Avanços no Comércio Internacional do Agronegócio
Desde outubro de 2024, quando Luís Rua assumiu a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), houve um aumento significativo no número de mercados abertos para produtos do agronegócio brasileiro. O Brasil saltou de 248 para 535 mercados abertos, o que representa uma média de 17,8 novos mercados por mês nos últimos 16 meses.
Impacto das Aberturas de Mercado
De acordo com o secretário, essas 535 aberturas já resultam em um impacto acumulado de cerca de US$ 5 bilhões em exportações adicionais. Rua compara o processo de abertura de mercados a um relacionamento, afirmando que é uma sequência que começa com o conhecimento mútuo, passa por visitas, compromissos e culmina em um "casamento". Para ele, a abertura formal de um mercado é apenas o primeiro passo, que deve ser seguido por ajustes regulamentares e logísticos, bem como pela conquista de clientes no novo destino.
Rua enfatiza que, após a primeira venda, tanto o vendedor quanto o comprador têm inseguranças. O vendedor se pergunta sobre o recebimento do pagamento, enquanto o comprador questiona a entrega do produto. Como resultado, as compras iniciais tendem a ser modestas, até que uma confiança mútua seja estabelecida. Com isso, o crescimento das vendas pode se tornar exponencial.
Crescimento nas Exportações de Produtos Não Tradicionais
Um ponto destacado na estratégia de diversificação do agronegócio foi o crescimento das exportações de produtos não tradicionais, que aumentaram 15% em 2025, em comparação ao ano anterior.
Prioridades para 2026
O foco do Ministério da Agricultura para 2026 é continuar a expansão de mercados, mantendo o ritmo de aberturas. Luís Rua observa que, à medida que os mercados mais acessíveis são conquistados, restarão aqueles que exigem negociações mais complexas.
A rotina de Rua, que é o braço direito do ministro Carlos Fávaro, começa cedo, geralmente entre 4h e 5h da manhã, devido aos fusos horários variados. Seu dia inicia com conversas com os 40 adidos agrícolas brasileiros localizados em diferentes partes do mundo.
"Os adidos no fuso mais ocidental estão no México; e no mais oriental, na Austrália — uma diferença de 17 horas. No início da manhã, interajo com representantes da Ásia e Oceania, enquanto à noite, por volta das 19h, converso com os adidos das Américas", relatou Rua.
Papel dos Adidos Agrícolas
Segundo Rua, os adidos agrícolas são essenciais para a estratégia internacional do agronegócio brasileiro. Ele destaca que eles possuem conhecimento técnico e a capacidade necessária para negociar. Mais de 60% das 535 aberturas de mercado foram em países onde esses adidos estão presentes.
Além de abrir novos mercados, o governo também busca apoiar as empresas na efetiva utilização dessas oportunidades, um esforço que o secretário define como "ajudar a atravessar a porta". Para isso, o ministério criou dois serviços voltados aos exportadores: Passaporte Agro e Agro Insight.
Passaporte Agro e Agro Insight
O Passaporte Agro é uma ferramenta que reúne informações práticas sobre novos mercados, abordando questões como exigências sanitárias, tarifas, concorrência e contatos locais, com um enfoque especial em pequenos e médios exportadores.
Por outro lado, o Agro Insight consiste em relatórios mensais elaborados pelos adidos agrícolas, apresentando análises sobre a conjuntura, oportunidades e tendências específicas para cada produto e país.
Rua também ressalta a fragilidade do trabalho em equipe: "Para abrir mercados nunca é um esforço de apenas uma mão, mas para fechar um mercado, basta uma palavra mal colocada minha, do ministro ou de qualquer elo da cadeia".
Fonte: www.moneytimes.com.br


