Queda nos Índices de Wall Street
Os índices de Wall Street registraram uma acentuada queda nesta quinta-feira, dia 29, um dia após o Federal Reserve decidir manter a taxa de juros inalterada. A desvalorização das ações da Microsoft, acompanhada pelo renovado receio de uma possível ‘bolha de inteligência artificial’, além do risco de um novo fechamento parcial do governo, contribuiu para aumentar a aversão ao risco entre os investidores.
No entanto, o índice Dow Jones conseguiu ganhar fôlego na reta final da sessão, tornando-se o único indicador a encerrar em território positivo.
Fechamento dos Índices
Confira a seguir o fechamento dos índices no dia:
- Dow Jones: +0,11%, fechando a 49.071,56 pontos;
- S&P 500: -0,13%, aos 6.969,01 pontos;
- Nasdaq: -0,72%, atingindo 23.685,12 pontos.
Durante a sessão, o VIX (CBOE Volatility Index), que mede a aversão ao risco em Wall Street, também conhecido como o “termômetro do medo”, chegou a apresentar um aumento superior a 17%, atingindo o nível de 19 pontos. Na reta final do pregão, o índice estava operando próximo a 17 pontos.
Fatores que Influenciaram Wall Street
Um dos principais fatores que afetaram o sentimento de risco em Wall Street foi o investimento massivo por parte das grandes empresas de tecnologia no setor de inteligência artificial (IA). As ações da Microsoft (MSFT34), por exemplo, apresentaram um recuo superior a 12% após a divisão de computação em nuvem da empresa divulgar resultados que ficaram em linha com as estimativas do mercado.
A receita do Azure cresceu 39% no período, superando uma projeção média de 38,8%, conforme dados da Visible Alpha. Apesar desse crescimento, os investidores não ficaram satisfeitos, uma vez que passaram a questionar se a atual onda de investimentos em IA está, de fato, gerando retornos financeiros mais robustos.
A Microsoft iniciou sua trajetória na corrida pela inteligência artificial ao investir na OpenAI, cuja tecnologia atualmente está integrada a produtos como o M365 Copilot. No entanto, o ambiente competitivo se tornou mais desafiador. A boa recepção do modelo Gemini do Google e os avanços de produtos autônomos como o Claude Cowork da Anthropic levantaram preocupações sobre tanto os negócios de IA quanto sobre as tradicionais ofertas de software da Microsoft.
Em contrapartida, as ações da Meta (M1TA34) experimentaram um crescimento de mais de 10%. Os investidores observaram atentamente as previsões financeiras da gigante de tecnologia. A empresa, responsável por plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp, prevê que sua receita ficará entre US$ 53,5 bilhões e US$ 56,5 bilhões, superando as estimativas dos analistas, que estavam em torno de US$ 51,41 bilhões.
Possível “Shutdown” do Governo
O mercado também expressa preocupações em relação a uma possível nova paralisação da máquina pública nos Estados Unidos. No dia 29, os democratas no Senado rejeitaram uma proposta que permitiria financiar amplas áreas do governo além do prazo final previsto para sexta-feira, dia 30. As negociações com o presidente Donald Trump visavam conter suas táticas agressivas de fiscalização da imigração.
Caso um acordo não seja alcançado, o governo pode ser forçado a uma paralisação parcial a partir de sábado, dia 31. O líder dos republicanos no Senado, John Thune, afirmou a jornalistas que houve discussões muito construtivas e expressou otimismo em relação a um possível entendimento.
O presidente Donald Trump, por sua vez, declarou que o governo está trabalhando de maneira bipartidária para evitar um novo shutdown. No ano anterior, os Estados Unidos enfrentaram a maior paralisação da história, que durou 43 dias e resultou em atrasos na divulgação de dados econômicos, entre outros impactos.
Pressão Sobre o Federal Reserve
Trump também intensificou a pressão sobre o Federal Reserve (Fed) para a redução da taxa de juros. Em uma postagem em sua rede social Truth, ele afirmou que Jerome Powell, o presidente do Banco Central, “recusou-se novamente a diminuir as taxas, mesmo sem terem absolutamente nenhuma razão para mantê-las tão elevadas.” O presidente afirmou que, devido às vastas quantidades de dinheiro que ingressam no país, em decorrência das tarifas alfandegárias, “deveríamos estar pagando a menor taxa de juros do mundo.”
Além disso, Trump anunciou que revelará o próximo presidente do Banco Central, que sucederá Powell na próxima semana. Conforme a plataforma Polymarket, as apostas indicam Ricky Rieder, chefe de investimentos da BlackRock, como o mais cotado para o posto, com 38% de chance.
No dia anterior, 28 de setembro, o Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) do Fed decidiu manter a taxa de juros inalterada, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, conforme esperado, interrompendo o ciclo de cortes iniciado em setembro do ano passado.
Mais uma vez, a decisão não foi unânime: os diretores Stephen Miran, indicado por Trump, e Christopher Waller, um dos cotados para substituir Powell, votaram a favor da redução de 0,25 ponto percentual na taxa referencial.
Fonte: www.moneytimes.com.br