Desempenho do Ibovespa em Setembro
Setembro se despede deixando uma impressão positiva para os investidores. O Ibovespa apresentou um aumento de 3,4% no mês, estendendo o rali iniciado em meados de agosto. Nos dois meses, a alta acumulada chega a 9,9% em reais e 15% em dólar, superando o desempenho das principais bolsas de valores americanas.
Fatores que Influenciam o Mercado
A principal razão para essa valorização não se encontra no Brasil. O início da redução das taxas de juros nos Estados Unidos impulsionou o fluxo de investimentos para mercados emergentes. Considerando que o país está negociando a múltiplos baixos, o resultado foi uma série de recordes na B3.
Agora, os investidores se questionam se o Ibovespa já atingiu seu pico. O Santander alerta para uma possível pausa de curto prazo e passou a priorizar papéis defensivos em sua carteira de ações.
Ainda Há Oportunidades?
Embora algumas instituições vejam pechinchas na bolsa, a Ágora Investimentos aponta que o Ibovespa está negociando a 7,2 vezes o lucro projetado para os próximos dois anos, cifra que está significativamente abaixo da média histórica de 10 vezes. Mesmo com o recorde nominal, o índice ainda se encontra cerca de 25% abaixo do pico ajustado pela inflação.
O BTG mantém uma perspectiva similar: apesar da recente recuperação, as ações brasileiras continuam a ser consideradas baratas. Estão negociadas a 9,6 vezes o preço sobre lucro (P/L) para os próximos 12 meses, excluindo os papéis da Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3). Quando se incluem essas ações, o múltiplo cai para 8,3 vezes, estando um desvio padrão abaixo da média histórica de 11,9 vezes.
Apesar disso, o BTG ressalta que, considerando as taxas reais de longo prazo, que estão atualmente em 7,5%, o prêmio de risco das ações se encontra em 2,9%, alinhado à média de 3,1%. O relatório destaca que, para que haja uma performance positiva adicional, as taxas reais de longo prazo precisam cair ou os lucros devem ser revisados para cima.
Limitações no Cenário Econômico
O BTG observa que há limitações para revisões de lucro no curto prazo, tendo em vista a desaceleração econômica esperada. Para que uma redução mais significativa nas taxas de juros ocorra, seria necessária uma melhora nas contas fiscais, algo que, segundo o banco, pode ser alcançado apenas no próximo governo.
Cenário Político e Suas Implicações
O cenário político também está em foco. O BTG aponta que a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu de 39% para 46%, o que reduziu a diferença entre as taxas de aprovação e desaprovação para apenas 3 pontos percentuais, comparado a 15 pontos há três meses.
A Ágora acrescenta que parte da recente valorização da bolsa já reflete o reposicionamento dos investidores em função das eleições de 2026. A corretora menciona que isso será um dos principais direcionadores e riscos para os próximos trimestres.
A corretora também alerta que a tese de bolsa atrelada ao câmbio traz volatilidade adicional. Quaisquer modificações no valor do dólar, provocadas por conflitos, crises ou eventos inesperados, podem interromper o fluxo de investimentos para os mercados emergentes.
Empresas em Destaque
Entre as ações mais recomendadas pelos analistas, há um empate triplo entre Vale, Itaú e Petrobras (PETR4).
| Empresa | Código | Indicações |
|———————-|———|————|
| Vale | VALE3 | 10 |
| Petrobras | PETR4 | 10 |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 10 |
| Prio/PetroRio | PRIO3 | 7 |
| Copel | CPLE6 | 7 |
| Rede D’Or | RDOR3 | 6 |
| Sabesp | SBSP3 | 6 |
| Bradesco | BBDC4 | 6 |
| Direcional | DIRR3 | 6 |
Destaques das Empresas
Vale
A Vale se destaca por seu bom posicionamento, que inclui controle de custos e forte geração de caixa. Os analistas esperam a distribuição de novos dividendos extraordinários e a redução da dívida líquida ao ponto médio da faixa-alvo, que varia entre US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões. Ademais, a paralisação das obras da Rio Tinto em Simandou, na Guiné, deve beneficiar ainda mais a mineradora.
“Estimamos um acréscimo de 15 milhões de toneladas em 2026, o que deve sustentar a resiliência nos preços do minério de ferro”, conforme relatórios.
Itaú Unibanco
Apesar de uma alta de 35% no ano, o Itaú Unibanco permanece como uma das preferências do mercado. Durante o Investor Day, o banco enfatizou um plano ambicioso para migrar 75% de seus clientes para canais digitais, sendo que atualmente apenas 15% deles utilizam essas plataformas. Esse movimento visa aumentar a eficiência e reduzir o índice de custo/receita do varejo de 40% para 30% em cinco anos.
A meta definida é dobrar a carteira de empréstimos de varejo até 2030, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de aproximadamente 15%. “À medida que o custo de atendimento diminui, o Itaú deve alcançar crescimento sustentável, mantendo altos retornos”, afirma o BTG.
Petrobras: Máquina de Dividendos
A Petrobras atravessa um cenário global marcado por volatilidade no mercado de petróleo, com a expectativa de que o preço do Brent permaneça abaixo de US$ 70 por barril. A Ágora alerta que o aumento nos investimentos e possíveis aquisições pode limitar as possibilidades de pagamento de dividendos, que são um pilar fundamental da estatal.
Entretanto, a combinação de valuation atrativo e expectativas de aumento de produção mantém a tese de investimento na empresa em uma posição interessante. “Mesmo com menos espaço para dividendos, a Petrobras ainda oferece uma combinação de preço atrativo e potencial de valorização relevante”, conclui a corretora.
Levantamento das Instituições
Um levantamento realizado pelo Money Times considerou as informações das carteiras de ações divulgadas por 16 instituições financeiras. Para outubro, foram indicadas 66 ações, totalizando 195 recomendações. As instituições que contribuíram para este levantamento incluem Ágora Investimentos, Andbank, Ativa Investimentos, BB Investimentos, BTG Pactual, Daycoval, Empiricus Research, EQI Investimentos, Itaú BBA, Monte Bravo, Planner, RB Investimentos, Rico, Santander, Safra, Terra Investimentos, Toro Investimentos e XP Investimentos.
Fonte: www.moneytimes.com.br


