Inflação atual poderia possibilitar cortes mais significativos na Selic este ano, mas eleições restringem reduções, afirma especialista.

Inflação atual poderia possibilitar cortes mais significativos na Selic este ano, mas eleições restringem reduções, afirma especialista.

by Ricardo Almeida
0 comentários

Expectativa do Copom para corte de juros

O mercado já possui uma expectativa consolidada sobre a política monetária do Brasil: o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central cortará os juros em março.

A última decisão do Comitê, ocorrida em janeiro, indicou o início do afrouxamento monetário na próxima reunião, reforçado pela ata da decisão. Além disso, a maioria do mercado prevê um corte de 0,50 ponto percentual, reduzindo a Selic para 14,50% ao ano, de acordo com a precificação na curva de juros futuros.

Os agentes financeiros estão precificando cortes em todas as reuniões do Comitê ao longo de 2025, projetando uma Selic em 12,25% até o final do ano. A principal questão atualmente é: qual será o ritmo e a magnitude dos cortes nos juros até dezembro? Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, há um espaço maior para cortes de juros do que o que está atualmente previsto.

Análise sobre os cortes de juros

“A simetria do Brasil é para mais cortes. Hoje, a expectativa para inflação é de quase 4% no final do ano, e com os juros que o mercado projeta [12,25% em dezembro], estamos falando de uma taxa de juros real perto de 8%, que é extremamente elevada”, afirmou Shahini em entrevista ao Money Times.

Ele acrescentou que o Banco Central possui um maior potencial para cortes do que o estimado pelo mercado. Essa avaliação é sustentada pela recente desaceleração da inflação, um movimento que também foi reconhecido pela instituição. Na ata da última reunião, o Copom destacou que tanto a inflação cheia quanto as medidas subjacentes mostraram um certo arrefecimento, embora ainda permaneçam acima da meta.

Fatores que influenciam as projeções

Além do comportamento da inflação, o enfraquecimento do dólar também contribui para a expectativa de um maior afrouxamento monetário. “Considerando que o dólar é um componente importante da cesta de consumo brasileiro, a divisa mais fraca tem ajudado a controlar a inflação medida pelo IPCA”, enfatizou Shahini.

Entretanto, o cenário eleitoral pode limitar a possibilidade de cortes mais agressivos na Selic devido ao aumento da volatilidade no mercado no segundo semestre. “Se não fosse um ano eleitoral, eu diria que a gente poderia até ter mais cortes. A Selic poderia cair para 10% tranquilamente”, observou o especialista da Nomad.

“No entanto, dada a situação eleitoral, estimo que o Banco Central, que já adota uma retórica conservadora, continuará a ser cauteloso, esperando para observar como será a dinâmica inflacionária, considerando tanto as situações correntes quanto as expectativas do mercado”, completou.

Perspectivas para os juros nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, o mercado também projeta cortes de juros ao longo deste ano, com pelo menos duas reduções já precificadas. “O que importa é onde a taxa vai parar. O mercado hoje precifica algo em torno de 3%. Qualquer desvio significativo disso pode ter efeitos relevantes sobre a força do dólar”, afirma Shahini. Atualmente, os juros americanos variam de 3,50% a 3,75% ao ano.

O especialista da Nomad ressalta que o mercado de trabalho mais resiliente ao longo do ano passado apoiou o ciclo de cortes promovido pelo Federal Reserve (Fed), que atua com um duplo mandato que envolve inflação e emprego. Entre setembro e dezembro, o Fed fez três cortes consecutivos, reduzindo as taxas da faixa de 4,25% a 4,50% para a variação de 3,50% a 3,75% ao ano.

A principal preocupação atualmente parece retornar à inflação, conforme indicam as comunicações mais recentes da autoridade monetária norte-americana. “A inflação medida pelo PCE [índice de preços de gastos com consumo pessoal] ainda permanece acima da meta. Assim, o Fed deve continuar a se manter dependente de dados”, destacou Shahini.

Possíveis mudanças na liderança do Fed

Além disso, há uma nova incerteza no horizonte: Kevin Warsh, que poderá assumir o comando do Fed. O ex-diretor do Banco Central foi indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no final de janeiro e, caso seu nome seja aprovado pelo Senado, ele deverá assumir a presidência da autoridade monetária no término do mandato de Jerome Powell, em maio.

Considerado um nome técnico e mais independente em comparação a outros candidatos, Warsh foi bem recebido pelo mercado. “Diante do conjunto de nomes que estavam sendo cogitados, a indicação foi positiva. O mercado percebe nele uma maior independência para conduzir a política monetária”, afirmou Shahini.

Ele acrescentou que “essa mudança [no comando] é relevante, pois pode impactar a transição [de Powell para Warsh] e se podemos observar um Fed com menos intervenção no mercado e com uma atuação mais moderada via títulos públicos.”

Warsh, nos anos recentes, começou a criticar algumas práticas do Fed, incluindo o tamanho do balanço patrimonial e a manutenção prolongada de políticas monetárias expansionistas. Em suas últimas declarações, ele defendeu que a redução das reservas de títulos do Banco Central – que superam 6 trilhões de dólares – permitiria cortes nas taxas sem impulsionar a inflação.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

Você pode se interessar

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Aceitar Leia Mais

Privacy & Cookies Policy