Viés Político Impacta Debates sobre Aumentos de Tarifas nos EUA, Afirmam Especialistas

Viés Político Impacta Debates sobre Aumentos de Tarifas nos EUA, Afirmam Especialistas

by Fernanda Lima
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Última Reunião entre Brasil e EUA

O governo brasileiro aguarda a realização de uma reunião final com representantes dos Estados Unidos antes que a nação norte-americana tome uma decisão sobre a possível imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos exportados pelo Brasil. A expectativa é que esse anúncio ocorra nesta quarta-feira, dia 15.

Perspectivas da Investigação

Em entrevista à CNN Brasil, Josemar Franco, gerente de comércio internacional da BMJ, avaliou que há perspectivas políticas envolvidas na investigação realizada pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) na chamada “seção 301”. Ele destacou que, embora a investigação possua um caráter técnico, há uma predominância de influências políticas no processo. Franco apontou que empresas e entidades de ambos os países têm participado ativamente de consultas públicas, audiências e reuniões com a administração americana, com o intuito de expor suas preocupações e sensibilidades sobre o tema.

“O esforço e a atuação do setor privado, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, são cruciais para determinar se as tarifas serão impostas ou não”, declarou Franco. Ele frisou que a atual administração nos Estados Unidos demonstra abertura a ouvir as demandas do setor empresarial, especialmente do lado americano.

Impacto Inflacionário nos EUA

Dentre os argumentos apresentados pelo setor privado, destaca-se o risco de que a imposição dessas tarifas possa levar a um aumento da inflação que afetaria os consumidores nos Estados Unidos. Franco sublinhou que existem setores em que o Brasil não possui substitutos viáveis como fornecedor. “O Brasil é o maior produtor mundial de café solúvel e o principal exportador deste produto, não há outra fonte que possa substituir o café solúvel brasileiro”, afirmou.

Segundo ele, no final das contas, os consumidores norte-americanos continuarão a importar esse produto, mesmo que a um custo mais elevado, o que implicaria um aumento na inflação. Além disso, Franco alertou sobre o risco de uma combinação de tarifas que poderia atingir 37,5% sobre produtos brasileiros, considerando uma potencial tarifa de 25% somada a uma alíquota adicional de 12,5% que decorre de outra investigação em curso nos Estados Unidos.

“Isso nos colocaria em uma posição de competitividade extremamente baixa em comparação com outros países exportadores para os Estados Unidos”, avaliou Franco. Ele mencionou setores, como o de móveis e papel, que estariam entre os mais vulneráveis a essa situação. Franco também questionou a solidez das justificativas apresentadas pelo USTR para sustentar a tarifa, as quais incluem questões como desmatamento ilegal e o uso de meios de pagamento como o Pix.

Do seu ponto de vista, essas argumentações são frágeis tecnicamente e tentam mesclar questões distintas para atribuir uma aparência de razoabilidade aos resultados da investigação. Ele concluiu, lamentando que haja uma predominância de um viés político na imposição dessas tarifas contra o Brasil, visando alcançar acordos que não estão necessariamente relacionados às políticas públicas em investigação.

Quarta Reunião entre os Dois Países

A reunião que o governo brasileiro aguarda seria o quinto encontro entre representantes dos dois países e ocorreria no contexto do grupo de trabalho que foi criado após a visita de Lula a Donald Trump. Esse grupo foi estabelecido especificamente para discutir questões relacionadas a tarifas e ao comércio bilateral.

A expectativa é estabelecer uma agenda de discussões com Jameson Greer, chefe do USTR, que é o escritório do representante comercial dos Estados Unidos. Após o quarto encontro, Márcio Elias, que também participou das tratativas, havia informado à imprensa que a expectativa era de que a nova reunião se realizasse até o início desta semana.

Apesar das negociações que estão em andamento, o cenário considerado mais provável pelo governo brasileiro é o de que as tarifas sejam efetivamente impostas pelos Estados Unidos. Embora um possível adiamento da decisão não esteja completamente descartado, essa possibilidade é considerada remota. Informações obtidas pela CNN Brasil indicam que a estratégia do Palácio do Planalto é seguir mantendo o mesmo rumo adotado até o presente momento, sem realizar concessões que o governo brasileiro considere injustificadas.

Na semana anterior, Lula se reuniu com ministros para debater os próximos passos nas negociações. Entre os participantes estavam Mauro Vieira e Márcio Elias, sendo este último diretamente responsável pela condução das tratativas entre Brasil e Estados Unidos.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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