Pedido de Acesso ao Conteúdo da Análise do Celular de Daniel Vorcaro
O ministro Cristiano Zanin, que ocupa uma posição no Supremo Tribunal Federal (STF), formalizou um pedido nesta sexta-feira, 11 de agosto, ao presidente da Corte, Edson Fachin, para que tenha acesso à íntegra da mídia utilizada pela Polícia Federal na análise do celular de Daniel Vorcaro, que foi ex-controlador do Banco Master.
Solicitação de Mídia Específica
Em um ofício enviado a Fachin, Zanin requisita que o material seja disponibilizado em um disco rígido específico, com o objetivo de “otimizar a análise” referida na Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A) nº 3298613/2026. Este pedido inclui o conteúdo que fundamentou o Laudo nº 4281/2025 produzido pela Polícia Federal.
O ofício caracteriza o celular em questão como um iPhone 17 Pro, que foi apreendido durante a investigação. Além disso, menciona que o material está sob a guarda do gabinete do ministro André Mendonça. A IPJ-A compila a análise de dispositivos eletrônicos, assim como de mensagens que foram apreendidas no contexto da investigação do Banco Master, incluindo dados relacionados diretamente a Vorcaro.
Comparação com Solicitação Anterior
O pedido feito por Zanin é mais detalhado em comparação à determinação anterior de Fachin, que solicitou o compartilhamento dos procedimentos relativos à Petição 15.556 entre os ministros que compõem o STF. Fachin já havia solicitado a Mendonça que enviasse, em um disco rígido apropriado, todos os procedimentos que estivessem contidos ou relacionados à petição para a Presidência do STF e para os gabinetes de outros ministros. Também foi determinada a revogação do sigilo, salvo nas diligências em que essa restrição fosse considerada necessária.
Mendonça, em um comunicado subsequente, informou que o sigilo da Petição 15.556, assim como de outros 14 processos, que incluíam inquéritos, novas petições e uma reclamação, havia sido levantado. Ele também mencionou que estavam sendo tomadas as medidas administrativas necessárias para reproduzir cópias integrais dos autos para os demais ministros do STF.
Neste contexto, Zanin agora solicita, além do compartilhamento já mencionado, o acesso total à mídia que serviu como base para a análise realizada pela Polícia Federal.
Análise do Celular de Vorcaro
A IPJ-A nº 3298613/2026 foi finalizada pela Polícia Federal em 27 de agosto de 2023. Este documento reúne a análise de diversas mensagens e dispositivos eletrônicos que foram apreendidos no decorrer da investigação sobre o Banco Master.
O material analisado inclui mensagens enviadas pelo ex-banqueiro a um número associado ao ministro Alexandre de Moraes, bem como menções a outras autoridades relevantes. A análise desse conteúdo gerou um intenso debate sobre a condução das investigações em curso, especialmente em relação às autoridades que possuem foro privilegiado na Corte.
O ofício enviado por Zanin não contesta as conclusões apresentadas pela Polícia Federal, nem solicita a realização de uma nova perícia. O que se busca, segundo sua solicitação, é a disponibilização da mídia completa para uma análise mais aprofundada.
Desdobramentos da Petição no Plenário
A solicitação feita por Zanin está relacionada à Petição 15.556, que, conforme indicado no próprio ofício, será tratada em sessão marcada para o dia 15 de setembro. Na mesma data, às 10h, o plenário do STF será convocado por Fachin para discutir também a Petição 16.662, que está sob a relatoria de Mendonça. Este processo abrange a ordem que deu origem ao relatório da Polícia Federal concernente a Vorcaro e Moraes, bem como a solicitação da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular as diligências e outros desdobramentos do caso em questão.
A convocação da sessão ocorreu após uma série de decisões conflitantes dentro do Supremo Tribunal Federal. O ministro Mendonça tomou uma decisão para afastar preventivamente tanto o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, quanto o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. No entanto, a reintegração dos mesmos foi posteriormente determinada pelo ministro Flávio Dino. Fachin, por sua vez, suspendeu os efeitos dessas decisões e manteve Andrei Rodrigues no comando da PF até que o plenário do STF faça uma análise definitiva sobre a questão.
Além disso, o presidente do STF assumiu a responsabilidade de centralizar a condução das principais controvérsias surgidas a partir do caso do Banco Master, levando as questões ao colegiado que antes eram tratadas individualmente.
Fonte: timesbrasil.com.br
