A Venezuela e Suas Reservas de Petróleo
A Venezuela possui a maior reserva de petróleo do mundo, com aproximadamente 303 bilhões de barris. No entanto, a exploração desse recurso enfrenta desafios técnicos e geopolíticos significativos. Após a captura de Nicolás Maduro, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou 18 vezes a palavra “petróleo” ou “petrolíferas” em seu primeiro pronunciamento público sobre a questão, o que revela o interesse americano nesse recurso natural venezuelano. Durante um programa ao vivo da CNN, Diego Pavão, editor de Internacional, e Pedro Côrtes, analista de Clima e Meio Ambiente, discutem os desafios que envolvem a exploração de petróleo no país.
Interesses Americanos no Petróleo Venezuelano
Especialistas afirmam que Trump pretende usar o petróleo venezuelano como um meio de compensação por prejuízos que os Estados Unidos enfrentaram. Durante o período do chavismo, muitas empresas americanas que operavam na Venezuela foram nacionalizadas, resultando em perdas significativas para os investidores dos EUA. Contudo, essa intenção de se apropriar do petróleo venezuelano encontra resistência de países como China e Rússia, que são os principais credores da Venezuela e enxergam nesse petróleo uma garantia para os empréstimos que concederam ao país sul-americano.
Desafios Técnicos e Investimentos Necessários
A infraestrutura da Petróleos de Venezuela (PDVSA), a estatal responsável pela exploração de petróleo, está extremamente defasada. Isso ocorre em razão de anos de má gestão, escassez de investimentos e corrupção. Além disso, a qualidade do petróleo venezuelano apresenta um desafio importante. Segundo Pedro Côrtes, analista de Clima e Meio Ambiente da CNN, o petróleo venezolano não pode ser considerado pior, mas é destinado a produtos específicos, como o diesel, que é muito importante, ou outros tipos de combustíveis e óleos mais densos.
Esse tipo de petróleo exige instalações específicas para seu processamento, uma vez que não pode ser tratado em qualquer refinaria. A sua alta viscosidade causa dificuldades, pois em temperatura ambiente ele pode entupir os oleodutos, necessitando da adição de solventes como nafta para facilitar o seu transporte e tratamento. Atualmente, a China se destaca como o principal comprador deste petróleo, absorvendo cerca de 70% das exportações venezuelanas.
Prazos e Viabilidade Econômica
Para que a exploração do petróleo venezuelano seja retomada de forma vigorosa, seriam necessários cerca de cinco anos de trabalho e a injeção de bilhões de dólares em investimentos. Pedro Côrtes ressalta que cinco anos seriam suficientes para restaurar a infraestrutura, uma vez que os poços são áreas conhecidas. Diferentemente de novas áreas de exploração, como a margem equatorial brasileira, que podem levar até oito anos para iniciar a produção, os campos da Venezuela já estão mapeados e analisados.
O atual cenário de baixa cotação do petróleo também representa um obstáculo para os investimentos, já que a geração de caixa das empresas está reduzida. No entanto, nenhuma companhia petrolífera deseja abrir mão do acesso a 17% das reservas conhecidas mundialmente. As petrolíferas americanas têm uma visão de longo prazo nesse sentido, considerando projetos para os próximos 10, 20 ou até 30 anos, tal como ocorre em atividades de mineração.
Instabilidade Política como Obstáculo
Um dos maiores impedimentos para a exploração do petróleo venezuelano é a instabilidade política que persiste no país. As empresas não estão dispostas a investir quantias bilionárias sem garantias jurídicas e políticas que garantam um retorno seguro a longo prazo. Diego Pavão, editor de Internacional da CNN, menciona que há consultorias que cobram altos valores para analisar com precisão esse fator de risco político, uma vez que, no momento, não há garantias de segurança.
Atualmente, a Chevron é a única empresa americana com licença especial para explorar o petróleo na Venezuela, o que levanta preocupações sobre uma possível concorrência desleal, caso outras companhias americanas decidam entrar no mercado. Qualquer decisão acerca da exploração desse recurso natural terá que levar em consideração não somente os desafios técnicos e financeiros, mas também as complexas relações geopolíticas que envolvem países como China e Rússia, que têm interesses diretos nas reservas petrolíferas da Venezuela, visto que estas servem como garantia para as dívidas que o país contraiu.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

