O encontro que transformou a relação entre Lula e Trump

O encontro que transformou a relação entre Lula e Trump

by Ricardo Almeida
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Ninguém sabe ao certo a duração do encontro

Ninguém sabe ao certo se durou 20 ou 39 segundos, conforme mencionado por Donald Trump. Talvez tenha sido um minuto, ou até mesmo dois. Contudo, o breve encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, que ocorreu nos bastidores da Assembleia Geral da ONU em setembro, parece ter sido suficiente para alterar o rumo de uma relação que se encontrava à beira de uma colisão diplomática.

A mudança no tom das conversas

Da “química” referida por Trump à “petroquímica” mencionada por Lula, a tensão entre os dois países cedeu lugar a um tom mais amistoso — mesmo que a alta tarifa americana ainda permaneça em vigor.

No final de semana, os dois presidentes se reencontraram e converseiram por quase uma hora. Em uma breve declaração à imprensa, ambos demonstraram estar descontraídos. Na segunda-feira (27), a bordo do Air Force One, Trump desejou um “feliz aniversário” a Lula, que completou 80 anos, e o descreveu como “um cara muito vigoroso”.

“Ele [Trump] garantiu que nós vamos ter um acordo. E acho que será mais rápido do que muita gente pensa”, declarou Lula após o diálogo.

O início da crise: quando a tarifa virou arma política

Em julho, a Casa Branca aumentou as tarifas sobre importações brasileiras para até 50%, ampliando medidas previamente aplicadas em um contexto global. A justificativa pública misturou questões comerciais e políticas internas: Trump caracterizou o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro como uma “caça às bruxas”.

Além da tarifa “recíproca” de 10% imposta a todos os parceiros comerciais, os EUA implementaram uma sobretaxa de 40% sobre a maioria dos produtos brasileiros.

Para exportadores de aço, carne, café, sucos e manufaturados, as consequências foram diretas — tanto em termos de custos quanto em previsibilidade.

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) também iniciou uma investigação contra o Brasil, alegando a existência de “práticas comerciais desleais”.

Simultaneamente, a Casa Branca impôs restrições de visto a oito magistrados do Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo Alexandre de Moraes, com base na Lei Magnitsky, que prevê sanções a estrangeiros acusados de violar direitos humanos.

Essas medidas ocorreram em meio ao julgamento que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentar realizar um golpe de Estado.

Em resposta, o governo brasileiro classificou as ações como “ataques à soberania nacional” e uma tentativa de interferir na independência do Judiciário.

A virada: um aperto de mãos e um “parabéns”

A primeira oportunidade de descongelar a relação surgiu semanas antes, durante os preparativos para a Assembleia-Geral da ONU. No entanto, foi na Ásia, durante uma reunião bilateral na Malásia, que o tom começou a apresentar mudanças. Lula afirmou que Trump “garantiu” um acordo comercial “em breve”, enquanto o americano ponderou: “Tivemos uma boa conversa; não sei se algo vai acontecer”.

Lula também solicitou a suspensão das tarifas e a revisão das punições impostas a ministros e autoridades brasileiras. Segundo Lula, Trump teria ficado “surpreso” ao descobrir que até familiares de autoridades haviam sido afetados — entre eles, a filha de 10 anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que teve seu visto americano cancelado, juntamente com os pais.

Durante o diálogo, Lula defendeu a legitimidade do julgamento do STF que resultou na condenação de Bolsonaro, reafirmando que “o Brasil é uma democracia sólida e independente”.

Após a reunião, o perfil oficial da Casa Branca postou uma foto dos dois presidentes se cumprimentando, acompanhada da frase de Trump: “Acho que seremos capazes de fechar alguns bons acordos para ambos os países. Sempre tivemos um bom relacionamento, e acredito que isso continuará”.

Este gesto simbólico se complementou com o “feliz aniversário” enviado por Trump, que foi interpretado como um sinal de distensão diplomática.

O que vem pela frente

Mais do que uma afinidade pessoal, a reaproximação entre Lula e Trump reflete a importância estratégica das relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos, especialmente diante do novo ciclo de tensões comerciais.

“Eu disse a ele que era extremamente importante levar em conta a experiência do Brasil como o maior país da América do Sul, o mais relevante economicamente e que tem quase toda a região como vizinha”, mencionou Lula.

Segundo o chanceler Mauro Vieira, Lula também se colocou à disposição para atuar como “interlocutor” entre os EUA e a Venezuela, em meio à crescente pressão da Casa Branca sobre o governo de Nicolás Maduro.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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