Resultados do Santander
O Santander (SANB11) divulgou seus resultados financeiros, que, à primeira vista, atenderam às expectativas do mercado. O banco reportou um lucro de R$ 4,1 bilhões, ligeiramente superior à projeção do consenso da Bloomberg, que era de R$ 4 bilhões.
Análise do Desempenho
Apesar do resultado satisfatório em termos absolutos, os analistas apontaram questões relacionadas à qualidade do resultado, que geraram preocupações e influenciaram negativamente o desempenho das ações. Por volta das 11h48, as ações da instituição apresentavam uma queda de 0,53%, tendo chegado a recuar 2,75% no início do dia. Com a desvalorização acumulada da sessão anterior, o total de perdas chega a aproximadamente 5%.
Lucro Antes de Impostos
Conforme informações do Safra, os resultados agregados do banco corresponderam ao que era esperado, mas o lucro antes de impostos (EBT) ficou 5% abaixo do consenso do mercado. Além disso, o lucro antes das provisões recuou 7% em relação às estimativas. Essa pressão foi impulsionada, em grande parte, pela queda da receita líquida de juros (NII) e pelo aumento de outras despesas operacionais (opex).
Créditos Inadimplentes
Outro destaque negativo foi a deterioração dos créditos inadimplentes (NPLs), que superou as indicações de inadimplência de curto prazo mais recentes. A maior pressão veio do segmento de pequenas e médias empresas (PMEs), que apresentou um aumento contínuo nos atrasos de 15 a 90 dias. Também houve um avanço de 40 pontos-base nos NPLs acima de 90 dias no segmento de pessoas físicas em comparação com o trimestre anterior.
Desafios na Qualidade dos Ativos
Analistas do Citi indicaram que a qualidade dos ativos continua a ser um dos principais desafios enfrentados pelo banco, tanto no segmento de pessoas físicas quanto no de empresas. Em comunicado aos investidores, o banco mencionou que a inadimplência continua a subir, tanto nas faixas de atraso de 15 a 90 dias quanto além de 90 dias, enquanto as renegociações passaram a ter maior relevância na carteira de crédito. Adicionalmente, os níveis de recuperação e de cobertura diminuíram ao longo do trimestre.
Eficiência Operacional
A equipe do Citi observou que os esforços para aumentar a eficiência operacional ficaram abaixo do esperado durante o período. No geral, os resultados do Santander foram considerados mais estáveis em relação a receitas e rentabilidade. Porém, uma abordagem cautelosa em um ambiente desafiador pode restringir a expansão do Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) no curto prazo. O retorno sobre o patrimônio médio (ROAE) do banco foi de 17,6% no quarto trimestre, apresentando uma queda de 0,1 ponto percentual em comparação ao quarto trimestre de 2024, e mantivendo estabilidade em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Estratégia para o Futuro
Diante desse cenário, o Santander reafirmou que não pretende assumir riscos adicionais em seu portfólio de crédito. Para 2026, a estratégia do banco é crescer de maneira seletiva e técnica, com uma expansão considerada “desproporcional” em áreas como alta renda. Isso será acompanhado pela busca por otimizar a exposição à baixa renda.
O presidente do banco, Leão, evitou comentar sobre quando se espera uma mudança significativa nesses segmentos. Ele salientou que, mesmo com a expectativa de queda dos juros em 2026, a taxa Selic deverá permanecer em níveis elevados. Ele também acrescentou que, se tudo acontecer conforme o planejado, em 2027, a taxa poderá continuar acima de dois dígitos.
Recomendações dos Analistas
Apesar dos indícios de deterioração na qualidade dos ativos, a XP avaliou que os resultados do Santander sustentam a perspectiva de um ROE que supera o custo de capital, já consolidado nesse patamar. A corretora argumenta que os ganhos adicionais dependerão mais da evolução da economia do que de melhorias operacionais específicas do banco. A recomendação da XP é de compra, com um preço-alvo de R$ 35.
Por outro lado, o Safra descreveu o período como um trimestre de menor qualidade na composição dos resultados financeiros, embora parte dessa percepção já tivesse sido antecipada pelos números preliminares divulgados pelo Santander na véspera. A recomendação do Safra é de neutralidade, com um preço-alvo de R$ 40, que representa um potencial de valorização de 11%.
Fonte: www.moneytimes.com.br


