No início do ano, diversas contas se acumulam, incluindo o pagamento de dois impostos principais: o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano).
Os proprietários de veículos e imóveis, portanto, devem se programar para evitar multas e manter o orçamento sob controle.
De acordo com economistas, o recomendado é optar pelo pagamento à vista do IPVA e IPTU, pois isso pode garantir vantagens, como descontos no valor total.
Por outro lado, quando os recursos necessários para a quitação desses impostos não estão disponíveis, o parcelamento pode representar a melhor alternativa para não comprometer reservas de emergência e outros fatores financeiros.
Uma das principais orientações de especialistas é a importância do planejamento antecipado, já que tanto o IPVA quanto o IPTU não são gastos inesperados.
“Quando o orçamento está organizado e os tributos foram previstos, a família consegue enfrentar o início do ano com mais tranquilidade, sem comprometer contas essenciais ou recorrer a crédito.”, afirma Aline Vieira, especialista em educação financeira da Serasa.
Entendendo o IPVA e o IPTU
O IPVA, que é um tributo estadual, é cobrado anualmente de proprietários de veículos, como carros, caminhões, motocicletas e ônibus. O não pagamento na data correta pode gerar juros, multas e complicações durante as fiscalizações de trânsito.
Além disso, a falta de regularização do IPVA impede que o licenciamento do veículo seja renovado.
Por sua vez, o IPTU é um tributo municipal que incide anualmente sobre proprietários de imóveis situados em áreas urbanas, abrangendo casas, apartamentos, terrenos e salas comerciais. Em geral, o responsável pelo pagamento do imposto é o proprietário do imóvel, mas em contratos de aluguel podem existir acordos que atribuem essa responsabilidade ao inquilino.
As prefeituras costumam enviar as guias do IPTU entre o final do ano e o início de janeiro, e os prazos para pagamento normalmente se concentram nos primeiros meses do ano, variando conforme o município.
É fundamental ficar atento ao calendário fiscal para evitar atrasos e taxas adicionais.
Opções de Pagamento: À Vista ou Parcelado?
De acordo com Vieira, a melhor forma de lidar com o pagamento do IPTU e do IPVA varia conforme a situação financeira de cada indivíduo. A escolha ideal é a que não comprometerá a saúde financeira da família ao longo do ano.
A principal vantagem do pagamento à vista é que, na maioria das vezes, estados e municípios oferecem descontos para quem antecipa o pagamento. Além disso, essa opção pode proporcionar mais tranquilidade, ao eliminar parcelas ao longo do ano e facilitar a organização do orçamento dos meses seguintes.
A especialista explica que o pagamento à vista é benéfico se a pessoa já tiver o valor reservado. “Recorrer à reserva de emergência ou comprometer o orçamento logo no início do ano pode causar desorganização financeira e até levar ao endividamento posteriormente.”
O parcelamento pode ser uma alternativa viável para aqueles que começam o ano com muitas despesas acumuladas. Nesse caso, o parcelamento pode diluir o impacto financeiro, mantendo o controle orçamentário e evitando o uso de crédito mais onerosos, segundo a especialista.
Entretanto, a desvantagem do parcelamento é que, na maioria das situações, não há desconto, além de ser necessário ter disciplina para evitar atrasos nas parcelas, uma vez que multas e juros podem tornar-se um peso no orçamento.
Descontos de Pagamento à Vista
Diversos estados oferecem descontos para quem realiza o pagamento à vista do IPVA. Por exemplo, no Espírito Santo, a Serasa destaca que o proprietário de um carro de passeio avaliado em R$ 50 mil, com uma alíquota de 2%, pode pagar à vista da seguinte forma:
● Valor total do IPVA: R$ 1.000
● IPVA com desconto por pagamento à vista: R$ 850
Para facilitar a realização do pagamento dos impostos à vista, economistas indicam a necessidade de guardar, ao longo do ano, um valor mensal destinado à quitação do IPVA e IPTU.
Além disso, é aconselhável consultar o calendário dos impostos com antecedência, incluir esses valores no planejamento financeiro anual e evitar deixar o pagamento para o último momento.
Em relação ao IPTU, algumas prefeituras também disponibilizam descontos para aqueles que realizam o pagamento à vista ou dentro de um determinado período. Ademais, existem programas específicos de abatimento do valor do imposto, principalmente voltados a pessoas com deficiência, aposentados, pensionistas e proprietários de imóveis de baixo valor venal.
De acordo com a Serasa, é aconselhável consultar a prefeitura para verificar se há enquadramento em algum grupo elegível para isenção do IPTU.
Além disso, a presença de dados incorretos sobre o imóvel, como uma metragem maior do que a real ou um uso cadastrado de forma equivocada, pode aumentar o valor do IPTU a ser pago.
Comparando Descontos e Rendimentos
Os consumidores podem avaliar o desconto oferecido no pagamento à vista do IPVA e IPTU em comparação ao potencial de rendimento desse valor investido.
Os economistas explicam que, se a rentabilidade superar o desconto, pode ser vantajoso manter o dinheiro investido e optar pelo parcelamento, desde que isso não cause desorganização financeira.
Para Guilherme Almeida, especialista em educação financeira na Suno Research, é importante considerar o rendimento das aplicações financeiras, mesmo que não seja o fator mais preponderante.
O especialista destaca que os juros estão elevados, possibilitando uma remuneração de aproximadamente 1% ao mês em aplicações conservadoras.
O IPTU, dependendo do município, pode oferecer descontos que variam entre 3% e mais de 10% para pagamentos realizados à vista. Quanto ao pagamento parcelado, na maioria das situações, não há incidência de juros.
“Com essas informações em mente, pode ser vantajoso optar por uma aplicação financeira, que em muitos casos pode oferecer mais de 12% de rendimento, já descontados os impostos, e parcelar o IPTU.”, afirma Anderson Diorge Schug, Consultor de Investimentos do Sistema Ailos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

