Acordo sobre Minerais Críticos entre EUA e Austrália
Na última segunda-feira, dia 20, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, formalizaram um acordo voltado para minerais críticos, com o intuito de enfrentar a influência econômica da China no mercado global de suprimentos.
Detalhes do Acordo
A questão da China foi um tema central durante a primeira cúpula oficial entre Trump e Albanese na Casa Branca. O acordo, que foi negociado ao longo dos últimos meses, ganhou descrição de Albanese como um “oleoduto” de investimento de aproximadamente US$ 8,5 bilhões, “pronto para ser ativado”.
De acordo com uma cópia do acordo divulgada pelos dois governos, tanto os Estados Unidos quanto a Austrália irão investir, cada um, US$ 1 bilhão nos próximos seis meses em projetos relacionados à mineração e ao processamento de minerais. Além disso, o acordo estabelece um preço mínimo para os minerais críticos, uma demanda antiga das mineradoras ocidentais.
Um comunicado oficial da Casa Branca indicou que esses investimentos serão direcionados a jazidas de minerais críticos que estão avaliadas em cerca de US$ 53 bilhões, embora os detalhes acerca dos tipos de minerais e de suas localizações não tenham sido revelados.
“Dentro de um ano, teremos tantos minerais críticos e terras raras que vocês não saberão como lidar com eles”, declarou Trump a repórteres após a assinatura do acordo.
Reação da China
O Ministério das Relações Exteriores da China não se manifestou diretamente sobre o acordo entre os Estados Unidos e a Austrália. Contudo, em coletiva de imprensa realizada na terça-feira, dia 21, um porta-voz do ministério, Guo Jiakun, destacou que o mercado e decisões comerciais são os responsáveis por moldar as cadeias globais de produção e suprimento.
“Países com recursos minerais essenciais têm um papel ativo a desempenhar na garantia da segurança e estabilidade das cadeias industriais e de suprimento, além de garantir uma cooperação econômica e comercial normal”, afirmou Guo.
Esclarecimentos de Especialistas sobre o Cronograma
Durante uma conferência em Sydney, especialistas do setor de mineração expressaram sua aprovação em relação ao novo acordo, mencionando que ele poderá abrir novas oportunidades de investimento. Porém, muitos deles mostraram ceticismo em relação à viabilidade do cronograma apresentado por Trump.
Dan Morgan, analista da Barrenjoey, comentou à Reuters que “o cronograma para que vários projetos estejam prontos até 2027 seria heroico e inatingível no caso de muitos deles.” Morgan também enfatizou que “no setor de terras raras, as coisas não acontecem rapidamente. Não acredito que seremos inundados por um crescimento repentino de oferta. Talvez vejamos crescimento em cinco a sete anos”.
A China atualmente controla cerca de 90% da capacidade mundial de refino de terras raras, que são essenciais para diversos setores, incluindo energia limpa, defesa e indústria automotiva. Em uma nota previamente divulgada, o banco Goldman Sachs apontou os riscos de interrupções no fornecimento, ressaltando que a China também detém 69% da mineração global de terras raras e 98% da fabricação de ímãs derivados desses minerais.
Embora as terras raras sejam abundantes na crosta terrestre, a China se sobressai na complexa e ambientalmente prejudicial atividade de refino, sendo capaz de realizá-la a custos consideravelmente mais baixos.
Investimentos Atraídos pelo EXIM
O Banco de Exportação e Importação dos EUA (EXIM), que é a agência oficial de crédito à exportação do governo americano, anunciou a assinatura de sete cartas de intenção que somam mais de US$ 2,2 bilhões. Esses aportes têm como finalidade impulsionar projetos relacionados a minerais críticos na Austrália.
Entre os beneficiários mencionados estão empresas como Arafura Rare Earths, Northern Minerals, Graphinex, Latrobe Magnesium, VHM, RZ Resources e Sunrise Energy Metals.
De acordo com o EXIM, os projetos abrangem uma diversidade de minerais que são essenciais para sistemas avançados de defesa, componentes aeroespaciais, equipamentos de comunicação e tecnologias industriais de última geração. Esses investimentos visam não apenas apoiar a reindustrialização da base manufatureira de alta tecnologia dos Estados Unidos, mas também ajudar a neutralizar a influência chinesa nas exportações e fortalecer a resiliência da cadeia de suprimentos do Ocidente.
Além desta iniciativa, o Pentágono também está planejando a construção de uma refinaria de gálio na região ocidental da Austrália, especialmente considerando que a China bloqueou as exportações desse mineral para os Estados Unidos em dezembro do ano anterior.
Estratégia dos EUA em Busca de Minerais Críticos
Os Estados Unidos estão empenhados em aumentar o acesso aos minerais críticos em diversas partes do mundo, à medida que a influência da China sobre o fornecimento global continua a se intensificar. As tensões comerciais entre os dois países aumentaram antes da reunião marcada entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, prevista para ocorrer na próxima semana na Coreia do Sul.
O termo “minerais críticos” refere-se a uma ampla gama de elementos, incluindo terras raras, lítio e níquel.
Embora a China detenha as maiores reservas de terras raras do planeta, conforme informado pelo Serviço Geológico dos EUA, a Austrália também conta com reservas significativas desse recurso. Esses minerais são utilizados em produtos essenciais como veículos elétricos, motores de aeronaves e radares militares.
Fonte: www.moneytimes.com.br

