Desempenho do Comércio Chinês em Início de 2023
O comércio da China iniciou o ano de 2023 superando as expectativas, prolongando a inércia positiva do ano anterior. No entanto, o cenário geopolítico atual apresenta novas incertezas para exportadores e cadeias de suprimentos, conforme afirmaram autoridades nesta sexta-feira, dia 6.
Meta de Crescimento para 2023
Na quinta-feira, dia 5, Pequim divulgou uma meta de crescimento para 2023 que é ligeiramente inferior à do ano anterior, estabelecendo um intervalo de 4,5% a 5%, em comparação com 5% de 2022. Esse resultado foi majoritariamente impulsionado por um aumento considerável de um quinto em seu superávit comercial, que alcançou um recorde de US$ 1,2 trilhão.
Prioridades do Governo Chinês
O ministro do Comércio, Wang Wentao, afirmou que o governo chinês está atento ao superávit comercial do ano passado e às opiniões de seus parceiros comerciais. Durante a reunião parlamentar anual, ele declarou: “Nossa próxima prioridade é promover um desenvolvimento comercial mais equilibrado. As exportações e as importações são como as duas rodas de um carro – se estiverem equilibradas, o carro funciona melhor e pode ir mais longe.”
Ele esclareceu o conceito de “comércio equilibrado”, que envolve não apenas estabilizar as exportações, mas também ampliar as importações. O governo planeja aproveitar o vasto mercado da China para aumentar a importação de produtos agrícolas, bens de consumo de qualidade, equipamentos avançados e componentes importantes.
Promessas de Expansão nas Importações
A China tem feito promessas de expansão nas importações há vários anos. No ano passado, enquanto as remessas para os Estados Unidos diminuíram em um quinto, as exportações para o restante do mundo aumentaram de forma significativa. Essa mudança ocorreu à medida que os produtores chineses buscaram novos mercados para se proteger contra as políticas tarifárias agressivas implementadas pelo ex-presidente dos EUA, Donald Trump.
As exportações da China, uma potência de manufatura, mostraram crescimento de 6,6% em dezembro em comparação com o ano anterior, em termos de valor em dólares, enquanto as importações tiveram um aumento de 5,7%.
Expectativas para o Comércio em Janeiro e Fevereiro
Wang Wentao ressaltou que o comércio da China manteve o impulso verificado no ano anterior durante os meses de janeiro e fevereiro de 2023. Ele apontou que, apesar de os números oficiais ainda não terem sido divulgados, o desempenho foi “melhor do que o esperado”.
Entretanto, o ministro também reconheceu que o ambiente externo continua a ser severo e complexo, e as pressões sobre o comércio permanecem significativas. Ele destacou que, nas últimas semanas, a intensificação de conflitos geopolíticos tem dificultado a ordem econômica e comercial internacional, além de perturbar as cadeias globais de suprimentos, criando condições ainda mais incertas e instáveis.
Negociações com o Irã
Fontes diplomáticas relataram à Reuters que a China está atualmente em negociações com o Irã. O foco dessas conversações é possibilitar a passagem segura de navios transportando petróleo bruto e gás natural liquefeito do Catar pelo estratégico Estreito de Ormuz.
Impactos da Guerra EUA-Israel no Sentimento Global
Em uma coletiva de imprensa realizada em Pequim, Pan Gongsheng, presidente do banco central da China, mencionou que a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã trouxe um aumento acentuado no sentimento global de aversão ao risco. Isso resultou numa volatilidade significativa no índice do dólar e em outras moedas.
O banco central da China planeja manter a flexibilidade do iuan e incentivará instituições financeiras a fornecer serviços de hedge para as empresas, conforme Pan explicou. Ele acrescentou que mais de 60% do comércio da China está menos exposto às flutuações cambiais em comparação com outros setores.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


