Recomendação de Ações no Setor Elétrico
A XP Investimentos atualizou recentemente sua análise sobre as empresas de utilities brasileiras, iniciando a recomendação de compra para três companhias do setor elétrico: Neoenergia (NEOE3), CPFL Energia (CPFE3) e Light (LIGT3). Afirmaram que essas ações apresentam um potencial de valorização significativo até o ano de 2026.
Preços-Alvo para 2026
Os preços-alvo definidos pela XP para essas empresas até 2026 são os seguintes:
- Neoenergia: R$ 42,60, o que representa um potencial de valorização de 55%.
- CPFL Energia: R$ 45,40, resultando em um potencial de valorização de 19,8%.
- Light: R$ 6,20, com um potencial de valorização de 19,2%.
Análise das Empresas
Neoenergia
De acordo com a XP, a Neoenergia está atualmente em um momento estratégico crítico. A venda da participação da Previ para a Iberdrola levantou questões sobre o futuro da empresa: se ela permanecerá listada na bolsa ou se passará por um processo de deslistagem, que é uma retirada das suas ações do mercado.
No relatório, a XP sugere que a Iberdrola poderia considerar uma oferta pública de aquisição (OPA) para os acionistas minoritários. Tal decisão estaria alinhada à estratégia global da Iberdrola, que busca expandir sua exposição a redes de forma agregadora e a preços atrativos, além de permitir maior flexibilidade no uso de capital, em vez de manter a companhia como uma entidade listada.
A XP também indica que, se a Neoenergia continuar a ser uma empresa listada, ela pode apresentar um retorno interno real (IRR) considerável, beneficiada por uma longa duração das operações, alta exposição a dívidas indexadas à taxa Selic e uma alavancagem em queda. Essas características podem transformar a empresa em uma pagadora de dividendos consistente no futuro.
Caso o mercado descarte a possibilidade de uma OPA, a XP acredita que podem surgir oportunidades para compra durante períodos de fraqueza no preço das ações. Se houver a deslistagem, a XP estima um potencial de valorização entre 20% e 30%, dependendo das condições do mercado.
CPFL Energia
A CPFL Energia, por sua vez, possui vários gatilhos que podem impactar seu desempenho no curto prazo. Entre esses estão:
- O ajuste tarifário da CPFL Paulista, referente a um recebível de aproximadamente R$ 4,7 bilhões, proveniente de um contrato de autoprestação que foi vencido judicialmente.
- Uma possível decisão favorável do Supremo Tribunal Federal sobre a "tese do século" do PIS/COFINS, que poderia aportar cerca de R$ 2 bilhões adicionais aos cofres da empresa.
- Juntos, esses valores líquidos equivalem a aproximadamente 10% da capitalização de mercado da CPFL.
Light
A XP avalia que a Light permanece como um investimento de alto risco, mas com o potencial de oferecer recompensas significativas. A empresa segue dependendo da renovação da concessão da distribuidora, que possibilitará conversões de dívidas em ações e a injeção de capital, auxiliando o negócio a alcançar um equilíbrio na geração de caixa.
Três fatores podem levar a uma reavaliação da Light:
- O término de um contrato de provimento oneroso com a termelétrica Norte Fluminense, que deve reduzir o déficit de perdas de R$ 1,2 bilhão para R$ 0,9 bilhão.
- Um ajuste tarifário previsto para o próximo ano, que irá reincluir a geração distribuída e pode reduzir perdas em cerca de R$ 200 milhões.
- Uma possível alteração na metodologia da Aneel, que visa as áreas de alto risco e poderia resultar na redução de aproximadamente R$ 200 milhões em perdas recorrentes.
Com esses fatores em consideração, a Light pode gerar cerca de R$ 550 milhões em fluxo de caixa recorrente pós-impostos, o que poderá positivamente impactar o valor do patrimônio líquido da empresa.
Perspectivas do Setor de Utilities
A XP Investimentos afirma que o setor de utilities no Brasil é historicamente atrativo, devido a fatores como taxas reais elevadas, um ambiente regulatório estável, um déficit de investimentos em infraestrutura, proteção contra a inflação e baixa sensibilidade a ciclos econômicos. O setor costuma ser negociado com um prêmio sobre títulos soberanos de longo prazo, o que propicia oportunidades de investimento mesmo na ausência de catalisadores específicos.
A instituição reiterou sua cobertura no setor, mencionando suas ações preferidas: Equatorial Energia (EQTL3), Engie Brasil (ENGI3), Orizon (ORVR3), Sabesp (SBSP3), Eletrobras (ELET3) e Copasa (CSMG3).
Fonte: www.moneytimes.com.br