Alta do Petróleo e Impacto no Déficit Primário
Uma alta do petróleo para o patamar de US$ 80 por barril, caso mantenha esse valor pelo resto do ano, pode reduzir o déficit primário em quase 50% até 2026, conforme projeções apresentadas pelo BTG Pactual em um relatório distribuído a seus clientes nesta quarta-feira, 4 de outubro.
Estimativas Originais do BTG Pactual
Em suas previsões iniciais, o BTG Pactual estabelece que o preço do barril de petróleo deve ser de US$ 65 e que a cotação do dólar esteja em R$ 5,20 neste ano. Essa situação resultaria em um déficit primário do governo central, que compreende o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, estimado em R$ 50 bilhões, representando 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Este cálculo não considera exceções ao arcabouço fiscal, como os descontos referentes ao pagamento de precatórios e os investimentos adicionais destinados ao reaparelhamento das Forças Armadas.
Novas Simulações e Tensões Geopolíticas
O BTG Pactual também conduziu novas simulações que contemplam os impactos dos recentes ataques ao Irã e as crescentes tensões no Oriente Médio, especialmente com o fechamento do Estreito de Ormuz, que serve como rota para a exportação da maioria da produção de petróleo dos países árabes.
No cenário em que se mantenha a taxa de câmbio e ocorra um realinhamento do preço do barril para US$ 80, essa situação resultaria em uma arrecadação adicional de R$ 18,9 bilhões em impostos federais, royalties e participações especiais destinadas à União. Além disso, haveria um aporte de R$ 4,1 bilhões em dividendos da Petrobras ao Tesouro, totalizando R$ 23 bilhões.
Considerações sobre Arrecadação e Dividendos
É importante salientar que esse montante já desconsidera os valores a serem pagos a estados e prefeituras, que incluem royalties e impostos, além dos dividendos destinados aos acionistas minoritários da Petrobras. Em termos líquidos, o que se espera é que o déficit primário seja reduzido para R$ 27 bilhões em 2026, correspondendo a uma diminuição de 0,2% do PIB, segundo os analistas do BTG Pactual.
Implicações Inflacionárias e Políticas Fiscais
Por fim, o relatório destaca que é crucial considerar a possibilidade de que qualquer impacto inflacionário resultante deste conflito possa gerar uma pressão política por medidas de alívio tributário e/ou um aumento no gasto público, com o objetivo de amenizar esses efeitos. Caso essas medidas sejam implementadas, elas poderiam, de alguma maneira, compensar parcial ou totalmente os ganhos fiscais estimados para este exercício.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


