Ibovespa e o Cenário Econômico Atual
Na última semana, o Ibovespa (IBOV) quebrou a sequência de três semanas de alta e registrou sua primeira queda no mês de setembro, em meio a decisões de política monetária que chamaram a atenção do mercado, além de um aumento dos riscos institucionais e fiscais. O principal índice da bolsa brasileira encerrou a semana com uma queda de 1,06%, finalizando o último pregão com 185.229,17 pontos.
Na mesma linha, o dólar à vista chegou a fechar a R$ 5,1442, refletindo uma valorização de 0,37% no acumulado da semana.
O que movimentou os mercados?
Dentro do Brasil, as atenções se voltaram para as decisões de política monetária. No dia 16 de setembro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, reduzindo-a de 14% para 13,75% ao ano. Essa foi a quinta flexibilização consecutiva da taxa de juros, com a decisão sendo unânime por parte dos membros do comitê. O movimento estava em linha com as expectativas do mercado.
O comunicado emitido por parte do colegiado trouxe poucas novidades em relação ao que foi anunciado no mês de agosto. Contudo, segundo a avaliação do mercado, o comunicado pareceu deixar a porta aberta para novos cortes nas próximas reuniões.
Além disso, Brasília teve um papel ativo na movimentação dos mercados. A disputa acirrada nas eleições presidenciais trouxe à tona o reajuste do programa Bolsa Família, que pegou os investidores de surpresa. O governo brasileiro anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família, aumentando o valor mínimo do programa de R$ 600 para R$ 691 por família. Com esse ajuste, a média dos benefícios passará de R$ 691 para R$ 777.
Segundo informações fornecidas pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, estima-se que o custo dessa medida será de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22 bilhões em 2027, valores que não estavam previstos no Projeto de Lei Orçamentária (PLOA) que o governo enviou ao Congresso no mês de agosto.
Por fim, o cenário também foi afetado por ruídos no Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo a relação entre membros da corte e o banqueiro Daniel Vorcaro, associado ao Master. Além disso, houve desdobramentos acerca do envio de emendas parlamentares destinadas a financiar o filme “Dark Horse”. De acordo com Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, essas discussões no STF impactaram um pouco os preços, mesmo que tenham gerado ampla cobertura na mídia ao longo da semana.
Exterior
As políticas monetárias dos grandes bancos centrais continuam a influenciar os mercados internacionais. Nos Estados Unidos, o Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve (Fed), que é o Banco Central dos EUA, decidiu elevar a taxa de juros em 25 pontos-base, marcando essa como a primeira alta desde julho de 2023, levando a taxa para uma faixa de 3,75% a 4,00%.
Na coletiva de imprensa subsequente à decisão, o presidente do Fed, Kevin Warsh, adotou um tom “hawkish”, referindo-se à inflação como “muito alta e persistente”. Ele acrescentou que “os índices de inflação deste verão não me indicam que as tendências subjacentes tenham melhorado significativamente”.
Como resultado desse discurso mais rígido em relação à inflação, o mercado começou a precificar uma possível alta nos juros dos EUA para os meses de outubro e dezembro.
Na Europa, o Banco Central da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) decidiu manter a taxa de juros inalterada em 3,75% ao ano, em uma decisão que teve divisões entre os membros do comitê. Já no Japão, o Banco Central elevou a taxa de juros para 1,25%, o maior nível em 31 anos, mas sem oferecer sinalizações claras sobre próximos passos, o que frustrou o mercado.
Sobe e desce do Ibovespa
Dentro do Ibovespa, as ações da Yduqs (YDUQ3) lideraram os ganhos durante a semana. Na última sexta-feira (18), o Bradesco BBI revisou o preço-alvo das ações da empresa educacional, elevando-o para R$ 17 até o final de 2027 e mantendo a recomendação de compra com a YDUQ3 se destacando como a top pick do setor. Para os analistas, a avaliação da companhia continua atraente, especialmente com expectativas positivas de resultados para o segundo semestre, além do forte potencial de fusões e aquisições com a Afya.
Confira as maiores altas do Ibovespa entre 14 e 18 de setembro:
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO SEMANAL |
| YDUQ3 | Yduqs ON | 6,96% |
| VBBR3 | VIBRA energia ON | 5,57% |
| VAMO3 | Vamos ON | 5,50% |
| HYPE3 | Hypera ON | 4,57% |
| ASAI3 | Assaí ON | 4,48% |
| AURE3 | Auren ON | 4,31% |
| CXSE3 | Caixa Seguridade ON | 4,14% |
| TOTS3 | Totvs ON | 4,13% |
| BBSE3 | BB Seguridade ON | 3,44% |
| RADL3 | RD Saúde ON | 3,43% |
Por outro lado, a ponta negativa do Ibovespa foi encabeçada pela CSN Mineração (CMIN3), que enfrentou pressão devido ao aumento dos custos de frete destinados à China e à incerteza em relação à venda da divisão de cimentos da CSN.
Veja as quedas da semana:
| CÓDIGO | NOME | VARIAÇÃO SEMANAL |
| CMIN3 | CSN Mineração ON | -18,75% |
| AZZA3 | Azzas 2154 | -12,96% |
| CSNA3 | CSN ON | -12,16% |
| MRVE3 | MRV ON | -8,89% |
| CURY3 | Cury ON | -8,71% |
| HAPV3 | Hapvida ON | -7,73% |
| USIM5 | Usiminas PNA | -6,50% |
| TEND3 | Tenda ON | -6,20% |
| VALE3 | Vale ON | -6,18% |
| BRAP4 | Bradespar PN | -5,94% |
Fonte: www.moneytimes.com.br
