Vorcaro informa à PF que o Banco Central sugeriu a venda para o BRB

Depoimento de Daniel Vorcaro à Polícia Federal

O proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou à Polícia Federal que a Diretoria de Fiscalização do Banco Central sugeriu a venda de sua instituição ao Banco de Brasília (BRB). Durante seu depoimento, que foi analisado pela Reuters, Vorcaro negou qualquer alegação de “facilitação política” ou fraude.

Questionamentos da Delegada

A delegada da Polícia Federal, Janaína Palazzo, questionou Vorcaro sobre a possibilidade de, se fosse presidente do BRB, ele tentaria adquirir um banco que anteriormente havia vendido carteiras de crédito fraudulentas. Em sua resposta, Vorcaro refutou a ideia de que o Banco Master tivesse comercializado carteiras de crédito falsas ao BRB, enfatizando que, se estivesse no comando do BRB, seguiria em frente com a transação. Ele justificou essa decisão afirmando que tal movimento permitiria ao banco regional crescer, alcançar uma abrangência nacional e competir com instituições financeiras maiores no Brasil.

Recomendação de Auditorias

Adicionalmente, Vorcaro destacou que a operação havia sido recomendada por auditorias e pela área técnica do Banco Central. “Eu faria, sim, esse negócio. Aliás, esse negócio foi recomendado por diversas auditorias, pela própria fiscalização do Banco Central, que naquele momento, antes de apresentarmos o pedido, indicava como sendo um bom negócio para o sistema financeiro”, declarou.

Resposta do Banco Central

O Banco Central não se manifestou imediatamente sobre as declarações feitas por Vorcaro em seu depoimento. O banqueiro fez essas alegações no dia 30 de dezembro de 2025, durante uma sessão no Supremo Tribunal Federal (STF).

Liquidação Extrajudicial do Banco Master

O Banco Master foi alvo de liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em 18 de novembro, e, no mesmo dia, Vorcaro foi preso durante uma operação da Polícia Federal que investigava suspeitas de fraudes bilionárias. Após sua prisão, ele foi solto, mas atualmente está sob medidas cautelares.

Rejeição da Compra pelo BRB

Em setembro, o Banco Central havia negado a proposta de compra do Banco Master pelo BRB, a qual tinha sido anunciada em março, após avaliação da capacidade financeira da instituição para concluir a aquisição.

Crise de Liquidez

A delegada também indagou Vorcaro sobre a existência de uma crise de liquidez no Banco Master. Ele reconheceu a situação de crise, que já perdurava há algum tempo, mas argumentou que sua instituição sempre foi solvente, apresentando um ativo substancial superior ao passivo, e cumprindo todos os compromissos financeiros até a data de 17 de novembro.

Vorcaro acrescentou que essa crise de liquidez foi, segundo ele, provocada por dois fatores: mudanças na regulação e a pressão dos grandes bancos, que alteraram as regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) duas vezes. Esta alteração prejudicou a captação do banco, pois o plano de negócios apresentado ao Banco Central desde 2018 era baseado nas regras vigentes do FGC.

Declarações sobre Fraude

Durante diversos momentos de seu depoimento, Vorcaro negou a existência de uma fraude bancária de R$ 12 bilhões relacionada a operações de venda de créditos do Banco Master ao BRB, que está sendo investigada pela Polícia Federal.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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