Petz (PETZ3) e Cobasi propõem união ao Cade, argumentando sobre a concorrência com marketplaces.

Petz (PETZ3) e Cobasi propõem união ao Cade, argumentando sobre a concorrência com marketplaces.

by Ricardo Almeida
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Fusão entre Petz e Cobasi: Apresentação ao CADE

Petz (PETZ3) e Cobasi apresentaram, na tarde de sexta-feira, dia 17, seus argumentos ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em defesa da fusão entre as duas companhias. A audiência pública contou com a presença de representantes do setor de produtos e serviços para animais de estimação, além de entidades e organizações não governamentais (ONGs) que tiveram posições favoráveis e contrárias à operação.

Perspectivas de Mercado

Os CEOs Sérgio Zimerman, da Petz, e Paulo Nassar, da Cobasi, enfatizaram durante suas declarações a crescente pressão competitiva que vem dos marketplaces e o aumento da concorrência digital na área de produtos para pets. Nassar, que é também cofundador da Cobasi, alegou que a união entre as empresas resultaria em aproximadamente 10% de participação de mercado, destacando que esse percentual está longe de configurar um monopólio. Ele caracterizou o varejo pet como "extremamente pulverizado e fragmentado", e defendeu que a afirmação sobre concentração de mercado é uma distorção da realidade.

O executivo também ressaltou que a fusão deve resultar em uma redução de custos que, por sua vez, beneficiará os consumidores. Em um contexto de forte concorrência, ele mencionou que tanto a Petz quanto a Cobasi enfrentam desafios de plataformas como Amazon, Shopee, Mercado Livre, Magalu e Petlove, além de pet shops locais, supermercados e agrolojas. Nassar frisou que "o comércio eletrônico se tornou um vetor importante de pressão competitiva", e, nesse sentido, a fusão visa aumentar a presença física e digital das empresas.

Desafios e Relevância no Mercado

Zimerman, CEO da Petz, complementou os argumentos apresentados, afirmando que a operação é uma tentativa de recuperar a relevância em um mercado cada vez mais competitivo. Ele lembrou que a empresa atingiu uma valorização de R$ 12 bilhões em 2021, e atualmente está avaliada em cerca de R$ 1,7 bilhão. O executivo ainda destacou que até o CEO da Petlove reconheceu publicamente que a fusão não representaria risco competitivo. Zimerman também comentou que o ambiente de marketplaces é intenso, onde um reduz o valor mínimo do frete e outro pode oferecer entregas gratuitas, impactando todo o varejo, inclusive o setor pet. Ele rebateu críticas que surgiram em relação a possíveis efeitos negativos para a causa animal, enfatizando que a defesa dos pets "faz parte do DNA" das duas companhias.

Posição da Petlove e Críticas à Fusão

A Petlove, que se apresentou como terceira interessada no processo de fusão, manifestou críticas, afirmando que Petz e Cobasi são concorrentes diretos e que a fusão resultaria na criação de uma gigante com considerável poder no mercado. O advogado Carlos Emmanuel Joppert Ragazzo, que representa a Petlove, expressou preocupações sobre as barreiras de entrada que o setor já enfrenta e alertou que a integração agravaria essa situação.

De acordo com Ragazzo, a nova companhia resultante da fusão teria força de marca, programas de fidelidade robustos e poder de compra suficiente para dominar fornecedores e consumidores, tornando o mercado “cada vez menos contestável”.

Possíveis Consequências Sociais

O pesquisador Vitor Morais de Andrade, do Instituto de Pesquisas e Estudos da Sociedade e Consumo, destacou também um possível impacto social que poderia se originar desta fusão. Andrade argumentou que um aumento nos preços decorrente da menor concorrência poderia levar ao abandono de animais. Ele afirmou que “a fusão elimina a rivalidade existente e cria barreiras para novos entrantes”, acrescentando que, sem concorrência, o aumento de preço é inevitável.

Por outro lado, durante a audiência, ONGs e defensores da causa animal expressaram apoio à fusão, mencionando que as duas redes já desenvolvem projetos voltados para a adoção e bem-estar animal. Heleana Konieczna, vice-presidente da Associação e Projeto Social Moradores de Rua e Seus Cães (MRSC), considerou que a união pode expandir o alcance das iniciativas voltadas para os animais, e traria benefícios, desde que conduzida de forma responsável.

Recomendações e Monitoramento

A diretora do Departamento de Proteção, Defesa e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente, Vanessa Negrini, adotou uma abordagem mais cautelosa em sua fala. Ela sugeriu que, caso a fusão seja aprovada, o Cade implemente mecanismos de monitoramento de preços e preserve a diversidade de fornecedores, garantindo que os consumidores de baixa renda tenham acesso aos produtos.

A fusão proposta, que criaria uma nova empresa com faturamento anual estimado em R$ 7 bilhões, foi aprovada sem restrições pela Superintendência-Geral do Cade em junho. No entanto, após um recurso apresentado pela Petlove, o conselho solicitou, em setembro, a realização de um estudo econômico sobre a estrutura competitiva do setor pet no Brasil, a fim de avaliar com mais profundidade os impactos da fusão no mercado.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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