Desempenho das Ações de Dividendos
Após anos de baixo desempenho, o panorama para as ações que pagam dividendos pode estar mudando, e as inovações em inteligência artificial podem ter um papel crucial nesse processo. O Índice de Aristocratas de Dividendos do S&P 500 tem enfrentado a maior desvantagem em relação ao S&P 500 nas últimas décadas, de acordo com um relatório da Raymond James que contempla as perspectivas para 2026.
Aristocratas de Dividendos
Os aristocratas de dividendos são empresas reconhecidas por aumentarem suas distribuições de dividendos anualmente por pelo menos 25 anos consecutivos. Muitas dessas empresas são bastante conhecidas, como Clorox e PepsiCo. Uma subsidiária da Raymond James, a Eagle Asset Management, monitorou o desempenho relativo do Índice de Aristocratas de Dividendos do S&P 500 em relação ao amplo benchmark do mercado, abrangendo o período de 1991 até 31 de janeiro de 2026. O recente período de desvantagem começou em maio de 2023.
No último mês, os retornos dos aristocratas de dividendos, acumulados em 12 meses, apresentaram um desempenho aquém do esperado em 7,3% em comparação com um desvio de 10,6% registrado em dezembro.
Movimentos do Mercado
John Lagowski, gerente de portfólio da Eagle Asset Management, comentou que o mercado sempre passa por ciclos de concentração e diversificação de estilos que vêm e vão em termos de popularidade. Ele destacou que as ações pagadoras de dividendos, apesar de não terem apresentado um desempenho ruim em geral, foram ofuscadas por um grupo muito concentrado de ações impulsionadas pela inteligência artificial que compõem o S&P 500. Esse panorama se deve ao perfil de lucros extraordinários das chamadas "Magnificent Seven".
No entanto, Lagowski observou que essa disparidade nos lucros, que antes era significativa, está começando a se estreitar. Ele expressou a expectativa de que essa desvantagem comece a se estabilizar e se aproxime de um nível neutro. Ele também mencionou uma diversificação nas empresas que estão liderando o mercado.
Cenário Econômico e Benefícios da Inteligência Artificial
Além de um cenário macroeconômico favorável e a presença de comparativos mais acessíveis para empresas em dificuldades, os benefícios da inteligência artificial deverão beneficiar companhias fora do setor de grandes tecnologias. Lagowski afirmava: "Se você acredita que a inteligência artificial é tudo o que esperamos, então os benefícios desse avanço tecnológico precisarão começar a fluir para outras indústrias e empresas, além das grandes empresas e das companhias adjacentes à sua expansão."
Conforme a inteligência artificial começa a trazer benefícios para um número maior de empresas do ponto de vista de economia de custos e produtividade, Lagowski revelou que ele e os investidores se sentem animados em aproveitar essas oportunidades ao investir em empresas que apresentam um histórico sólido de permitir que seus acionistas participem desses benefícios por meio de dividendos crescentes.
Foco em Dividendos Acima da Mediana
Lagowski concentra sua atenção em empresas que oferecem dividendos acima da mediana. O fundo que ele coadministra, o RJ Eagle Vertical Income ETF (RJVI), detinha aproximadamente 14% de seus ativos em ações ordinárias até 30 de setembro. Além disso, o fundo também investe em obrigações corporativas e valores mobiliários preferenciais.
Ele explicou: "Nós queremos encontrar um equilíbrio que nos permita gerar uma renda de dividendos robusta ou significativa, mas também não estamos em busca das empresas que pagam os mais altos dividendos, pois essas não têm crescimento associado."
Oportunidades em Setores Específicos
Olhando mais adiante, Lagowski vê oportunidades em ações do setor financeiro, em razão da desregulamentação que se espera na indústria. Ele acredita que essas empresas também se beneficiarão de uma economia em aceleração. Além disso, ele expressou interesse nas indústrias de transporte e manufatura.
Fonte: www.cnbc.com


