Dólar se desvaloriza e encerra leve queda a R$ 5,29 com commodities e aumento das apostas pela manutenção da taxa de juros nos EUA

Dólar se desvaloriza e encerra leve queda a R$ 5,29 com commodities e aumento das apostas pela manutenção da taxa de juros nos EUA

by Ricardo Almeida
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Desempenho do Dólar em Relação ao Real

O dólar encerrou a semana com uma tendência de queda em relação ao real, mantendo-se na mesma posição em que começou. Fatores como a valorização significativa das commodities e a possibilidade de alteração na postura do Federal Reserve em relação à política monetária contribuíram para as movimentações do câmbio.

Nesta sexta-feira (14), o dólar à vista (USDBRL) fechou a sessão cotado a R$ 5,2983, apresentando uma leve queda de 0,02%.

Esse movimento diverge da tendência observada no cenário externo. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, que é um indicador que compara o dólar a uma cesta de seis moedas globais, incluindo o euro e a libra, estava em alta de 0,15%, atingindo 99,304 pontos.

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Na análise da semana, o dólar à vista apresentou uma desvalorização acumulada de 0,72% em relação ao real.

Fatores que Influenciaram o Dólar

O câmbio contou com mais um dia agitado sob a influência das decisões de política monetária dos Estados Unidos. Novas declarações de autoridades financeiras aumentaram as incertezas acerca da continuidade do ciclo de cortes nas taxas de juros americanas.

O presidente da unidade do Federal Reserve (Fed) em Kansas City, Jeffrey Schmid, mencionou que suas preocupações em relação à inflação “muito aquecida” extrapolam os efeitos limitados das tarifas. Segundo ele, o esfriamento no mercado de trabalho dos EUA é resultado de mudanças estruturais e não pode ser sustentado por juros mais baixos. Na interpretação de Schmid, os cortes nas taxas podem dificultar a convergência da inflação em direção à meta de 2% estabelecida pelo Fed.

“Essa foi a justificativa que me levou a discordar do corte das taxas na última reunião e continua a informar minhas opiniões para a reunião de dezembro”, afirmou Schmid durante uma conferência sobre energia, coorganizada pelas unidades do Fed de Dallas e Kansas City em Denver, ressaltando que sua decisão nas próximas reuniões será baseada em dados coletados nas semanas seguintes.

Ele ainda ressaltou: “Acredito que a atual postura da política monetária é apenas modestamente restritiva, o que é aproximadamente onde eu acho que ela deveria estar.”

Na reunião de outubro, Schmid foi um dos poucos a votar contra a redução da taxa de juros em 0,25 ponto percentual, que passou a variar entre 3,75% a 4,00%.

A declaração de Schmid complementa as considerações da presidente da unidade do Fed de San Francisco, Mary Daly, que, até ontem (13), era uma defensora dos cortes nas taxas de juros. Durante um evento em Dublin, Daly afirmou que qualquer decisão sobre o assunto, a cerca de quatro semanas da próxima reunião de política monetária, seria “prematura”.

Impactos do Shutdown do Governo

Além da possível mudança na postura do Banco Central, o mercado também busca entender os impactos econômicos resultantes do mais longo fechamento do governo norte-americano, conhecido como shutdown, que se encerrou na noite da última quarta-feira (12) após durar 43 dias.

Projeções feitas pelo Congresso dos Estados Unidos sugerem que um shutdown que se estender por seis semanas pode repercutir negativamente no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre, reduzindo-o em até 1,5 ponto percentual.

Os atrasos nas divulgações de dados econômicos seguirão impactando as análises do mercado. A Casa Branca já indicou que tanto o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) quanto o relatório de empregos (payroll) não deverão ser contabilizados, o que pode comprometer permanentemente partes das séries históricas, além da análise do Fed, que depende desses indicadores para ajustar sua política monetária.

A próxima reunião do Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC) está prevista para os dias 9 e 10 de dezembro. Perto do fechamento do pregão, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava que havia 54,1% de chance de que o Fed mantivesse os juros na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano. A probabilidade de corte de 0,25 ponto percentual era de 45,9%.

Valorização de Commodities

Em relação ao real, o dólar viu uma perda de força, impulsionada pela forte valorização do petróleo e do minério de ferro, que tende a favorecer países que são exportadores de matérias-primas. No fechamento do pregão, os contratos futuros do petróleo Brent, com vencimento em janeiro, encerraram as negociações com alta de 2,19%, atingindo US$ 64,39 por barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

O contrato futuro mais líquido do minério de ferro, que também vence em janeiro, subiu 0,26%, alcançando 772,5 yuans (equivalente a US$ 108,86) por tonelada, na Bolsa de Dalian, na China.

“O dólar voltou a apresentar queda ao longo da sessão, impulsionado pela alta do petróleo, que atraiu fluxo comercial no mercado à vista, além do alívio proporcionado pelo reagendamento dos dados econômicos americanos atrasados após o shutdown, reduzindo incertezas e melhorando o clima global”, analisou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comunicado.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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