IPCA-15 e a Inflação em 2025
A prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) registrou um aumento de 0,25% em dezembro, encerrando o ano de 2025 com uma alta acumulada de 4,41%, conforme os dados divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (23).
Comparação com o Mês Anterior
Embora esse número apresente uma aceleração em relação ao mês anterior, em que houve uma alta de 0,20%, o resultado permanece dentro do teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central (BC), que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Fatores Contribuintes para a Alta do IPCA-15
De acordo com Matheus Pizzani, economista do PicPay, a variação observada em dezembro é majoritariamente influenciada por fatores sazonais que afetam componentes com peso significativo no índice. Dentre eles, destacam-se as elevações nas passagens aéreas (+12,71%) e no transporte por aplicativo (+9%).
Além disso, embora vários itens tenham apresentado deflação durante o período — como o tomate (-14,53%), o leite longa vida (-5,37%) e o arroz (-2,37%) — o grupo de alimentação e bebidas continuou a se afastar do campo da deflação com um avanço de 0,13%.
Expectativas Para o Futuro
Pizzani observa que o dado final de dezembro deve refletir de maneira mais precisa o cenário esperado para o período. Ele destaca que, além da maior pressão sobre os preços dos alimentos devido ao aumento da demanda na segunda quinzena do mês, também há a reversão dos descontos apresentados na Black Friday sobre bens industriais e uma continuidade da pressão em serviços relacionados ao turismo e lazer.
Projeções de Inflação
Em sua análise, Pizzani afirma que, apesar da presença de fatores sazonais, a falta de indicadores que sinalizem uma melhora na perspectiva do IPCA não altera o cenário prospectivo. A projeção da inflação para 2025 permanece em 4,4%, ainda dentro do limite superior da meta, enquanto o início dos cortes na taxa de juros está previsto para março.
Por sua vez, Alexandre Maluf, economista da XP Investimentos, considerou que a decomposição do IPCA-15 apresentou resultados levemente piores do que o esperado, reforçando a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve iniciar o ciclo de flexibilização apenas ao final do primeiro trimestre de 2026. Ele ainda avalia que as métricas de serviços superaram as expectativas, com uma reaceleração nos indicadores. Para 2025, a XP mantém sua estimativa de inflação em 4,3% e projeta 4,2% para 2026, com um leve viés de baixa.
Análise do Itaú BBA
O Itaú BBA destacou "surpresas baixistas" em passagens aéreas e hospedagem, enquanto o item vestuário apresentou resultados acima das expectativas do banco. A instituição observou que o IPCA-15 ficou abaixo da sua projeção, com a surpresa concentrada em passagens aéreas. Apesar do número geral ter sido menor, o componente qualitativo se mostrou pior do que o esperado, evidenciando pressões altistas tanto em serviços subjacentes (como estética e alimentação) quanto em bens industriais (como vestuário e aparelhos eletrônicos). Assim, o Itaú BBA reduziu sua projeção para o IPCA fechado de 2025 para 4,3%, em comparação a 4,4% anteriormente previsto.
Expectativa de Serviços e Alimentação
Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos, avaliou que o resultado se alinha às expectativas, mas com um qualificador pior. Os serviços subjacentes apresentaram resultados superiores ao esperado, confirmando a previsão de reaceleração neste final de ano.
Por outro lado, o economista Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, comentou que os dados de dezembro indicam uma inflação ainda sob pressão em serviços, mas com sinais significativos de alívio nos preços de alimentação no domicílio e em bens industriais.
Conclusão Sobre o Cenário da Inflação
Em resumo, as informações mostram que o IPCA-15 confirma um cenário de inflação sob controle, embora ainda consideravelmente distante de uma situação confortável, ressaltando a necessidade de uma abordagem disciplinada, tanto do ponto de vista monetário quanto fiscal, para o ano de 2026.
Fonte: www.moneytimes.com.br


