Desdobramentos na StoneCo
O mercado reagiu de forma negativa à saída do presidente-executivo da StoneCo (STNE), Pedro Zinner, que apresentou seu pedido de renúncia a partir de março, alegando questões pessoais. Como resultado, as ações da empresa sofreram uma queda de quase 7% no pregão de ontem em Nova York.
Recomendação do BTG Pactual
Apesar da queda nas ações, o BTG Pactual mantém a sua recomendação de compra das ações da Stone, estabelecendo um preço-alvo de US$ 19 para os próximos 12 meses, o que representa um potencial de valorização de 35%. O banco analisou que a gestão de Zinner se concentrou na reorganização da empresa após um período conturbado, destacando a importância da estrutura, governança, disciplina e responsabilidade sobre resultados. O momento da renúncia, no entanto, surpreendeu os analistas do mercado.
De acordo com o BTG, “Zinner assumiu o cargo de CEO em março de 2023, um período relativamente curto, e a percepção predominante é que a execução estava avançando na direção correta, apoiada por metas ambiciosas para 2027, incluindo um programa de remuneração da gestão fortemente ligado à entrega de resultados”.
Estratégia da Empresa
Durante sua administração, a Stone passou por um extenso redesenho estratégico. Essa transformação incluiu a desmobilização de ativos não essenciais, como a Linx, a implementação de iniciativas significativas de eficiência e redução de custos, além de uma estrutura de alocação de capital mais disciplinada.
A Stone também reforçou seu foco em rentabilidade e execução, avançando na transição de uma empresa que operava exclusivamente com pagamentos para uma plataforma mais abrangente de serviços financeiros voltados para empreendedores brasileiros, ampliando sua relevância em áreas como bancos e crédito.
Nova Liderança
Na sequência da saída de Zinner, Mateus Scherer, que atualmente ocupa o cargo de CFO e é responsável por Relações com Investidores (RI), será o novo CEO da empresa. Diego Salgado, que é o tesoureiro da Stone, assumirá a posição de CFO e RI.
Scherer está profundamente envolvido na estratégia financeira, bem como na gestão de riscos e na alocação de capital, sendo amplamente reconhecido como um executivo tecnicamente competente e bem preparado para as novas funções. Sob a nova organização, espera-se que o papel do CEO esteja voltado para a execução, com um foco central na entrega das metas estabelecidas para 2027 nas áreas de acquiring, banco e crédito. Isso será respaldado pela criação do cargo de COO e por ajustes na liderança.
Os analistas destacam que “com a nomeação de Scherer, a empresa quis enviar uma mensagem clara de continuidade através da sucessão interna. Apesar de Mateus ainda ser relativamente jovem, está na Stone há mais de uma década e possui um profundo conhecimento da empresa”.
Além disso, após a conclusão da venda da Linx, espera-se que Sandro Bassili assuma a função de COO, uma medida considerada importante para a estabilização das operações, enquanto a empresa integra suas operações e expande sua gama de serviços financeiros.
Timing da Transição
O BTG enfatiza que o momento da transição é sensível, pois adiciona mais um elemento de mudança em uma empresa que já possui um histórico de sucesso, mas também períodos de turbulência operacional e estratégica. A Stone está buscando implementar um plano ambicioso até 2027, com metas operacionais exigentes e uma estrutura de remuneração atrelada à entrega, em um ambiente desafiador caracterizado por uma indústria de pagamentos altamente competitiva e por uma migração estratégica para serviços bancários. Além disso, a empresa enfrenta um crescimento recente mais fraco do TPV e juros elevados no Brasil.
Os analistas afirmam que “nesse contexto, a transição de gestão inevitavelmente introduz um nível adicional de incerteza”. O anúncio da renúncia de Zinner gerou um fluxo significativo de perguntas e preocupações entre investidores, sendo recebido com cautela.
Essa reação do mercado provavelmente reflete a sensibilidade em relação aos riscos de execução neste estágio do plano estratégico, especialmente em um setor onde a sustentabilidade de longo prazo de modelos puramente de pagamentos e acquiring é frequentemente questionada. A situação é ainda mais desafiadora, considerando que a Stone está em transição para um modelo bancário voltado para pequenas e médias empresas, enquanto o crescimento recente do TPV desacelerou e os juros no Brasil continuam elevados, fatores que complicam a narrativa de investimento.
Valuation da Stone
O BTG reafirma que todas as mudanças de liderança ocorreram internamente, sem que haja alteração nas prioridades estratégicas da companhia, e que a transição não impacta a comunicação recente sobre volumes, tendências operacionais ou o plano em direção às metas de 2027.
“Embora a mudança de gestão introduza um ruído de curto prazo e suscite questões compreensíveis entre os investidores, acreditamos que a transição mantém a coerência estratégica e alinha a liderança aos objetivos de longo prazo da empresa”, concluem os analistas. Atuais níveis de valuation (6,2x P/E26, excluindo Linx) mostram que as ações seguem sendo negociadas com um desconto relevante em relação ao valor intrínseco, e, com a execução contínua do plano de 2027, podem oferecer um potencial de retorno superior a 25% em relação à capitalização de mercado atual até o final de 2027.
Fonte: www.moneytimes.com.br

