Impacto das Tarifas Americanas na Economia Brasileira
As tarifas impostas pelos Estados Unidos têm um impacto significativo na economia brasileira. No entanto, segundo a Moody’s Analytics, os efeitos macroeconômicos resultantes de um possível acordo entre Brasil e EUA seriam provavelmente marginais. Um exemplo ilustrativo desta situação é o modelo Corolla.
A análise realizada pela Moody’s destaca que o retorno da tarifa efetiva dos EUA a níveis anteriores a janeiro é improvável. Além disso, o chamado Custo Brasil, que se refere a uma combinação de impostos, burocracia e regulamentações, torna difícil para empresas americanas conseguirem condições competitivas no mercado brasileiro a curto prazo.
“O custo de um Toyota Corolla no Brasil é um exemplo claro da magnitude dessas barreiras. Embora os dados sobre tarifas sejam acessíveis, calcular o impacto adicional de impostos e burocracia sobre o custo de fazer negócios no Brasil continua sendo uma tarefa complexa,” afirmam os analistas da Moody’s Analytics.
Uma maneira prática de demonstrar este protecionismo é comparar os preços de bens produzidos no Brasil. Produtos eletrônicos, eletrodomésticos e automóveis estão com preços 30% a 50% mais altos do que em outras economias emergentes. No caso específico do Corolla, modelo básico que é comercializado a preços semelhantes nos EUA e no México, o custo no Brasil pode ser até um terço superior.
Além disso, a avaliação dos ganhos econômicos potenciais que uma economia manufatureira mais competitiva e voltada para exportações poderia trazer é complicada, uma vez que o protecionismo está profundamente enraizado no setor industrial brasileiro.
Avanço nas Negociações Brasil-EUA
Nos últimos meses, representantes do Brasil e dos Estados Unidos têm se envolvido em negociações com o objetivo de resolver a disputa tarifária. Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump estão agendados para se encontrar no próximo domingo (26), na Malásia, o que sinaliza uma aproximação diplomática entre os países.
Após um encontro informal na Assembleia Geral da ONU, realizado em setembro, os líderes realizaram uma conversa por telefone no dia 6 de outubro, o que demonstra a disposição mútua para superar as tensões anteriores entre as nações.
Antes disso, já havia ocorrido uma divergência entre Trump e Lula, relacionada à tentativa do Brasil de estreitar relações comerciais e diplomáticas com os países do BRICS, além de alternativas ao uso do dólar americano. O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por planejamento de um golpe anti-democrático, também foi mencionado pela Casa Branca como um dos fatores que justificaram as tarifas impostas em julho.
Essas questões continuam a ser relevantes, mas os impactos econômicos gerados pelas tarifas criaram uma abertura para o diálogo entre os dois países.
O relatório da Moody’s também destaca que os preços do café e da carne bovina, dos quais o Brasil é o maior fornecedor dos EUA no primeiro caso e o terceiro no segundo, estão em alta, aumentando a pressão política sobre Trump para que haja avanços nas negociações.
Embora as tarifas não tenham impactado de forma significativa a macroeconomia brasileira, em função do aumento das exportações para a China, alguns setores foram fortemente afetados, destacando-se a indústria aeronáutica. “Os EUA representam um mercado estratégico para a Embraer, que, junto com México e Canadá, concentra 60% de suas vendas globais. Apesar de as aeronaves e peças terem sido excluídas das tarifas de julho, a Embraer ainda enfrenta uma tarifa base de 10%, enquanto concorrentes no México e Canadá podem exportar sem tarifas devido ao USMCA”, enfatiza o relatório da Moody’s Analytics.
Terras Raras: Um Novo Elemento na Disputa Comercial
Outro aspecto que pode contribuir para um possível acordo é o potencial estratégico do Brasil em relação aos metais de terras raras, que são utilizados em diversas tecnologias modernas. O país detém as segundas maiores reservas mundiais deste tipo de mineral, ficando apenas atrás da China; no entanto, sua participação na produção global ainda é limitada.
Nos Estados Unidos, o interesse em acessar fontes alternativas para esses minerais está crescendo, enquanto as empresas brasileiras buscam capital para desenvolver a produção. Vale ressaltar que qualquer benefício adicional, como incentivos para que mineradoras americanas investissem nas reservas brasileiras, demandaria tempo, devido ao baixo nível atual de produção e à infraestrutura que ainda se mostra insuficiente.
Fonte: www.moneytimes.com.br

