Ações da Raízen Apresentam Queda
As ações da Raízen (código RAIZ4) registraram um recuo de 5,75% por volta das 10h25 desta segunda-feira, dia 17. Na última sexta-feira, dia 14, a companhia anunciou um prejuízo de R$ 2,3 bilhões no segundo trimestre da safra 2025/2026 (2T26).
Análise dos Resultados
De acordo com a XP Investimentos, os resultados financeiros da Raízen foram considerados adequados, tanto em termos de lucro quanto em fluxo de caixa livre (FCF). Entretanto, a agência acredita que um único trimestre não é suficiente para minimizar as preocupações do mercado em relação à estrutura de capital da empresa.
Os analistas ressaltaram que o Ebitda ajustado apresentou um desempenho abaixo das expectativas, refletindo dificuldades encontradas nos segmentos de Açúcar e Etanol (S&E) e Mobilidade na Argentina. Essa situação contrastou com o desempenho positivo da Mobilidade no Brasil. Mesmo assim, o Ebitda atingiu R$ 3,2 bilhões, alinhando-se às estimativas do mercado.
Dívida e Fluxo de Caixa
No que se refere ao fluxo de caixa livre, a Raízen viu um aumento na sua dívida líquida e na alavancagem. Essa situação é atribuída ao processo de substituição dos forfaits por dívida de longo prazo, um movimento que, segundo os analistas Leonardo Alencar, Samuel Isaak e Pedro Fonseca, é avaliado positivamente, pois melhora o perfil da dívida e a clareza das demonstrações financeiras.
Surpreendentemente, o fluxo de caixa livre apresentou um desempenho acima do esperado. Os cálculos da XP, que contemplam os forfaits e leasing, indicam que a dívida líquida caiu em R$ 745 milhões, em comparação à expectativa de consumo de caixa. Esse resultado se deve a alguns fatores:
- Redução significativa do Capex (despesas de capital);
- Ingressos financeiros originados da venda de ativos, sendo que dos aproximadamente R$ 5 bilhões anunciados, cerca de R$ 1 bilhão já foi recebido, enquanto o restante está previsto para ser recebido até o fim da safra 2025/2026, segundo informações da administração.
Desempenho do ND/EBITDA
Apesar da redução na dívida líquida, o índice de relação entre dívida líquida e Ebitda (ND/EBITDA), segundo a XP, aumentou para 4,5x. Esse aumento foi causado pela queda nos lucros da empresa. Mesmo enfrentando desafios como alta alavancagem, fluxo de caixa livre limitado e margens deprimidas nos segmentos de Açúcar e Etanol, a XP identificou alguns pontos positivos:
- Uma redução expressiva de 26% em despesas gerais e administrativas (A&A) em comparação ao ano anterior, resultando em uma queda de 23% no acumulado do primeiro semestre de 2025;
- Margens consistentes no setor de distribuição de combustíveis, que superam as de empresas concorrentes listadas na bolsa;
- Controle nas despesas de capital (Capex), contribuindo assim para a preservação de caixa;
- Cobertura de aproximadamente 95% do açúcar disponível, com cerca de 50% do total, com preços atrativos assegurados para o ciclo 2026/27.
Fonte: www.moneytimes.com.br


