A EFB Regimes Especiais, encarregada da liquidação do Banco Master, solicitou à Justiça dos Estados Unidos o bloqueio de um valor de US$ 42 milhões, o que corresponde a aproximadamente R$ 219 milhões. Esse montante está relacionado à transação de um jato Gulfstream G700, que possui ligação com Daniel Vorcaro.
O jato foi adquirido originalmente por US$ 79,5 milhões, aproximadamente R$ 414 milhões, e passou por diversas revendas após a prisão do banqueiro. Uma parte do valor gerado com essa transação permanece guardada em uma conta de custódia localizada nos Estados Unidos.
Essas informações foram extraídas de uma petição protocolada na última sexta-feira (2) e foram inicialmente divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo. Consoante ao liquidante, o dinheiro empregado na compra da aeronave teria sido retirado inteiramente da tesouraria do Banco Master.
Os valores foram convertidos para dólares através de uma conta do próprio banco, mantida no JPMorgan Chase, em Nova York, antes de serem transferidos para a Gulfstream.
A EFB argumenta que o capital passou por diversos fundos de investimento e por empresas que, segundo a acusação, teriam formado uma rede de ocultação do beneficiário final dos recursos. Entre as instituições citadas estão o Fundo Astralo, o Fundo Máxima, o FIP Lunar, a Entre Investimentos e a Super Empreendimentos.
A investigação conduzida pelo liquidante indica que Vorcaro seria o verdadeiro beneficiário e controlador da estrutura empresarial encarregada da compra e operação do jato.
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Aquisição e Registro do Gulfstream G700
O Gulfstream G700 foi adquirido em dezembro de 2023 pela empresa Domus, anteriormente conhecida como Prime Aviation 2, ao custo de US$ 79,44 milhões.
De maneira formal, a Domus era de propriedade da Entre Investimentos e Participações, uma companhia que é controlada por Antônio Carlos Freixo Júnior, também chamado de Mineiro, que já assinou um acordo de colaboração premiada no contexto das investigações atinentes ao Master.
Conforme declarado pelo liquidante, a Domus foi utilizada como um veículo para a compra do jato, utilizando recursos que teriam se originado do Banco Master.
A aeronave foi entregue em junho de 2025 e registrada no Brasil no nome da empresa PS-MGG Administração de Bem Próprio S.A. A EFB afirma que essa companhia integrava a estrutura patrimonial relacionada a Vorcaro.
Adicionalmente, segundo a petição, o banqueiro utilizava o jato em viagens pessoais para locais como Miami, nos Estados Unidos, e Sardenha, na Itália.
Em 6 de novembro de 2025, apenas 11 dias antes da prisão de Vorcaro e 12 dias antes da liquidação do Banco Master pelo Banco Central, o transponder responsável pelo rastreamento do jato foi desativado.
O liquidante afirma que posteriormente a aeronave foi localizada em um hangar privado situado no Aeroporto de Basileia-Mulhouse-Freiburg, que abriga a região de fronteira entre a França e a Suíça.
Revenda do Jato
No dia 31 de dezembro de 2025, a PS-MGG vendeu o Gulfstream para a Jetcraft Global (UK) Limited pelo valor de US$ 86 milhões.
Em 17 de fevereiro de 2026, a Jetcraft revendeu a aeronave à Flexjet LLC, por um valor de US$ 87,5 milhões.
O pagamento foi realizado em uma conta de custódia administrada pela Insured Aircraft Title Services (IATS), com sede nos Estados Unidos. Conforme a petição, pelo menos US$ 42 milhões foram transferidos à PS-MGG, enquanto um valor aproximado de US$ 42 milhões continuou retido na conta.
Durante o processo de coleta de evidências, o liquidante afirma ter obtido e-mails trocados entre a Flexjet e a Jetcraft que mencionariam o entendimento de que Vorcaro era o beneficiário do jato, e que a negociação se realizava no intermédio da liquidação do Banco Master.
Na ação, a EFB requer que a Justiça americana estabeleça um mecanismo de proteção aos US$ 42 milhões que estão mantidos na conta da IATS, visando prevenir a dissipação desses recursos.
O liquidante também solicita a anulação de transferências que considera fraudulentas, além de pleitear a reparação por danos e enriquecimento ilícito a respeito da suposta dissipação de ativos do Banco Master. Em resposta, a defesa de Vorcaro informou que não se manifestará sobre o assunto.
Fonte: timesbrasil.com.br
