A decisão da China e o reconhecimento da OMC
A Organização Mundial do Comércio (OMC) expressou seu apoio à recente decisão da China de abdicar dos benefícios comerciais associados ao status de país em desenvolvimento. Esse movimento, segundo a OMC, contribuirá para um sistema comercial mais justo e equilibrado globalmente.
Na terça-feira, 23 de outubro, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, anunciou que Pequim não solicitará mais os benefícios do Tratamento Especial e Diferenciado, que decorrem da condição de país em desenvolvimento, durante as negociações sobre futuros acordos na OMC.
Em declaração feita na quarta-feira, um diplomata sênior chinês, presente na sede da OMC em Genebra, reiterou que a China ainda se considera um país em desenvolvimento, mesmo sem buscar mais os benefícios associados a esse status.
Condições das regras comerciais da OMC
As normas comerciais estabelecidas pela OMC conferem aos países em desenvolvimento maior flexibilidade para empregar tarifas mais elevadas ou subsídios, a fim de proteger seus setores econômicos. Contudo, dada a ascensão da China como a segunda maior economia mundial, muitos de seus parceiros comerciais, em especial os Estados Unidos, têm argumentado que essa condição é injusta.
O governo norte-americano tem afirmado que reformas no sistema de comércio global são inviáveis, a menos que os grandes países em desenvolvimento desistam desses privilégios.
A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, comentou que este é um momento importante para a organização, destacando que a decisão da China mostra um compromisso com um sistema de comércio global mais justo e equilibrado.
Além disso, os membros da OMC estão considerando reformas abrangentes para revitalizar a instituição, que tem enfrentado desafios devido ao aumento de tarifas impostas pelo governo de Donald Trump.
Keith Rockwell, analista de comércio da Fundação Hinrich e ex-diretor de comunicações da OMC, apontou à Reuters que essa decisão da China pode beneficiar suas relações com os Estados Unidos.
China reafirma seu status de país em desenvolvimento
Durante uma coletiva de imprensa, Li Yihong, delegada sênior da missão da China na OMC em Genebra, afirmou que a decisão de renunciar aos benefícios demonstra o “compromisso da China em apoiar o sistema multilateral de comércio”.
Li Yihong esclareceu que essa renúncia não implica mudança no status da China como país em desenvolvimento, nem altera sua posição na OMC como membro em desenvolvimento, seja no contexto da OMC ou em qualquer outra situação. Ela reforçou que a China continua a ser um membro significativo do sul global e “sempre será um país em desenvolvimento”.
Xiankun Lu, ex-diplomata comercial sênior da China, comentou à Reuters que a ação chinesa pode encerrar o debate atual sobre a necessidade de reequilibrar direitos e obrigações entre os principais membros da OMC, pelo menos em relação à China.
Ele acrescentou que, agora, “a bola está no campo de outros grandes participantes para demonstrar sua responsabilidade e compromisso com o sistema e sua reforma”.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


