3 ferramentas usadas por analistas técnicos que podem oferecer uma segunda opinião aos investidores em ações

Contexto do Mercado Atual

Se há um momento em que uma “segunda opinião” sobre a pesquisa de seleção de ações é necessária, este é o momento. Wall Street é volúvel. Em um dia, a inteligência artificial (IA) é considerada a maior novidade (como no caso da Nvidia), e as ações disparam. No dia seguinte, a mesma IA é vista como uma ameaça aos negócios de software corporativo (como a Salesforce) e de instituições financeiras (como o Wells Fargo), levando as ações a uma queda. Algumas empresas gigantes conseguem implementar planos de aumento significativo em gastos com IA (como a Meta Platforms), enquanto outras, como a Amazon, não conseguem. Neste cenário, investidores estão lucrando com as ações vencedoras de tecnologia do ano passado e mudando seu foco para setores mais tranquilos do mercado (como a Procter & Gamble). Tentar prever o próximo movimento do Federal Reserve se torna uma tarefa complexa, especialmente com a possibilidade de uma nova liderança na instituição nos próximos meses.

No CNBC Investing Club com Jim Cramer, a estratégia adotada é a análise fundamental, em vez de análise técnica, para entender essas oscilações. Isso significa que as decisões sobre quais ações incluir na carteira são baseadas em uma atenção cuidadosa às operações das empresas, incluindo o estudo das dinâmicas da cadeia de suprimentos, demanda do mercado, estilos de gestão, perspectivas de crescimento e influências econômicas. Por meio da análise desses fatores fundamentais, o objetivo é estimar ganhos e fluxos de caixa futuros, além de uma avaliação apropriada para as ações em questão.

Análise Técnica vs. Análise Fundamental

Os analistas técnicos concentram-se em gráficos de ações, observando médias móveis, volume e indicadores de força relativa, entre outros, que são frequentemente denominados “configuração técnica”. Em resumo, nossa preocupação é maior com os fundamentos empresariais do que com a ação do preço das ações. Por outro lado, um analista técnico não se importa com os aspectos empresariais, focando apenas na oferta e na demanda da própria ação.

Preferimos a análise fundamental porque os indicadores técnicos funcionam até que deixem de funcionar. Num viés justo, pode-se dizer que os fundamentos têm validade até que mudem. Entretanto, preferimos antecipar as mudanças nos fundamentos empresariais do que tentar prever movimentos futuros das ações com base em seu desempenho passado.

Isso não significa que a análise técnica deva ser ignorada. A análise fundamental pode nos informar sobre decisões racionais a serem tomadas, enquanto os gráficos refletem as ações de todos os participantes do mercado, racionais e irracionais. Assim, mais informações são sempre benéficas para o investidor diligente.

A Queda Recente nas Ações de Software

O recente sell-off nas ações de software é um exemplo perfeito. O medo de que a inteligência artificial pudesse desestabilizar essas empresas lucrativas dominou o mercado, levando investidores a venderem essas ações de forma geral. A análise fundamental é essencial para distinguir entre aquelas empresas que estão em risco de serem desestabilizadas e aquelas que vão realmente se beneficiar da IA. Contudo, após identificar alguns alvos, um estudo dos gráficos pode auxiliar na determinação do momento certo para entrar em um mercado que está passando por uma venda irracional.

Ferramentas Técnicas Essenciais

Consideremos agora três ferramentas técnicas básicas que todo investidor deve conhecer. Estas foram algumas das primeiras ferramentas que utilizei em gráficos e, embora eu tenha aprendido sobre outras desde então, estas ainda são as que encontro consistentemente úteis como uma “segunda opinião” em relação à minha análise fundamental.

1. Médias Móveis Simples (SMA)

As médias móveis são indicadores técnicos simples, mas importantes e amplamente monitorados, que ajudam a visualizar a tendência geral de uma ação. Uma média móvel, como o nome sugere, é uma média baseada nos níveis de fechamento anteriores da ação. Ela é dinâmica, pois a média deve ser atualizada diariamente para refletir o período mais recente. A SMA de 50 dias representa o preço médio de fechamento de uma ação ao longo dos últimos 50 dias. Da mesma forma, a SMA de 200 dias representa o preço médio ao longo dos últimos 200 dias.

As SMAs de 50 e 200 dias são as mais populares para os investidores de longo prazo. Embora existam várias maneiras de utilizar médias móveis, aqui no clube preferimos mantê-las simples, usando-as como níveis de suporte ou resistência a longo prazo. Quando a ação está cotada acima da SMA, considera-se que a SMA serve como suporte. Por outro lado, se a ação está abaixo da SMA, ela é vista como resistência.

Na análise técnica, o Princípio da Polaridade afirma que uma resistência anterior, uma vez superada, torna-se suporte e vice-versa. O preço atual no mercado em relação a essas médias móveis nos informa sobre níveis-chave de suporte e resistência.

2. Volume

O volume refere-se ao número de ações compradas e vendidas em um determinado dia. Embora pareça simples, o que ele pode nos revelar sobre uma ação é significativo. Cada negociação pode ser vista como um voto sobre a valorização de uma ação — se está subvalorizada ou supervalorizada— e, consequentemente, onde os investidores veem a ação indo no futuro. Negociações em um determinado dia servem como uma amostra da população de investidores mais ampla.

Se uma ação está subindo, isso indica que os investidores estão dispostos a pagar um preço mais alto pelos lucros da empresa. Em contrapartida, se uma ação está caindo, isso significa que os investidores desejam pagar menos pelos lucros. Quando um movimento é feito em um volume baixo, isso não é confiável, pois o tamanho da amostra daquela negociação é pequeno.

Um movimento em volume acima da média, no entanto, é considerado mais confiável, uma vez que mais investidores estão “votando”. Se as ações disparam em volume pesado, isso indica que muitos participantes do mercado acreditam que o valor deve ser mais elevado. Por outro lado, se uma ação está caindo em volume pesado, isso sugere que a base de acionistas considera que a ação está supervalorizada.

Isso não significa, contudo, que todas as análises de volume sejam perfeitas, pois podem ser influenciadas por fatores como o interesse em vendas a descoberto e a atividade de opções. Para determinar se o volume é alto ou baixo, não nos importamos tanto com o volume absoluto em um determinado dia, mas sim como esse nível de volume se compara com dias anteriores.

3. Indicador de Força Relativa (RSI)

O RSI é um indicador de momentum que mede tanto a velocidade quanto a magnitude de um movimento. Ele é utilizado por analistas técnicos para determinar se uma ação alcançou uma condição de sobrecompra ou sobrevenda. Não confunda sobrecompra e sobrevenda, que se referem à velocidade e magnitude de um movimento, com a avaliação de uma ação.

O RSI oscila entre zero e cem, com uma leitura abaixo de 30 indicando que uma ação está “sobrevendida” e uma leitura acima de 70 sinalizando uma condição de “sobrecompra”. Esse indicador é importante para identificar oscilações no mercado, especialmente durante movimentos extremos.

Em um mercado volátil, é benéfico considerar o RSI em conjunto com a avaliação fundamental da empresa. Um exemplo recente é o da CrowdStrike. Durante a venda das ações de software, o RSI da empresa caiu para seus níveis mais baixos, refletindo um movimento extremo sem um fundamento que justificasse tal queda, levando a uma oportunidade de compra.

Essa combinação de ferramentas técnicas, como o RSI, com outras análises, pode proporcionar ao investidor as melhores chances de agir em momentos que podem ser vistos como oportunidades, mesmo que isso exija paciência e resistência a perdas momentâneas.

Fonte: www.cnbc.com

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