Protesto e a Questão das Tarifas
Um manifestante, associado à Main Street Alliance, segurou um cartaz do lado de fora da Suprema Corte dos Estados Unidos, onde os juízes estavam prestes a ouvir os argumentos orais sobre a tentativa do presidente Donald Trump de preservar tarifas amplas após decisões de tribunais inferiores que avaliaram que Trump havia ultrapassado sua autoridade. O evento ocorreu em Washington, D.C., no dia 5 de novembro de 2025.
Posicionamento dos Importadores
Importadores norte-americanos afirmam que, caso a Suprema Corte decida que os valores pagos pelas tarifas estabelecidas por Donald Trump devem ser reembolsados, esse processo seria relativamente simples e não um "emaranhado" como muitos têm alegado. Os importadores destacaram a documentação da Alfândega dos EUA, que detalha claramente as tarifas pagas sobre os produtos importados para os Estados Unidos.
Durante os argumentos orais realizados na quarta-feira passada, referentes a um caso que decidirá o futuro das tarifas de Trump, a maioria dos juízes da Suprema Corte expressou ceticismo em relação à legalidade das contribuições. No entanto, alguns juízes levantaram questões sobre o que ocorreria caso decidissem que Trump não tinha o poder de impor essas tarifas unilateralmente.
A juíza Amy Coney Barrett comentou que o reembolso de bilhões de dólares em tarifas coletadas desde a implementação destas, no início deste ano, seria "confuso". Neal Katyal, advogado que representa um grupo de pequenas empresas desafiando as tarifas, admitiu que reembolsar os custos seria "uma questão bastante complicada".
Comentários dos Empresários
Rick Muskat, CEO da DeerStags, uma empresa familiar de calçados de terceira geração, declarou à CNBC: "Eu discordo da preocupação com o reembolso das tarifas como sendo um emaranhado". Ele explicou que, em cada declaração de importação, detalham-se itens específicos que indicam as taxas de tarifa/duty que estão sendo pagas.
Na Declaração de Entrada da Alfândega, os importadores identificam o código específico do produto, o país de origem e o tipo de tarifas que estão sendo pagas. Muskat disponibilizou à CNBC uma Declaração de Entrada para um envio recente que a DeerStags recebeu da China.
Um dos códigos nesse documento classificou uma tarifa de 6% para um item com base no nome, uso e material. Muskat afirmou que essa tarifa tem estado em vigor por anos. O segundo item cobrava 20% por uma "tarifa de fentanil", imposta por Trump ao Canadá, China e México, como resposta à falha em conter o fluxo de opioides para os EUA. O terceiro item indicou uma tarifa "reciprocada" de 10%, que Trump impôs ao evocar a Lei de Poderes Econômicos em Emergência Internacional (IEEPA). Trump é o primeiro presidente a usar essa lei para impor tarifas de forma unilateral.
Desde que Trump anunciou várias de suas tarifas no início de abril, em uma data que chamou de "dia da libertação", Muskat pagou mais de um milhão de dólares em tarifas. "A Alfândega dos EUA foi capaz de adicionar esses itens adicionais à declaração sempre que o presidente alterava as tarifas", disse Muskat. "Portanto, deveria ser simples para os importadores solicitarem reembolsos com base nessa itemização das tarifas", completou.
Citação de Pequenos Negócios
A Greenbar Distillery, uma pequena empresa que embala coquetéis e licores em Los Angeles, pagou mais de 50 mil dólares em tarifas adicionais — correspondendo a 10% dos lucros da empresa — sob a política comercial de Trump. O cofundador e produtor de espíritos, Melkon Khosrovian, afirmou: "Logisticamente, tecnicamente e teoricamente, deveria ser fácil obter de volta o dinheiro das tarifas, pois estão todas claramente identificadas e itemizadas".
"Praticamente, porém, eu não sei", observou Khosrovian. "Esta administração tem sido muito criativa em encontrar maneiras de fazer o que quer em relação às tarifas". Ele acrescentou: "Se pudéssemos receber uma quantia única, seria ótimo, ou créditos em futuras importações, também seria aceitável. Mas tenho sérias reservas de que não vamos ver um centavo".
Para reduzir custos e cobrir as despesas provocadas pelas tarifas adicionais de Trump, a empresa começará a automatizar funções em 2026, o que resultará na eliminação de alguns postos de trabalho. "A automatização foi a única maneira que encontramos para lidar com as tarifas", disse Khosrovian. "Nossos atacadistas e varejistas não aceitarão aumentos de preços. Não podemos viver com margens mais baixas. Temos que fazer algo, e esse algo foi a automatização".
A Mobilização de Negócios
Tanto Khosrovian quanto Muskat, junto com mais de 700 outras pequenas empresas dos Estados Unidos, assinaram um amigo da corte, ou "amicus brief", para a Suprema Corte, opondo-se às tarifas. Essas empresas fazem parte da coalizão chamada We Pay the Tariffs.
Dan Anthony, diretor executivo da We Pay the Tariffs, informou que "houve mais de 40 mudanças no código tarifário somente neste ano". Ele acrescentou: "A imprevisibilidade é paralisante, e os aumentos de custos são assustadores, criando um enorme fardo para os pequenos proprietários de negócios que tentam operar e expandir suas empresas".
Importadores e corretores de alfândega dos EUA mencionaram que, caso uma decisão da Suprema Corte ordene o reembolso das tarifas, a execução desse processo seria desafiadora apenas se a administração Trump dificultasse. "A Suprema Corte está determinando a legalidade das tarifas e, se não forem legais, então o Tribunal de Comércio Internacional decidirá como o dinheiro será devolvido aos importadores americanos", afirmou Lori Mullins, diretora de operações da Rogers & Brown Custom Brokers.
Processo de Reembolso
Se as tarifas forem consideradas ilegais, segundo Mullins, fornecer um reembolso deverá ser tão simples quanto foi quando a Alfândega dos EUA automaticamente reembolsou os deveres do Sistema Geral de Preferências para importações elegíveis entre 1º de janeiro de 2018 e 21 de abril de 2018. "Com o GSP, as importações eram registradas de uma maneira específica, e foi um processo simples com a Alfândega enviando o dinheiro de volta para os importadores", disse Mullins.
Ela ainda acrescentou que, por causa das tarifas aplicadas pela IEEPA serem sendo detalhadas, o processo de reembolso seria semelhante e, teoricamente, mais rápido. "Mas a nossa compreensão é que, se houver um reembolso, pode ser um pouco mais complicado", disse Mullins. "Porque o governo federal está afirmando que esse dinheiro é realmente importante para as finanças dos EUA, isso pode exigir que os importadores precisem solicitar a devolução desse montante".
Para que isso aconteça, detalhou Mullins, apenas os corretores de alfândega poderão preencher uma Correção Pós Resumo, que seria apresentada apenas para a tarifa específica que está sendo revogada. Esse documento seria enviado à Alfândega, que o revisaria e aprovaria.
Na sua avaliação, a verdadeira complexidade reside em como os corretores de alfândega — que já enfrentam escassez de pessoal experiente — administrarão o aumento esperado de processos de solicitação. "Eles estão lidando com novas tarifas de remédios comerciais, como as 301 e 232, juntamente com novas adições derivadas de 232 que continuarão a ser acrescentadas a cada 90 dias", alertou Mullins.
Coleta de Receita e Expectativas
O governo federal arrecadou quase 195 bilhões de dólares em receita provenientes de tarifas durante o ano fiscal de 2025, até 30 de setembro de 2025. A coleta de tarifas continua enquanto a Suprema Corte pondera sua decisão.
Advogados de comércio alertam que o volume de documentação apresentado pela Alfândega deverá aumentar se a Suprema Corte decidir que algumas tarifas são legais e outras não. Nesse cenário, a recuperação das tarifas poderia se tornar mais demorada e difícil para as empresas americanas. "Isso será um enorme fardo de documentação para as empresas", afirmou Joyce Adetutu, sócia do escritório de advocacia Vinson & Elkins.
Ela observou que, embora a documentação seja feita em uma base por linha de item, algumas dessas remessas contêm milhares de produtos que estão intercalados, e alguns estavam sujeitos à IEEPA e outros não. "Você também teve taxas de tarifas mudando várias vezes”, acrescentou. “Vai levar um bom tempo para desvendar tudo isso, e será uma carga administrativa pesada". Adetutu também destacou que "a Alfândega e a Patrulha de Fronteira vão precisar de pelo menos um tempo significativo para conseguir reembolsar os importadores americanos".
Fonte: www.cnbc.com


