Mesmo com a economia brasileira sob pressão em 2026, o segundo semestre do ano se inicia com uma janela de oportunidade em ativos de qualidade e descontados.
Para os investidores, o segundo semestre de 2026 inicia-se dando continuidade ao sentimento de alerta instaurado pela primeira metade do ano, especialmente no âmbito das ações e de outros ativos de renda variável. Os efeitos do conflito no Oriente Médio, juntamente com a incerteza sobre a liberação do fluxo no Estreito de Ormuz, devem continuar influenciando a economia global por um período indeterminado.
A disrupção nas cadeias globais de suprimentos, decorrente do conflito em questão, conferiu um papel central à inflação, que voltou a ser um foco importante na alocação dos investidores, especialmente entre os brasileiros, conforme apontam os analistas da Empiricus Research.
Focando na situação do Brasil, mesmo com os dados mais recentes sobre a inflação indicando um leve alívio, como é o caso do IPCA-15 de junho, que apresentou resultados ligeiramente abaixo das expectativas do mercado, os analistas destacam que, além dos fatores externos, um agravante interno se apresenta: a fragilidade fiscal, que não possui previsão para ser tratada pelo governo.
As narrativas antes mais otimistas em relação à bolsa brasileira estão dando lugar a um clima de aversão ao risco. Após um período de rali em abril, o Ibovespa devolveu parte dos ganhos e, até o dia 8, negociava ao redor dos 170 mil pontos, sem uma tendência claramente definida de alta ou baixa, apesar do desempenho positivo acumulado em 2026.
Entretanto, mesmo em um cenário que pode parecer desfavorável para os ativos de risco brasileiros, os analistas afirmam que os preços descontados na bolsa podem oferecer uma oportunidade para investimentos e busca por lucros. Contudo, não de forma generalista: requisitos de disciplina são essenciais.
“Esse cenário não elimina as oportunidades na bolsa. Pelo contrário, pode criá-las. Porém, exige uma seleção mais criteriosa”, afirmaram os especialistas. “Em ambientes mais difíceis, a bolsa deixa de ser um bloco homogêneo.”
Qual a chave para investir em ações em tempos de turbulência na inflação?
“Em um cenário de inflação relevante, juros altos e aumento da volatilidade, a exposição genérica à bolsa deixa de ser adequada.”
Enquanto alguns investidores de pessoa física optam por uma postura mais conservadora, abstendo-se completamente da bolsa em favor de títulos de renda fixa, ou uma abordagem defensiva direcionada a ativos de proteção, como o ouro, a Empiricus sugere que esta pode ser uma boa oportunidade para se investir em um grupo seleto de ações de qualidade a preços mais baixos.
“A chance surge quando empresas de qualidade começam a negociar com desconto, mas continuam a preservar os atributos que sustentam a tese: geração de caixa, distribuição de dividendos, previsibilidade, balanço sólido e capacidade de repasse de preços”, afirmam analistas.
5 ações ‘vencedoras’ para tempos de inflação: três representam o mesmo setor
Nem todos os investidores possuem a aptidão necessária para realizar um stock picking de forma independente, sabendo exatamente em quais ações investir. Portanto, em momentos como esse, torna-se ainda mais relevante acompanhar as indicações de analistas especializados.
- Itaú (ITUB4);
- Axia Energia (AXIA6);
- Copel (CPLE3);
- Compass (PASS3);
- Cury (CURY3).
A respeito do Itaú (ITUB4), os analistas destacam a “elevada capacidade de gestão de risco ao longo dos ciclos”, além da alta recorrência de resultados e dividendos. No caso da Cury (CURY3), a incorporadora tem se beneficiado do forte momentum do programa Minha Casa, Minha Vida, apresentando crescimento robusto e geração de caixa, além de oferecer bons dividendos.
É importante ressaltar que o restante das ações selecionadas representa um mesmo setor da economia: o de serviços básicos, que incluem ações ligadas a serviços indispensáveis do dia a dia, como energia elétrica, saneamento ou gás.
Axia Energia (AXIA6)
“A empresa tem se destacado por sua estratégia de manter boa parte da capacidade de geração descontratada, o que tem garantido uma captura de receita satisfatória em um ambiente de preços elevados de energia. Além disso, apresenta múltiplos atraentes em comparação ao restante do setor.”
Copel (CPLE3)
Outro representante do setor de energia elétrica, a Copel (CPLE3) “possui uma forte presença em distribuição, com uma agenda de transformação pós-privatização, que potencializa sua capacidade de ganhar eficiência e de melhorar a governança. Além disso, negocia em níveis atraentes considerando seu potencial de geração de valor e ainda distribui dividendos satisfatórios.”
Compass (PASS3)
Conforme apontam analistas, a Compass (PASS3), que integra o grupo Cosan, já se destaca por um perfil defensivo, com crescimento consistente e valuation atrativo em seu setor. Além disso, “combina ativos regulados de distribuição, com geração de caixa previsível e proteção contra a inflação, juntamente a uma plataforma integrada de gás que amplia oportunidades de comercialização e infraestrutura”.
Por que o setor de serviços básicos se destaca, afinal?
Isabelle Oliveira, uma das analistas responsáveis pelo relatório, menciona que “o diferencial das teses ligadas a serviços básicos é a capacidade de retorno real do setor, mesmo em períodos macroeconômicos conturbados”, devido a três fatores:
- Reajustes de receita atrelados à inflação;
- Alto poder de repasse aos acionistas;
- Elevada previsibilidade de caixa.
“Neste cenário de incertezas globais, inflação elevada e juros altos, que atrapalham o consumo e a atividade econômica, essas teses voltam a ganhar atratividade em comparação a outras mais cíclicas.”
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Fonte: www.moneytimes.com.br