Perspectivas de Michael Arone para 2026
No início de 2026, Michael Arone era um dos estrategistas mais otimistas de Wall Street, prevendo uma alta de 17% no S&P 500, que alcançaria 8.000 pontos. Desde janeiro, a situação mudou consideravelmente, com o aumento dos preços do petróleo, temores relacionados à inflação e a inteligência artificial ameaçando transformar indústrias inteiras. No entanto, Arone mantém sua visão positiva em relação ao mercado.
“Acredito que o mercado é como uma mola neste momento, e essa mola está carregada, visivelmente pronta para se mover para cima”, afirmou Arone, que é o estrategista-chefe de investimentos da State Street Investment Management, em entrevista ao Business Insider.
Fatores que Impulsionarão o Mercado
Arone destacou vários fatores que, em sua opinião, contribuirão para a elevação do mercado:
- O conflito entre os Estados Unidos e o Irã tende a ser resolvido em breve;
- Cortes de impostos previstos na Lei One Big Beautiful Bill e outros estímulos fiscais oferecerão um impulso ao crescimento;
- As taxas médias de tarifas caíram para cerca de 8% desde a decisão da Suprema Corte sobre a IEEPA em fevereiro;
- A inflação deve permanecer baixa, pois a taxa de demissão no mercado de trabalho sugere um crescimento salarial contido, preparando o terreno para que o Federal Reserve reduza as taxas de juros ainda este ano;
- A Copa do Mundo da FIFA deve proporcionar um aumento nos ganhos nos EUA, à medida que consumidores gastam com hotéis, ingressos, alimentos, mercadorias, entre outros;
Além disso, Arone mencionou que algumas novas oportunidades surgiram desde o início do ano, levando a State Street, que administra ativos no valor de 5,7 trilhões de dólares, a elevar a classificação de determinadas ações para overweight nos últimos dias.
Setores em Alta Segundo a State Street
O primeiro setor referido por Arone foi o das ações de tecnologia, que atualmente são negociadas a um prêmio mais baixo, enquanto representam grande parte do crescimento dos lucros do mercado. Ele argumenta que essas ações estão mais protegidas contra a volatilidade geopolítica e uma possível desaceleração econômica em comparação a outras áreas do mercado.
“De muitas maneiras, a tecnologia está um tanto isolada de algumas dessas dinâmicas e está entregando crescimento excepcional em lucros e receitas, e posso adquirir esse crescimento a um múltiplo praticamente de mercado”, explicou.
O segundo setor destacado foi o setor de energia, que, segundo Arone, já tinha motores de crescimento fundamentais antes de a guerra entre os Estados Unidos e o Irã impulsionar os preços do petróleo. Entre as tendências otimistas estão a expectativa de um ciclo de recuperação econômica, a previsão de uma regulação mais leve e uma disciplina maior de capital por parte das empresas do setor, além da inovação gerada pela inteligência artificial.
Além disso, as avaliações dessas ações estão mais baratas agora.
“As ações já estavam começando a se valorizar antes da eclosão do conflito, e agora, de repente, com os preços do petróleo em alta, a perspectiva de receita delas melhorou bastante, e estão sendo negociadas a um múltiplo muito mais acessível do que o mercado”, afirmou.
O terceiro grupo mencionado por Arone foi o de ações de materiais. Segundo ele, essas ações devem continuar a se beneficiar de uma combinação de fatores: aumento dos gastos com defesa, investimentos em infraestrutura de inteligência artificial e tensões geopolíticas que levam os governos a desenvolver interesse nacional por determinados materiais. Arone relatou que os lucros nesse setor estão crescendo 24% ao ano.
Por fim, Arone expressou seu otimismo em relação a ativos reais, como o ouro, à medida que a desglobalização avança e os gastos e a dívida pública aumentam. A empresa já estava posicionada como overweight nesse trade, mas Arone afirmou que a guerra entre os Estados Unidos e o Irã apenas reforçou essa perspectiva.
“Esse aumento de gastos também está elevando o nível de dívida em um momento em que muitos países não podem se dar ao luxo de expandir suas fracas posições fiscais — casos de Alemanha, Japão, Estados Unidos, entre outros. E, assim, estão desvalorizando suas moedas”, destacou. “Tudo isso nos leva a querer possuir mais ativos reais”, concluiu.
Fonte: www.businessinsider.com