Possibilidade de Acordo Comercial
O chanceler alemão, Friedrich Merz, levantou a hipótese de que a União Europeia e a Índia possam assinar um acordo de livre comércio até o final deste mês. Esta declaração foi feita após um encontro com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, na última segunda-feira, dia 12.
Visita e Projeções
Durante uma visita à cidade de Ahmedabad, localizada no oeste da Índia, Merz informou que os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu estão programados para viajar à Índia no final de janeiro. Eles se deslocarão para assinar o acordo, caso este seja finalizado até essa data. "De qualquer forma, eles darão mais um passo importante para garantir que esse acordo de livre comércio se concretize", enfatizou Merz, que realiza sua primeira visita à Índia desde que assumiu o cargo de chanceler.
Impactos para a União Europeia
Para a União Europeia, a formalização de um acordo com a Índia representaria um avanço significativo, especialmente após a recente finalização de um acordo com o Mercosul. Essa ação faz parte de uma estratégia para estabelecer suas próprias redes comerciais em resposta à reconfiguração do comércio global pelos Estados Unidos, além de contribuir para a diminuição da dependência em relação à China.
Expectativas de Negociação
Embora existisse a expectativa de que as negociações entre a UE e a Índia fossem concluídas até o final deste ano, fontes do governo alemão agora projetam que um acordo possa ser assinado até o final de janeiro. Essa nova perspectiva surgiu após "conversas muito intensas" entre Merz e Modi. O ministro do Comércio da Índia, Piyush Goyal, também ressaltou, em um evento no estado de Gujarat, que o acordo está próximo de suas etapas finais.
Tensão do Protecionismo Global
Análise de Merz sobre o Comércio Internacional
Em suas declarações, Merz alertou que o mundo está passando por um "renascimento do protecionismo infeliz", o que tem impactos negativos tanto para a Alemanha quanto para a Índia. Embora não tenha mencionado diretamente nenhum país, a pressão dos Estados Unidos sobre a Índia é evidente, especialmente no que diz respeito às tarifas aplicadas para encerrar as compras indianas de petróleo e gás russos. Estas compras, segundo a visão de Washington e da União Europeia, estão sendo usadas para financiar a guerra na Ucrânia.
Consequências da Guerra Comercial
Merz também chamou a atenção para como os controles de exportação da China em minerais críticos afetaram a cadeia de suprimentos, causando interrupções significativas durante o ano, principalmente devido à guerra comercial existente entre Estados Unidos e China. As montadoras alemãs, por exemplo, têm sentido os efeitos diretos dessas interrupções.
Adicionalmente, a China impôs restrições a semicondutores amplamente utilizados na indústria automobilística após o governo holandês decidir assumir o controle da Nexperia, uma empresa fabricante de chips de propriedade chinesa.
Cooperação em Segurança
Merz destacou a importância de a Alemanha trabalhar mais estreitamente com a Índia em questões de segurança, com o objetivo de reduzir a dependência indiana em relação à Rússia. Neste contexto, foi assinado um memorando de entendimento que abrange não apenas questões de segurança, mas também minerais essenciais, o setor de saúde e um centro de inovação em inteligência artificial.
Compromissos Assumidos
Durante uma coletiva de imprensa conjunta, Modi afirmou que os memorandos de entendimento assinados em relação a essas questões fornecerão um novo impulso à cooperação entre os dois países. Contudo, é importante observar que a Índia continua a colaborar estreitamente com a Rússia em questões de segurança, e uma parte significativa de seu equipamento militar é oriundo deste país. Além disso, a Índia permanece como um dos principais compradores de gás e petróleo russos, ao lado da China.
Pressões sobre a Índia
A Alemanha tem pressionado o governo indiano para que esse impeça as empresas indianas de contornar as sanções impostas à Rússia e para que reduza suas importações de energia desse país. No entanto, tais exigências têm sido negadas pela Índia até o momento.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


