O que acontece com os fundos de investimento após a liquidação da Reag? Descubra agora!

O que acontece com os fundos de investimento após a liquidação da Reag? Descubra agora!

by Fernanda Lima
0 comentários

Liquidação Extrajudicial da Reag

Apesar da intervenção realizada pelo Banco Central (BC), que resultou na liquidação extrajudicial da Reag, os fundos de investimento geridos pela empresa não são automaticamente encerrados. A autoridade monetária tomou essa medida na quinta-feira (15), alegando violação às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Proteção dos Recursos dos Investidores

Os fundos de investimento são estruturados de forma que a pessoa jurídica que os administra é distinta da instituição financeira. Essa regra foi desenvolvida para proteger os recursos dos investidores. Portanto, o patrimônio da Reag é separado do dinheiro investido, que permanece “segregado” nos fundos.

Entretanto, dado que a Reag não está mais em operação, o liquidante tem a obrigação de convocar uma Assembleia Geral com os cotistas, com o objetivo de escolher um novo administrador para o fundo. O liquidante designado para a Reag, Antônio Pereira de Souza, ex-servidor do Banco Central, já ocupou função semelhante durante parte do processo de liquidação do Banco Bamerindus.

Segregação Patrimonial

Em relação aos investidores, o dinheiro dos clientes dos fundos está protegido pela segregação patrimonial, que é um dos fundamentos do regime fiduciário, conforme explica Patrícia Palomo, economista da Arau Consulto. Assim, a liquidação da Reag não implica automaticamente em perda ou confusão dos recursos investidos nos fundos que estavam sob sua administração.

O desenho regulatório prioriza a continuidade dos fundos, permitindo a substituição do administrador fiduciário por outra instituição. O encerramento do fundo ou de sua classe de cotas acontecerá somente se for decidido em assembleia de cotistas ou se, por razões operacionais, não houver viabilidade para sua manutenção.

Quanto à escolha de um novo administrador para os fundos, a assembleia deve ser convocada em um prazo de até quinze dias. Se não houver convocação, cotistas que representem ao menos 5% do patrimônio líquido do fundo podem promover a convocação em até dez dias, conforme afirma a economista.

Impactos da Situação

Henrique Machado, ex-diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), destaca que o impacto maior na situação é o tempo que o fundo pode ficar sem um administrador, o que pode resultar em prejuízos. A Reag geria diversos fundos de investimento, tanto da área imobiliária quanto de investimentos customizados, sendo composta pela Reag Asset, Reag Seguros e Reag Wealth.

Clientes e Fundos Geridos pela Reag

Os clientes dos fundos de investimento da Reag não devem enfrentar uma perda financeira imediata, uma vez que a liquidação diz respeito à gestora, explica Paulo Feldmann, professor da FIA Business School. Um grupo de consórcio é formado por um número específico de cotas, cada um possuindo patrimônio próprio e sendo autônomo em relação aos outros grupos e à administradora de consórcios.

De acordo com informações do Banco Central, a perda de dinheiro investido depende da situação financeira específica do grupo ao qual pertence o consorciado, que será avaliada pelo liquidante. Ao contrário do que ocorreu com o banco Master, não existem mecanismos como o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) que garantam as operações realizadas por corretoras de câmbio ou fundos de investimento.

Retirada de Recursos pelos Clientes

Com a liquidação da administradora, a possibilidade de os investidores retirarem seu dinheiro varia conforme o tipo de produto, conforme explica Palomo. Nos fundos abertos, o cotista pode solicitar a retirada de recursos de acordo com as regras e prazos estabelecidos no regulamento, embora possa haver suspensão temporária de resgates devido a questões operacionais ou de liquidez.

Por outro lado, nos fundos fechados, não há direito ao resgate a qualquer momento, o que significa que a saída do investimento se dá por meio de amortização, encerramento do fundo ou negociação no mercado secundário, caso exista.

A estrutura jurídica de um fundo de investimento é projetada para impedir qualquer comunicação entre o patrimônio líquido do fundo, que pertence exclusivamente aos cotistas, e o patrimônio da instituição que o administra.

Patrícia Palomo, economista da Arau Investimentos

As carteiras dos fundos permanecem preservadas e separadas do patrimônio da Reag, garante a economista. Os ativos pertencem ao fundo e não são incluídos na massa de ativos da instituição liquidada. O que pode ocorrer é uma “transição operacional”, na qual a gestão, controles e demais rotinas sejam transferidos para um novo administrador fiduciário, sem que isso cause mudanças na composição da carteira.

Possibilidade de Ninguém Aceitar Administrar os Fundos

Segundo a economista, se nenhuma instituição estiver disposta a assumir a administração fiduciária dos fundos, a regulamentação prevê um processo de liquidação ordenada. Neste cenário, a assembleia de cotistas pode deliberar sobre a liquidação do fundo ou da classe, elegendo um administrador para conduzir o processo.

Se em até trinta dias úteis a contar da publicação do ato de liquidação extrajudicial da Reag não houver eleição de um administrador para tal fim, o Banco Central poderá nomear uma instituição para realizar a liquidação do fundo, conforme explica Palomo.

Contexto da Liquidação da Reag

Os fundos administrados pela Reag Trust estiveram envolvidos em operações fraudulentas com o Banco Master entre julho de 2023 e julho de 2024, conforme informações enviadas pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União (TCU). No relatório, a autoridade monetária destacou que as operações estavam em desacordo com normas do SFN e apresentavam falhas significativas em gestão de riscos, crédito e liquidez.

A liquidação da Reag foi realizada após a Polícia Federal, no âmbito da operação Compliance Zero, cumprir mandados de busca contra o seu fundador, João Carlos Mansur. A empresa também já havia sido alvo de investigações por supostas ligações com esquemas de lavagem de dinheiro associados à operação Carbono Oculto, que investiga a relação entre o setor de combustíveis, o PCC e empresas financeiras.

O Banco Central divulgou que continuará tomando as medidas necessárias em relação à Reag Trust para apurar responsabilidades dentro de suas competências legais. Em comunicado, a autoridade afirmou que os resultados das investigações poderão levar à aplicação de medidas sancionadoras administrativas e à comunicação às autoridades competentes, conforme as disposições legais aplicáveis. Além disso, fica estabelecido que os bens dos controladores e ex-administradores da instituição permanecem indisponíveis.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy