Problemas de Software Afetam a Frota de A320 da Airbus
Impacto Global
Milhares de viajantes ao redor do mundo ficaram presos depois que a Airbus ordenou correções imediatas de software para 6.000 aeronaves da série A320. Essa decisão afetou mais da metade da frota de aviões narrow-body e forçou diversas companhias aéreas a immobilizarem suas aeronaves durante um dos fins de semana de viagem mais movimentados do ano.
O comunicado representa um dos maiores recall da história dos 55 anos da Airbus e rapidamente se espalhou pelas viagens de férias nos Estados Unidos, estendendo-se também até a Austrália. A interrupção, relacionada a flares solares, afetou especialmente a região da Ásia, onde a família A320 é fundamental para as redes de voos de curto alcance.
Reações das Companhias Aéreas
A American Airlines, a maior operadora de A320 do mundo, informou à CNBC que o recall da Airbus afetou 209 aeronaves, um número reduzido em relação às mais de 340 inicialmente identificadas. Segundo a companhia, "até às 18h CT, a American tem menos de 150 aeronaves restantes para atualizar". A empresa espera que a grande maioria dessas atualizações seja concluída ainda no mesmo dia e durante a noite, com apenas algumas poucas aeronaves permanecendo para conclusão no dia seguinte.
A United Airlines informou que seis aeronaves em sua frota foram afetadas, mas a companhia esperava que a situação causasse "interrupções menores em alguns voos". Por sua vez, a Delta Air Lines comunicou que menos de 50 aeronaves de sua frota Airbus A320 foram impactadas pela questão.
Efeitos no Japão
No Japão, a ANA Holdings cancelou 95 voos domésticos no sábado, afetando aproximadamente 13.200 passageiros. Esta companhia, que opera a maior frota narrow-body da Airbus do país, além de afiliadas como a Peach Aviation, teve seus planos de voo comprometidos. A Japan Airlines, por outro lado, baseia-se principalmente em aeronaves Boeing e não foi tão afetada.
Situação na Índia e na Austrália
A Air India, parcialmente controlada pela Singapore Airlines, informou que já havia completado atualizações de software para mais de 40% de suas aeronaves afetadas, garantindo que não houve cancelamentos de voos, embora algumas operações tenham sido atrasadas ou remarcadas. A Scoot, outra companhia do grupo Singapore Airlines, afirmou que 21 de suas 29 aeronaves A320 precisavam da correção e que o objetivo era concluir o trabalho até o sábado.
Na Austrália, a Jetstar Airways teve que cancelar cerca de 90 voos após identificar 34 aeronaves que requeriam a correção de software. Um porta-voz da Jetstar declarou: "Às 15h30 [horário local], 20 das 34 aeronaves afetadas estão prontas para retornar ao serviço. Esperamos que as restantes estejam prontas durante a noite, permitindo que os voos retornem como planejado no domingo, 30 de novembro".
A companhia aérea de baixo custo, juntamente com sua empresa-mãe Qantas, que é a transportadora nacional da Austrália, detém aproximadamente 65% do mercado doméstico. A rival Virgin Australia, que possui quatro A320 em sua frota e uma participação de 35%, informou que não foi afetada pelo recall.
Ação dos Reguladores
A Agência Europeia de Segurança Aérea anunciou, em uma diretiva na sexta-feira, que um voo da JetBlue, realizado no dia 30 de outubro, experimentou um “evento de descida de por um comando não intencionado”. Posteriormente, a Administração Federal de Aviação dos EUA emitiu uma diretiva de emergência ordenando que os operadores do modelo afetado resolvessem a falha.
A Airbus confirmou que emitiu a ordem após identificar que "a intensa radiação solar" poderia ter corrompido dados essenciais para o funcionamento dos controles de voo. Os reguladores alertaram que o problema poderia levar, em um pior cenário, a "um movimento involuntário do elevador".
Fonte: www.cnbc.com


