Raízen, São Martinho ou Jalles? XP rebaixa ações e ajusta preços-alvo, recomendando compra apenas para uma usina antes do 3T26.

Raízen, São Martinho ou Jalles? XP rebaixa ações e ajusta preços-alvo, recomendando compra apenas para uma usina antes do 3T26.

by Beatriz Fontes
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Divulgação dos Resultados do 3T26

A próxima semana será marcada pela divulgação dos resultados referentes ao terceiro trimestre da safra 2025/2026 (3T26) por parte das usinas sucroenergéticas. Às vésperas da temporada de relatórios financeiros, a XP Investimentos revisou sua recomendação em relação à Raízen (RAIZ4), alterando-a de compra para neutra e reduzindo o preço-alvo das ações de R$ 2,70 para R$ 1,10.

Recomendações e Previsões das Usinas

No mesmo relatório, os analistas da XP aumentaram o preço-alvo para a São Martinho (SMTO3), que passou de R$ 13,90 para R$ 14,80, mantendo a recomendação neutra. Em contrapartida, a Jalles (JALL3) teve seu preço-alvo reduzido de R$ 9,50 para R$ 4,10. No entanto, a empresa ainda figura como a única recomendação de compra entre as analisadas, sustentada pelo potencial de valorização a longo prazo associado ao aumento da produção na Usina Santa Vitória.

Apesar dessas avaliações, diante de fundamentos desafiadores no setor, a XP considera que a geração de fluxo de caixa livre (FCF) e a avaliação da Jalles devem continuar pressionadas ao longo dos próximos anos.

“Esperamos um trimestre neutro para todas as ações do setor. Os players que atuam exclusivamente na produção, como SMTO3 e JALL3, devem apresentar resultados fracos, refletindo tanto a diminuição dos volumes vendidos quanto o aumento dos custos por unidade. Para a RAIZ4, o destaque deve ser o desempenho positivo das margens na distribuição de combustíveis”, esclarecem os analistas Leonardo Alencar, Pedro Fonseca e Samuel Isaak.

Expectativas para o 3T26

Análise da Raízen

Para a XP, a tese de investimento da Raízen se tornou cada vez mais complexa e arriscada. No entanto, os resultados recentes têm trazido uma perspectiva mais otimista, especialmente devido à melhora nas margens da operação de Distribuição de Combustíveis no Brasil, além de reduções nas despesas gerais e administrativas (SG&A) e nos investimentos em capital (CAPEX).

“Ainda assim, acreditamos que as ações da companhia dificilmente farão negociações com base em fundamentos enquanto o mercado aguarda maior clareza sobre a venda de ativos adicionais e/ou injeções de capital, além de uma possível desalavancagem do balanço”, afirmam os analistas.

A expectativa é que a recuperação operacional continue, apesar dos desafios enfrentados nos negócios de açúcar e etanol, impulsionada principalmente pelo bom desempenho da unidade de Distribuição de Combustíveis no Brasil.

No consolidado, a XP projeta uma queda de 6% na receita líquida em comparação ao ano anterior, além de um EBITDA ajustado de R$ 3,6 bilhões, o que representa um aumento de 17% em relação ao 3T25, refletindo uma melhora nas margens de lucro.

Análise da São Martinho

Do ponto de vista setorial, os analistas da XP acreditam que o etanol de milho conquistará participação de mercado em relação ao etanol produzido da cana nos próximos anos, por conta de sua maior competitividade.

Embora seja prematuro para chegar a conclusões definitivas, a XP acredita que os players menos competitivos atuando com cana-de-açúcar tendem a reduzir sua escala com o tempo, o que pode beneficiar, no longo prazo, uma operadora de destaque como a São Martinho.

No entanto, no curto prazo, a geração de fluxo de caixa livre deve ficar sob pressão devido a fundamentos desafiadores e aos investimentos da empresa no etanol de milho, fatores que também podem impactar negativamente a alavancagem e a avaliação da companhia.

“Como resultado, projetamos uma reversão na geração de fluxo de caixa livre apenas para 2028/29E, quando a expansão do etanol de milho deve alcançá-la aproximadamente 85% da capacidade total. Com a ação negociando a cerca de 16,8 vezes o EV/Ebitda para 26/27E, mantemos a recomendação neutra”, afirmam os analistas.

Para o 3T26, a XP projeta uma queda de 6% na receita líquida em comparação ao ano anterior, considerando que os preços mais baixos do açúcar e os menores volumes de açúcar e etanol devem compensar os preços mais altos do etanol.

“Esperamos que a companhia concentre suas vendas do segundo semestre no 4T26. As projeções indicam que o EBIT e o EBITDA ajustado devem apresentar quedas de 36% e 21% em relação ao ano anterior, respectivamente, devido ao aumento dos custos por unidade, causado pela menor diluição de custos”, ressaltam os analistas.

Análise da Jalles

Após um ano desafiador, marcado por eventos climáticos adversos que resultaram em um desempenho inferior para a Jalles em um setor já fragilizado, os analistas aguardam uma melhora nos resultados na próxima safra, favorecida por uma base de comparação mais fraca.

Mesmo assim, a XP decidiu reduzir suas estimativas de EBITDA ajustado e EBIT ajustado para 2026/27 em 21% e 7%, respectivamente.

Em comparação com as empresas do setor, a estratégia considerada assertiva de hedge da Jalles — que abrange 75% do açúcar disponível para 26/27 a preços aproximadamente 20% acima dos níveis atuais — deve contribuir para um desempenho relativamente superior.

“Esperamos que a alta nos preços do etanol não seja suficiente para compensar a redução nos volumes, resultado da menor disponibilidade de produtos e dos preços reduzidos do açúcar. Dentro deste contexto, projetamos uma queda de 28% na receita líquida em relação ao ano anterior”, afirmam os analistas.

Juntamente com o aumento dos custos por unidade, devido à menor diluição de custos, a XP espera um recuo de 14% no EBITDA ajustado e de 40% no EBIT ajustado, ambos em relação ao ano anterior.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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