A falência da Roomba pode prejudicar muito mais do que apenas um fabricante de aspiradores robóticos.

A falência da Roomba pode prejudicar muito mais do que apenas um fabricante de aspiradores robóticos.

by Patrícia Moreira
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Introdução

Ruth Horne, residente em Los Angeles e com 76 anos, se deixou levar por uma oferta e comprou o que pensava ser um Roomba para aspirar sua casa. No entanto, a experiência culminou em frustração.

A Decepção com a Compra

"Ele ficava preso em algum lugar e então começava a andar em círculos", relatou Horne. Em seguida, ela percebeu que havia adquirido um modelo mais barato e de qualidade inferior.

Por outro lado, Marcy Lewis, de 75 anos, moradora de Madeira, Ohio, estava interessada em um aspirador robô e decidiu optar por um modelo genérico. "Sou um pouco low-tech, mas parecia uma boa ideia — casa mais limpa, menos trabalho", explicou Lewis. Ela estava acompanhando as vendas do Prime Day e conseguiu um bom desconto em um aspirador robô Eufy. "Eu realmente gostei e ele funcionou bem, mas não durou muito tempo", complementou.

A Qualidade do Produto

A qualidade dos produtos era um dos pontos fortes do Roomba em meio a uma infinidade de cópias mais baratas. No entanto, isso não impediu a empresa fabricante, a iRobot, de declarar falência, um evento anunciado na última semana. A competição de baixo custo proveniente da China não foi o único motivo para a queda da empresa. Uma tentativa de aquisição da iRobot pela Amazon, feita em 2022, foi inviabilizada por órgãos reguladores. As dinâmicas que cercam fusões e aquisições (M&A) representam uma preocupação constante para empresas de tecnologia em dificuldades, que, no passado, costumavam ver em M&A uma possibilidade de salvação.

Em agosto de 2022, a Amazon concordou em pagar 1,7 bilhão de dólares pela iRobot, que, em uma declaração de falência apresentada no último domingo, informou possuir entre 100 milhões e 500 milhões de dólares em ativos e passivos, devendo cerca de 100 milhões de dólares ao seu maior credor, a Shenzhen Picea Robotics Co., fabricante sob contrato localizada na China e no Vietnã, que agora a controla. No total, a Reuters reportou que a empresa possui 190 milhões de dólares em dívidas.

Declaração do CEO

Colin Angle, cofundador e CEO da iRobot, expressou sua decepção sobre a situação: "O resultado de hoje é profundamente decepcionante — e poderia ter sido evitado", afirmou em um comunicado à CNBC. "Isso é nada menos que uma tragédia para os consumidores, para a indústria de robótica e para a economia de inovação dos Estados Unidos."

Em janeiro de 2024, o CEO da Amazon, Andy Jassy, comentou que os esforços dos reguladores para bloquear o negócio eram uma "história triste" e mencionou que isso teria proporcionado à iRobot uma vantagem competitiva sobre seus concorrentes.

Opinião dos Especialistas

Alguns especialistas em M&A compartilham a mesma visão tanto da potencial compradora quanto da empresa em falência. Kristina Minnick, professora de finanças na Bentley University, declarou: "O caso da iRobot demonstra que, quando os reguladores priorizam danos hipotéticos futuros em detrimento das realidades financeiras atuais, eles não protegem a competição; eles destroem a empresa alvo." Ela ressaltou que a falência da iRobot serve como um alerta para o ambiente atual de M&A, destacando preocupações sobre os reguladores desmantelando a rede de segurança tradicional para empresas em dificuldades.

Para ela, aquisições são uma parte essencial do ciclo de reciclagem de ativos e de crescimento econômico. Contudo, os reguladores, nos Estados Unidos e na Europa, adotaram uma postura que, segundo ela, "distorce esse ciclo natural". Ao barrar a aquisição da iRobot pela Amazon, os reguladores eliminaram a única saída viável para uma pioneira americana da robótica enfrentando dificuldades.

Ironia da Situação

"A trágica ironia é que, em vez de continuar como uma concorrente independente, a iRobot foi forçada à falência e agora está sendo vendida a um de seus parceiros de fabricação chinês. Em sua ânsia para prevenir a expansão das grandes empresas de tecnologia, os reguladores efetivamente entregaram propriedade intelectual valiosa e participação de mercado aos mesmos concorrentes estrangeiros que estavam esmagando a empresa desde o início", completou Minnick.

Desafios Adicionais

A iRobot enfrentou desafios além das dificuldades relacionadas a M&A, incluindo problemas financeiros exacerbados pela política comercial da administração Trump. Ragini Bhalla, chefe de marca da Creditsafe, observou que a empresa começou a atrasar pagamentos a fornecedores de três a quatro semanas a partir de maio. Essa volatilidade no pagamento é geralmente um sinal inicial de pressão de liquidez em desenvolvimento. Bhalla também mencionou que a pontuação de crédito da iRobot caiu continuamente ao longo de cinco meses até ser classificada como "Muito Alto Risco" em junho de 2025, permanecendo nessa classificação até a declaração de falência.

Ela destacou que a receita da empresa caiu em meio à crescente concorrência de rivais chineses de menor preço, com tarifas se tornando um acelerador de custos significativo. "A maioria dos Roombas é fabricada no Vietnã, expondo a iRobot a novas tarifas de importação dos EUA que acrescentaram milhões em custos e prejudicaram o planejamento futuro", disse Bhalla. A combinação de dívida elevada, demanda em queda e pressão de custos impulsionada por tarifas levou a iRobot a uma aquisição liderada por um fabricante por meio da falência.

A Perspectiva Futura

Eric Schiffer, presidente da Reputation Management Consultants, comentou sobre a situação: "O Roomba não apenas ficou sem bateria; ele foi empurrado para o Capítulo 11 depois que reguladores europeus barraram a saída de 1,4 bilhão de dólares da Amazon e deixaram a empresa sangrando em dinheiro. A Amazon se afastou, tarifas surgiram, concorrentes baratos invadiram, e de repente, o rei dos aspiradores robôs está implorando ao seu próprio fabricante para salvar sua situação crítica."

Jay Jung, sócio-gerente na Embarc Advisors, uma empresa de consultoria financeira corporativa com sede em San Francisco, disse que a falência da iRobot é um sinal preocupante para futuros negócios semelhantes se os reguladores não aprenderem as lições dos últimos anos. "Os reguladores europeus estão dentro de seus direitos ao bloquear esses negócios", afirmou, acrescentando que "sua postura está muito inclinada para o anti-big tech. Quando uma empresa chinesa assim toma o controle, ela preserva a marca, mas tudo se desloca para a China — empregos perdidos e qualquer outro benefício econômico além da marca desaparece."

Enquanto isso, Marcy Lewis, de Ohio, apenas deseja um Roomba funcional. "Estou surpresa com a falência, mas não sinto que isso me afete. Também estou desapontada que uma empresa chinesa esteja comprando a Roomba — infelizmente, parece ser o que acontece agora. É bom comprar americano, mas está cada vez mais difícil."

Fonte: www.cnbc.com

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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