Ataques nas Redes Sociais
(Bloomberg) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou suas críticas nas redes sociais direcionadas a aliados europeus e ameaçou impor tarifas extremamente altas sobre vinhos franceses, destacando a importância das reuniões de alto nível programadas para esta semana em Davos.
Críticas a Macron
Na manhã de terça-feira, Trump fez uma série de comentários e postagens, atacando o presidente Emmanuel Macron por rejeitar um convite para apoiar sua mais recente iniciativa de paz, sugirindo que os Estados Unidos poderiam aplicar taxas sobre o setor agrícola da França, que é politicamente sensível.
“Ninguém o quer porque ele estará fora do cargo muito em breve”, declarou Trump a repórteres na segunda-feira, após ser informado de que Macron havia recusado seu convite. “Vou impor uma tarifa de 200% sobre seus vinhos e champanhes e ele vai se juntar”.
Mensagem de Convite
O presidente Trump também divulgou uma mensagem de texto de seu homólogo francês, na qual Macron o convidava para um jantar em Paris na quinta-feira. Macron também sugeriu reuniões com países como Ucrânia, Síria, Dinamarca e Rússia para abordar uma variedade de questões, incluindo a demanda de Trump para que os Estados Unidos assumam a Groenlândia, alegando questões de segurança.
“I don’t understand what you are doing on Greenland”, disse Macron a Trump no texto, que foi confirmado por um oficial francês.
Conflitos com Líderes Europeus
Enquanto se dirige ao Fórum Econômico Mundial em Davos nesta semana, Trump está acirrando várias disputas com líderes europeus. Ele criticou o Reino Unido por planos de devolver a soberania de Diego Garcia a Maurício, ameaçou oito países europeus com tarifas por se oporem a suas reivindicações sobre a Groenlândia, atacou a Noruega por não lhe conceder o Prêmio Nobel da Paz (que não é outorgado pelo governo norueguês) e agora tenta forçar a França a se juntar ao que ele chamou de Conselho de Paz, ao lado de autocratas como Alexander Lukashenko, da Bielorrússia, e até mesmo do presidente russo Vladimir Putin.
Mandato do Conselho de Paz
Originalmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza, o mandato do chamado Conselho de Paz está se expandindo e Trump parece vê-lo como um mecanismo para resolver outros conflitos e moldar eventos internacionais, de acordo com vários funcionários europeus.
Conforme um rascunho de estatuto para o grupo proposto analisado pela Bloomberg, Trump seria o primeiro presidente e teria autoridade sobre as decisões de adesão. A administração Trump está solicitando que os países que desejam um espaço permanente no corpo contribuam com pelo menos US$ 1 bilhão.
Rejeição de Macron
De acordo com um informante próximo ao líder francês, Macron não tem planos de aceitar essa proposta. Ele acredita que a carta vai além de Gaza e está preocupado com a possibilidade de que isso possa, de forma contrária aos interesses da França, minar a ONU, que é considerada não-negociável. O informante também afirmou que Macron considera inaceitável a tentativa de Trump de influenciar a política externa francesa por meio de ameaças e está determinado a não ceder.
Consequências para as Relações Transatlânticas
A preocupação dos europeus é que as disputas sobre a Groenlândia, sobre comércio e sobre o conselho de paz fazem parte de uma quebra mais ampla nas relações transatlânticas, o que poderia comprometer o compromisso dos Estados Unidos com a segurança europeia e a aliança militar da OTAN.
O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, tem se concentrado em manter Trump engajado com a aliança desde que assumiu o cargo em 2024, muitas vezes adotando um tom de extrema deferência ao líder dos EUA. Em uma série de postagens noturnas, Trump também publicou uma mensagem em que Rutte elogiou o sucesso de um ataque dos EUA contra supostos militantes do Estado Islâmico na Síria.
“What you achieved in Syria today is incredible”, disse Rutte na mensagem, conforme confirmado por um oficial da OTAN. “Usarei meus compromissos na mídia em Davos para destacar seu trabalho lá, em Gaza e na Ucrânia”.
Críticas ao Reino Unido
Trump também revelou mensagens privadas de Rutte antes da cúpula da OTAN do ano passado, mas Rutte preferiu minimizar isso. Em mais uma provocação aos tradicionais aliados de Washington, Trump criticou os planos do primeiro-ministro britânico Keir Starmer de devolver a soberania de Diego Garcia — uma ilha que abriga uma base militar crucial — a Maurício, revertendo seu apoio anterior à proposta.
“De maneira chocante, nosso ‘brilhante’ aliado da OTAN, o Reino Unido, está atualmente planejando entregar a ilha”, disse Trump. “Não há dúvida de que China e Rússia notaram esse ato de total fraqueza.”
Questões Relacionadas à Groenlândia
Trump também divulgou o que parecia ser uma montagem criada por inteligência artificial que mostrava o presidente conversando com líderes europeus no Salão Oval, em frente a um mapa que indicava não apenas a Groenlândia, mas também o Canadá como território dos EUA. Trump causou desconforto no Canadá no ano passado ao sugerir que o país poderia se tornar o 51º estado dos EUA, uma ideia que foi categoricamente rejeitada pelo primeiro-ministro Mark Carney.
Reações de Líderes Mundiais
Carney é outro líder mundial que está se preparando para ignorar o Conselho de Paz de Trump, conforme relatado por pessoas familiarizadas com seu raciocínio. O Reino Unido, Suécia, Países Baixos e Alemanha também estão prestes a recusar o convite de Trump para participar, segundo essas fontes. Trump deseja que toda a constituição e mandato do Conselho de Paz sejam assinados em Davos na quinta-feira, mas outros convidados também estão céticos.
Tarifas em Resposta a Medidas dos EUA
Os países europeus que evitam o Conselho de Paz também têm sido alvos de Trump por oferecerem apoio à Dinamarca, enquanto o presidente intensifica a pressão sobre a Groenlândia. Os líderes da União Europeia devem realizar uma cúpula emergencial nesta semana para discutir suas respostas. O bloco está preparado para impor tarifas sobre 93 bilhões de euros (108 bilhões de dólares) em produtos dos EUA, caso Trump siga em frente com sua ameaça de aplicar uma taxa de 10% sobre países europeus a partir de 1º de fevereiro. Macron está pressionando a UE a ativar o chamado Instrumento de Anticoerção, uma ferramenta poderosa que concede aos oficiais amplos poderes para limitar o acesso ao mercado da UE.
— Com assistência de Alan Katz e Jenni Marsh.
Fonte: finance.yahoo.com


