs um desafio maior para as gestoras de tamanho médio. Com o crescimento das plataformas do BTG Pactual, XP e Itaú, a oferta de produtos disponíveis para os investidores aumentou consideravelmente.

Segundo William Eid, professor de finanças da FGV e colunista do E-Investidor, as casas de gestão de médio porte estão sendo empurradas para uma posição intermediária entre dois grupos: de um lado, os grandes bancos e as plataformas, que estão ampliando suas ofertas; e, do outro, pequenas gestoras que conseguem sobreviver com estruturas mais enxutas e propostas altamente especializadas.

O problema se agravou quando alguns fundos apresentaram retornos apenas ligeiramente superiores ao CDI, o que tornou mais desafiador justificar a permanência dos investidores, especialmente diante da volatilidade e das taxas cobradas. Ao mesmo tempo, investidores mais experientes começaram a diversificar diretamente em crédito privado, ETFs e fundos internacionais.

A própria indústria de gestão de recursos também se tornou mais complexa com a criação da Resolução 175, que permitiu novas estruturas de fundos e ampliou o acesso do varejo a produtos, como Fundos de Direitos Creditórios (FIDCs). Contudo, na avaliação de Eid, essa mudança também elevou os custos operacionais e regulatórios, o que tem pressionado especialmente as gestoras médias.

Para o professor, a tendência é que haja uma maior concentração na indústria. Gestoras médias que adotam uma abordagem generalista devem continuar a desaparecer, enquanto grandes instituições e boutiques altamente especializadas, que apresentem bons resultados, tendem a concentrar uma parte maior dos recursos disponíveis.

Fonte: www.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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