Por que o Brasil é o país mais preocupado em relação ao dinheiro?

Por que o Brasil é o país mais preocupado em relação ao dinheiro?

by Rafael Martins
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Ansiedade entre brasileiros

Um estudo realizado pela RepTrak e a Dynata revelou que 39% dos brasileiros apresentam altos níveis de ansiedade, o que os coloca em uma das mais elevadas concentrações de ansiedade entre os 10 países avaliados, junto com os Estados Unidos. Diversos fatores foram identificados, mas três se destacam como as principais preocupações.

Fatores de estresse

A pesquisa aponta que o custo de vida, a inflação e a incerteza sobre o futuro estão no centro das preocupações dos brasileiros. O custo de vida e a inflação são mencionados por 72% dos entrevistados, enquanto 68% expressam insegurança em relação ao futuro. Esses mesmos fatores são também predominantes globalmente, sendo citados por 64%, 63% e 57% dos participantes, respectivamente.

Paula Sauer, professora da FIA Business School, afirma que a ansiedade financeira é um fenômeno global, muitas vezes associada a questões macroeconômicas que estão fora do controle individual, o que gera desconforto e ansiedade. Em relação às incertezas, ela destaca que o desgaste emocional está ligado à falta de controle sobre as situações.

Geração ansiedade

Robson Gonçalves, professor de Economia Comportamental da FGV, também aponta um aspecto a ser considerado na ansiedade das pessoas. Segundo ele, muitas pessoas associam sua ansiedade a dificuldades financeiras, mas essa ansiedade já pode ser crônica, resultante do excesso de exposição a tecnologias.

Gonçalves observa que esse erro de atribuição é comum, pois as pessoas frequentemente focam em elementos que percebem como fontes de ansiedade, quando, na verdade, sua condição emocional pode ser influenciada por fatores mais amplos.

Como combater a ansiedade

Para Gonçalves, reduzir a exposição à tecnologia é uma estratégia importante. Ele sugere que as pessoas tentem ficar offline por uma parte significativa do dia, ressaltando que muitos têm o celular sempre à mão, mesmo durante momentos de lazer.

O professor recomenda a adoção de hábitos que promovam saúde mental, como ler um livro, cuidar de plantas ou jogar jogos de tabuleiro, para desconectar-se do excesso de tecnologia.

Paula Sauer complementa a necessidade de proteger a saúde mental, sugerindo que as pessoas absorvam apenas informações relevantes e evitem um consumo excessivo de notícias negativas sobre a economia. Ela também recomenda práticas como exercícios físicos, meditação e manter uma rotina equilibrada. Caso a ansiedade se torne difícil de gerir, conversas com familiares ou profissionais qualificados são aconselhadas.

Como cuidar das finanças

A pesquisa indica que entre os brasileiros que se consideram altamente ansiosos, essa ansiedade se traduz em mudanças no comportamento financeiro, como:

  • 77% pretendem economizar mais;
  • 75% devem evitar compras de maior valor;
  • 46% pretendem priorizar produtos nacionais.

Paula Sauer enfatiza que o planejamento financeiro é crucial. Ela sugere que as pessoas façam uma análise honesta de seus ganhos e despesas, diferenciando entre gastos essenciais e supérfluos, além de verificar se seu estilo de vida está alinhado aos seus rendimentos.

Gestão das finanças

A partir de uma visão clara da situação financeira, é fundamental implementar uma gestão adequada, estabelecendo um orçamento que considere tanto a entrada quanto a saída de recursos e separando os gastos em categorias essenciais e não essenciais.

Sauer ainda ressalta a importância de construir uma reserva de emergência para aliviar o impacto de imprevistos financeiros, oferecendo maior tranquilidade e reduzindo a ansiedade.

Quanto a dívidas, é essencial uma análise correta dos números e negociar com os credores, priorizando a quitação de dívidas com altos juros, como as de cartão de crédito e cheque especial.

Analisar comportamento

Outra etapa importante é examinar o comportamento de consumo, identificando gastos desnecessários que podem ser eliminados. É imprescindível revisar débitos automáticos, como assinaturas de serviços que não são utilizados, a fim de aliviar a pressão financeira.

Gonçalves aponta que essa reavaliação pode ajudar as pessoas a focarem em gastos que realmente trazem satisfação e bem-estar.

Pessimismo na economia e otimismo nas finanças pessoais

O estudo também revela uma tendência de pessimismo em relação à economia geral, enquanto muitos se mostram otimistas em relação a suas finanças pessoais.

Com exceção de chineses e mexicanos, os entrevistados de outros países tendem a acreditar que a economia piorará no segundo semestre de 2025. Entre os brasileiros, 49% se mostram pessimistas, 34% acreditam que a situação permanecerá a mesma e 17% têm uma visão otimista.

Contudo, ao avaliarmos suas próprias finanças, 42% acreditam que a situação vai melhorar, enquanto 46% acham que não haverá mudanças e 16% acreditam que piorará.

Gonçalves explica que esse otimismo nas finanças pessoais pode ser caracterizado como viés de excesso de otimismo, refletindo uma tentativa de minimizar a tensão causada pelas dificuldades financeiras.

O professor observa que as pessoas tendem a atribuir a pressão econômica a fatores externos, como desemprego e inflação, em vez de reconhecer suas responsabilidades na gestão de suas finanças.

Paula Sauer também indica que essa contradição pode ser explicada por três fatores psicológicos e vieses comportamentais:

  • Viés de controle pessoal: a percepção de maior controle sobre as finanças pessoais em comparação com a economia nacional.
  • Efeito proximidade: decisões financeiras pessoais são mais tangíveis em comparação a cenários macroeconômicos.
  • Comparação relativa: muitos ajustam suas expectativas, acreditando que podem lidar melhor com suas finanças do que a média.
As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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